4 de junho de 2026

Novas espécies no Alto Tietê – Cuidar das novas e das antigas

Astyanax sp.

Nassif e amgias/os, em meio há tanta notícia sobre espécies políticas que precisam ser extintas, uma matéria que nos informa de algo novo e delicado: novas espécies de peixes no velho Tietê.

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Para cuidarmos.

Abraços, Gustavo.

Obs: Considero o Cyphocharax sp. muito elegante

“Ele defende o uso do dinheiro obtido com compensações ambientais para programas de conservação dos cursos d’água inalterados e para educação ambiental.”

 

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,levantamento-revela-56-peixes-no-alto-tiete-5-especies-novas-,779279,0.htm

Levantamento revela 56 peixes no Alto Tietê; 5 espécies novas
Ciência. Alguns animais só existem na região, que vai de Salesópolis a Itaquaquecetuba. Cientistas apontam mudanças no hábitat e agrotóxicos como principais ameaças à fauna aquática que poderia repovoar rio no futuro
30 de setembro de 2011 | 3h 02
Notícia

ALEXANDRE GONÇALVES – O Estado de S.Paulo
Nas cabeceiras do Rio Tietê, há pelo menos 56 espécies diferentes de peixes. É o que mostra um levantamento conduzido por três pesquisadores que identificaram, a menos de 80 quilômetros de São Paulo, cinco novas espécies não descritas pela ciência. O estudo mostra que vários peixes são endêmicos da região, ou seja, não ocorrem em outros lugares do País. Ameaçados pela mudança de hábitat, correm sério risco de desaparecer.
As cabeceiras do rio correspondem ao trecho acima de Itaquaquecetuba, uma área de 1,9 mil quilômetros quadrados que atravessa as cidades de Biritiba-Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis e Suzano.
A região possui vários reservatórios artificiais construídos para produzir energia elétrica, controlar enchentes na Grande São Paulo e garantir o abastecimento de água para a população.
“Eu apontaria a mudança de hábitats como a principal ameaça para esses animais”, afirma o biólogo Alexandre Marceniuk, que conduziu o levantamento durante seu pós-doutorado na Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). “A poluição por agrotóxicos também é um problema, mas a destruição da mata ciliar e os represamentos causam um estrago maior.” Marceniuk é coautor do levantamento recém-publicado na revista Biota Neotropica. Hoje, leciona na Universidade Federal do Pará (UFPA).
As novas espécies foram identificadas depois de análises genéticas coordenadas pelo zootecnista Alexandre Hilsdorf, da UMC. Ele conduz um projeto de piscicultura com espécies endêmicas do Alto Tietê para repovoar as cabeceiras.
Francisco Langeani, da Unesp de São José do Rio Preto, explica que a mudança do regime lótico – rios pequenos e com correnteza rápida – para o lêntico – grande volume de água, mas com fluxo lento – traz consigo uma transformação na fauna. “Muitos peixes nativos não conseguem se adaptar”, aponta.
Os peixes das cabeceiras do Tietê são pequenos e sofrem com a competição de espécies exóticas nos reservatórios, como a tilápia e o black bass.
O Rio Tietê nasce em Salesópolis, a menos de 22 quilômetros do Oceano Atlântico, mas corre para dentro do continente. Recolhe a água de vários afluentes, como os Rios Claro, Paraitinga, Biritiba-Mirim, Jundiaí e Taiaçupeba-Mirim. Ao passar pela cidade de São Paulo, sofre uma terrível transformação: cerca de 40% do seu volume passa a ser esgoto industrial e residencial. Sem oxigênio, todos os peixes morrem.
Marceniuk afirma que as cabeceiras poderiam servir como reservatório de biodiversidade para um futuro hipotético. Espécies como a tabarana, um parente do dourado que habita o Alto Tietê, poderiam descer e repovoar o rio em São Paulo, quando ele ficar limpo.
Hilsdorf aposta em uma estratégia pragmática. “Há uma demanda grande de água para abastecer a zona leste”, aponta o pesquisador. “São Paulo precisa dos reservatórios.” Ele defende o uso do dinheiro obtido com compensações ambientais para programas de conservação dos cursos d’água inalterados e para educação ambiental.

 

Redação

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