Quando digo que existe uma ação coordenada por parte de uma “central” nos temas e formas de abordagem da mídia frente a uma notícia que envolva governo e Lula, a qual eu aponto para o Instituto Millenium , único local capaz de organizar este tipo de “caminho a ser seguido”, dizem que é fantasia e que “non ecxiste isso!”, mas vejamos.
Quanto ao que foi dito sobre Celso Amorim e os militares fui fazer uma pesquisa simples no “tio Google”, digitei aberto: celso Amorim e os militares e vamos agora ver o que aconteceu:
Todo o direcionamento a que me referi passou por dois textos somente:
– A reportagem “Militares veem em Amorim a ”pior” opção” do Jornal Estado de São Paulo publicado em conjunto na versão impressa e digital às 0:00hs de hoje;
– A reportagem “Militares veem Amorim como “pior surpresa” para comandar o Ministério da Defesa”da Agência Estado com a jornalista Tânia Monteiro (setorista no Palácio do Planalto em Brasília, ou seja, suas fontes teoricamente são as mais altas, mas não são a maioria, além do mais esteve à frente de grande parte de reportagens dirigidas contra Lula).
E numa verificação mais apurada a reportagem do Estadão é cria da original de Tânia Monteiro e se entrelaçam. O que denota que uma jornalista somente pautou quase que no país inteiro a visão dos militares sobre Celso Amorim, não se sabe com quantos ela falou e qual o grau deles, mas o impressionante é que ela conseguiu por na base do tema que “Os militares não aprovam Celso Amorim”. Ai fica uma pergunta: e se ela chamou de “militares”, uns sentinelas do Palácio do Planalto, pronto tá feito o maior angu de caroço a partir de nada. Sigilo de fonte é dose.
Bom, o que acontece a seguir, as revistas Exame, Isto é e Época buscam em Tânia Monteiro, suas primeiras impressões:
Exame (Grupo Abril): (…) Militares dos altos comandos das Forças Armadas consultados pela reportagem consideraram esta “a pior escolha possível” que a presidente poderia ter feito.(…)
Isto é dinheiro (Editora Três): (…) Para os militares, a escolha de Amorim tem “o dedo de Lula”, dizem. (…)
A revista Época (Editora Globo): (…)Os militares afirmam que “o dedo de Lula” está por trás da escolha(…)
Não vou citar Veja porque não há necessidade, ela produz para consumo próprio.
Mas é engraçado que estas revistas tenham buscado somente beber na mesma fonte sendo que havia outras disponíveis como Agência Brasil e Reuters, mais isentas, pelo menos até que pudessem ser ouvidos outros militares além dos que “falaram” com Tânia Monteiro. Militares no Rio e em São Paulo, sede destas revistas.Mas não, foi como eu disse inicialmente o “caminho a ser seguido”, para isto alguém coordena.
Já a mídia regional alternou entre Estadão e Agência Estado (leia-se Tânia…) como podemos ver a seguir:
-Mato Grosso, site 24 horas news: (…)Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, militares criticaram a escolha(…) (Obs: o site JusBrasil bebeu nesta fonte também).
-Paraná, site do jornal O estado do Paraná: (…)Para os militares, a escolha de Amorim tem “o dedo de Lula”, dizem. (…)
-Mato Grosso do Sul, site Agora Campo Grande: (…)Militares do alto comando das Forças Armadas consultados pelo jornal O Estado de S.Paulo classificaram a indicação do ex-chanceler Celso Amorim como “a pior escolha possível”(…)
-Pará: site do jornal Diário do Pará: (…)Para os militares, a escolha de Amorim tem “o dedo de Lula”, dizem. (…)
-São Paulo, interior, site Araraquara.com: (…)Para os militares, a escolha de Amorim tem “o dedo de Lula”, dizem. (…)
-São Paulo, interior, site do jornal Diário da Região em Rio Preto: (…)Para os militares, a escolha de Amorim tem “o dedo de Lula”, dizem. (…)
-Bahia, site Bahia notícias, blog Samuel Celestino ( …) Segundo matéria do jornal O Estado de S. Paulo, a escolha desagradou a almirantes, generais e brigadeiros e foi considerada “a pior surpresa” dos últimos tempos pelos militares (…)
Por todos os estados temos esta disseminação do “caminho a ser seguido”, então o que vamos ver que apesar da baixa circulação do jornal o Estado de São Paulo na versão impressa, sua pauta é multiplicada muitas vezes, via internet. A frase “Para os militares, a escolha de Amorim tem “o dedo de Lula“” aparece já 526 vezes e se multiplica cada vez mais.
Alguns portais de internet, como o R7, também embarcaram junto com Tânia Monteiro.
Será que não existem jornalistas com contatos nas forças armadas em diferentes regiões do país que possam perguntar a opinião deles? Dependemos de uma jornalista em Brasília ligada a um jornal conservador, e que já colocou em editorial de que lado está, a pautar um país inteiro?
Não é ilógico apontar para uma “central” muito bem azeitada e afinada para que este “caminho a ser seguido” tenha tamanha penetração nacional em tão pouco tempo em orgãos importantes da mídia nacional e regional.
Fica aqui minha observação sobre este fato.
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