4 de junho de 2026

Vale e Petrobras e o futuro de fertilizantes no país

Vale e Petrobras negociam ativos no PR

Autor(es): agência o globo:Danielle Nogueira
O Globo – 31/08/2011
 

A Vale Fertilizantes, subsidiária da Vale para o setor, informou ontem que está negociando com a Petrobras uma operação que envolve ativos no Complexo Industrial de Araucária (PR). A empresa não deu detalhes sobre as conversas, mas especula-se que a unidade paranaense seja uma espécie de moeda de troca na dura negociação entre as duas empresas para prorrogação do contrato do arrendamento à Vale da mina de potássio em Sergipe que pertence à estatal.

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“A Vale Fertilizantes informa a seus acionistas e ao mercado que vem mantendo tratativas preliminares e não vinculantes com a Petrobras com relação a uma potencial operação envolvendo seus ativos nitrogenados no Complexo Industrial de Araucária. Até esta data, não há qualquer espécie de entendimento definitivo entre as partes, não tendo sido celebrado qualquer instrumento vinculativo que determine os termos e condições relativos à potencial operação”, limitou-se a dizer a empresa.

Em Araucária, a Vale Fertilizantes desenvolve o projeto Arla, que prevê a adequação da unidade para produção de ureia para os setores químico, de fertilizante e automotivo. Segundo dados que constam do site da empresa, foram feitos investimentos de R$6,7 milhões no local com esse intuito no primeiro trimestre deste ano.

A ideia do Arla, sigla para Agente Redutor Líquido Automotivo, é que este produto – à base de nitrogênio – seja misturado ao diesel, reduzindo emissões de poluentes. Como, a partir de 2012, o Brasil adotará novos padrões de emissões de partículas de veículos, seguindo tendência internacional, o Arla é visto como uma alternativa promissora. O objetivo é que a produção em Araucária atenda 60% da demanda nacional pelo produto.

Como a Petrobras produz e distribui combustíveis e já tem unidades de produção de ureia, o complexo de Araucária seria interessante para a empresa adquirir ou assumir a atividade da unidade do Paraná. Essa seria a carta na manga da Vale para convencer a estatal a estender o prazo de arrendamento da mina de potássio em Sergipe Taquari-Vassouras, que termina em 2017. A Vale propôs explorar a mina por mais 35 a 40 anos, mas Petrobras ofereceu renovar o contrato por 25 anos.

Em julho, Dilma cobrou acordo entre as empresas

A divergência entre as duas gigantes levou a presidente Dilma Rousseff a convocar uma reunião em Brasília, em julho passado, entre os presidentes da Vale, Murilo Ferreira, e da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Os dois saíram da reunião com o compromisso de chegarem a um acordo em 40 dias. O prazo terminou ontem.

Taquari-Vassouras é a única mina produtora de potássio do Brasil. Ela pertencia à Petromisa, subsidiária da Petrobras que foi extinta no início dos ano, durante o governo Collor. O interesse da Vale pela mina cresceu nos últimos anos, quando a empresa passou a investir mais pesadamente em fertilizantes, visando à demanda global por alimentos. Apesar da força da agricultura no Brasil, o país é importador de matérias-primas usadas na indústria de fertilizantes, entre elas o potássio.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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