4 de junho de 2026

Crise: O Bombardeio Humanitário da Otan

 

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A pressão internacional sobre Kadafi: 
Além de discursos, bombas

A pressão se intensificou na última semana quando os EUA retomaram os ataques aéreos

25 de agosto de 2011

 

Desde que as notícias do avanço da oposição de Bengazi sobre a capital líbia, Trípoli, começaram a circular na imprensa internacional os governos imperialistas diretamente envolvidos no conflito se manifestaram no sentido de consolidar suas posições.

“O regime de Kadafi está se despedaçando”, disse o premiê britânico David Cameron após a notíica de que a capital estava sob o controle quase completo dos rebeldes (BBC, 22/8/2011).

Centenas de rebeldes entraram em Trípoli ao longo do final de semana, seguidos de manifestações em seu apoio na Praça Verde, onde os apoiadores de Kadafi se reuniam para demonstrar seu apoio ao líder líbio no início da crise.

Às informações de que a oposição tomou a capital com pouca ou nenhuma resistência das forças do regime (desmentidas nesta terça-feira pelos relatos do conflito entre as forças rebeldes e tropas leais ao regime) o presidente norte-americano, Barack Obama, declarou que “o regime de ‘mão de ferro’ de Kadafi chegou ao seu ‘momento decisivo’ e que o ‘tirano’ líbio deve partir agora para evitar um banho de sangue” (Reuters, 22/8/2011).

“Muamar Kadafi e seu regime precisam reconhecer a realidade de que já não controlam a Líbia. Precisam deixar o poder de uma vez por todas”, afirmou.

“O regime de Kadafi apresenta sinais de colapso. O povo da Líbia prova que a busca universal pela dignidade e pela liberdade é muito mais forte do que o punho de ferro de um ditador”, disse ainda Obama em um proununciamento nesta segunda-feira, dia 22.

Tamanho aprofundamento da crise só foi possível devido ao bombardeio promovido pela OTAN ao longo dos últimos meses. Dados oficiais da Organização mostram que 20 mil missões foram realizadas, com cerca de 7.500 ataques contra alvos na líbia.

A operação conjunta do imperialismo contra a Líbia se deu em três etapas. Na primeira, apelidada de “Odisséia do Amanhecer”, foi realizada sob comando norte-americano, após três dias iniciais de ataques aéreos da Grã-Bretanha e da França. Nesta fase, foram destruídas as defesas antiaéreas líbias e o acesso das tropas leais a Kadafi à cidade de Bengazi foi impedido. Até 22 de março, a OTAN realizou cerca de 180 saídas ofensivas por dia. Em 28 de março, em um único dia, mais de 600 bombas “de precisão” (455 norte-americanas) e 199 míseis Tomakawk foram disparados.

A segunda etapa da campanha se deu a partir de 31 de março, sob o codinome “Protetor Unificado”, com a passagem do comando das operações para a OTAN. A partir deste momento, as instalações de artilharia pesada de Kadafi se tornaram os principais alvos e as incursões militares foram reduzidas a 60 por dia. Os EUA colocaram seus aviões de ataque na reserva a partir de 4 de abril.

Em meados de maio, a terceira etapa da campanha se iniciou com a ampliação das forças empregadas. As demais instalações militares e centros de comando do regime foram o alvo desde então. No final de maio, deu-se início oficialmente ao envio de especialistas militares, instrutores e militares das forças especiais para “auxiliar” o Conselho Nacional de Transição da Líbia (CNT). A manobra foi realizada com o objetivo de cooptar e controlar parte da oposição ao regime.

Nas últimas semanas, os EUA intensificaram a campanha aérea na Líbia utilizando aviões não tripulados para vigiar e bombardear posições do regime, segundo informações do New York Times.

A crise do regime de Kadafi, que se iniciou com uma onda de protestos e manifestações populares na esteira dos acontecimentos que levaram à queda de Hosni Mubarak no Egito e Bin Ali na Tunísia, se desenvolveu em uma verdadeira guerra civil. A intervenção do imperialismo no país visa a controlar o mais importante recurso natural, o petróleo, cujas exportações são a base de sustentação do governo e foram utilizadas como elemento de barganha na sua aproximação com o imperialismo norte-americano e europeu ao longo da última década.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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