3 de junho de 2026

As novas técnicas de plantio

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Comentário do post “Os agrotóxicos, por Silvio Tendler”

Prezado,

Eu conheço plantações em larga escala até de monoculturas como cana de açúcar em regime estritamente orgânico, usando somente controle biológico de pragas, combinado com adubação equilibrada e plantio direto em palha, sem necessidade de usar nem mesmo herbicida e com uma produtividade mais alta que a convencional. Eu sou agrônomo e lhe digo que usando a inteligência e tendo vontade de fazer, tudo é possível. Só não é possível quando se sucumbe ao determinismo fácil de que só há uma maneira de resolver as coisas.

Existem muitas tecnologias que poderiam desde já minimizar o uso de agrotóxicos, apenas para exemplificar algumas bem conhecidas:

  1. Rotação de culturas para controle de pragas e melhorar estrutura do solo
  2. Plantio consorciado usando plantas companheiras
  3. Usar a alelopatia para controlar ervas daninhas
  4. Manejo ecológico do solo, mantendo a estrutura e grumosidade, com cobertura morta (palhada) para proteger da insolação e erosão e com reposição de matéria orgânica constante, necessária em clima tropical. O solo é uma estrutura viva. Quando você mata o solo ele perde a estrutura e a planta fica desequilibrada e se desenvolve mal.
  5. Adubação equilibrada do solo sem excessos de nitrogênio e com micronutrientes essenciais à defesa da planta contra as pragas. Imagine que você coma somente arroz, ou somente carne, seu sistema imunológico ficará vulnerável a doenças porque você precisa de outras vitaminas, minerais, aminoácidos que um só alimento não te dará. O mesmo acontece com as plantas se você der a elas somente a adubação comercial de NPK. A planta precisa de outros macro e micro nutrientes para se desenvolver de forma saudável.
  6. Controle biológico de pragas e doenças
  7. Manter faixas de mata nativa interligada por corredores para não isolar espécies animais. A vegetação nativa é uma reserva de inimigos naturais das pragas.
  8. Utilização de plantas antagônicas que exudam substâncias tóxicas nas raízes para controle de pragas como fitonematóides. Um exemplo é a Crotalária que também é um excelente adubo verde. Outro é a mucuna-preta, que é uma planta armadilha para nematóides, um subsolador natural para o solo e um excelente adubo orgânico.

Com uma boa educação e extensão rural, com vontade real do governo em mudar este quadro investindo em pesquisa em alternativas ecológicas, em variedades resistentes não a determinado herbicida como as multinacionais fazem nos transgênicos, mas resistentes a determinadas pragas;  incentivando a adoção de técnicas de agricultura ecológica, combinando essas várias tecnologias com inteligência e um forte apoio técnico aos agricultores (universidades e extensão rural) é possível reverter quase completamente este quadro, em muitas culturas eliminando completamente o uso de agrotóxicos. Acredite: já há culturas em escala industrial aqui no Brasil que não usam mais agrotóxicos. Já passou a época em que a agricultura orgânica era restrita a pequenas propriedades. Não deixe a indústria do agrotóxico, que é tão poderosa quanto a do cigarro, fazer você acreditar que a única maneira possível de produzir em larga escala é usar agrotóxicos. 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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