4 de junho de 2026

A ingrata missão de Yoshihiko Noda

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     Ex-Ministro das Finanças de Naoto Kan, eleito de forma indireta como novo primeiro-ministro do Japão desde o dia 29 de agosto, Yoshihiko Noda tem a ingrata missão de tirar a terceira maior economia da mais grave crise que o país vive. Além de ter tirar o país da crise econômica que se agravou com o terremoto e tsunami de 11 de março, tem que lidar também com os efeitos das consequências da radiação da usina nuclear de Fukushima. Além disso, o yene se valoriza cada vez mais, prejudicando as exportações japonesas.

     Conseguiu derrotar dois grandes oponentes: Seiji Maehara, ex-Ministro das Relações Exteriores de Naoto Kan, era preferido de grande parte da população japonesa, segundo pesquisas feita antes da eleição; o segundo, Benri Kaieda, o preferido do grupo liderado por Ichiro Ozawa.

     Para mídia l japonesa (lembremos que o jornalismo de boa parte da mídia oficial está deixando a desejar em qualquer parte do mundo), Ichiro Ozawa é uma eminência parda do Partido Democrata. Fazendo uma analogia de grosso modo com o Brasil, Ozawa é como se fosse uma espécie de José Dirceu. Ozawa, além de grande influência dentro do seu partido, participou do governo de Yukio Hatoyama, foi alvo de escândalos. Um dos motivos que desestabilizou o governo Yukio Hatoyama foi a imensa cobertura da mídia japonesa fez em cima de Ichiro Ozawa. O paralelo novamente seria como se fosse o mensalão. Ozawa não foi cassado, mas teve que renunciar ao ministério e o cargo de líder então do Partido Democrático. Nem por isso sua influência diminuiu dentro do partido.

     Por isso,  logo após depois de saber que lideraria um partido quase tão dividido quanto o próprio Parlamento Yoshihiko Noda pediu unidade ao PDJ.

     Não sei se é qualidade ou defeito, mas Noda não participa de grupinhos, panelinhas, facções, é discreto e talvez seja de uma ala a direita do PDJ. Em comum com seu antecessor, é um defensor da disciplina fiscal , e talvez superaria o ex-ministro da fazenda no Brasil Antonio Palloci, já defende publicamente um aumento de impostos para a reconstrução das áreas devastadas pelo tsunami e terremoto. Aliás, a reconstrução do país é uma de suas duas prioridades. A outra, é encontrar um outro meio de utilização de energia mais limpa.

     Escolheu como  Ministro da Fazenda Jon Azumi, de 49 anos, ex-chefe de assuntos parlamentares, para a pasta das Finanças depois que sua primeira escolha recusou a indicação. Ex-apresentador da emissora pública de TV NHK que nasceu em uma cidade no nordeste do Japão duramente atingida pelo tsunami deste ano. Pouco se sabe o que pensa sobre a política fiscal, embora seja visto como conservador.

     Na sexta, dia 02/09, assisti ao comentário de um analista no programa de economia WBS da TV Tokyo, dizendo que Yoshihiko Noda teve o cuidado de balancear o seu ministério, mesclando novos nomes e veteranos na política, tentando agradar as várias alas do Partido Democrático e partidos da sua coalização. Também sinalizou querer o apoio do oposicionista PLD (Partido liberal Democrático), talvez até com uma coalizão.

     No quesito política externa, assim como seus antecessores, dará prioridade a parceria com os Estados Unidos, mas sem esquecer seus vizinhos principais vizinhos asiáticos, China e Coréia do Sul. Nesse ponto tem um problema: quando ainda ministro de Naoto Kan, deu declaraçõe sque os militares sepultados no santuário de Yasukuni de Tóquio e declarados criminosos de guerra são inocentes dessas acusações. Tentando desfazer o mal-estar, declarou o seguinte:”Com a China, desejo construir relações que sejam mutuamente beneficiosas. Farei o máximo para também desenvolver boas relações com nossos outros vizinhos, em particular com a Coreia do Sul e a Rússia”.

    Fora isso, tem a apatia da opinião pública, que vai  a cada novo primeiro-ministro, se mostra cada vez mais desinteressado pela política. No início a população, como voto de confiança, dá uma alta popularidade. Agora por exemplo, começa com 63% de aprovação.    Mas a paciência dos japoneses geralmente dura pouco, e em questão de meses a aprovação dos primeiros-ministros cai de forma estrondosa.

     Para muitos analistas, essa é a última chance do Partido Democrático, enquanto que outros preveem que Yoshihiko Noda não durará muito tempo no cargo.Na minha modesta opinião, enquanto a população estiver longe da política, e a mídia usando a abusando dos denuncismos, fora a burocracia da política partidária que está japonesa, e a constante valorização do yene, formam uma equação que impedem o Japão de sair dessa inércia. Para o bem do Japão, espero eu, assim como espero também que os analistas estejam errado.

Daniel Miyagi

 

     Fontes: http://www.ipcdigital.com/br/Noticias/Japao/57-pedem-a-renuncia-do-lider-de-oposicao-Ichiro-Ozawa

http://pt.wikipedia.org/wiki/Crimes_de_guerra_do_Jap%C3%A3o_Imperial

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/969897-novo-premie-japones-tem-63-de-aprovacao-aponta-pesquisa.shtml

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