Depois da Grécia
Governo italiano quer confiscar 47 bilhões de euros do povo
O primeiro-ministro Silvio Berlusconi apresentou projeto que prevê um plano de austeridade de quase 50 bilhões de euros
6 de julho de 2011

A Itália é o novo País que vai empurrar um plano de corte de gastos públicos contra a população. O governo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi aprovou em seu gabinete um novo projeto que visa cortar 47 bilhões de euros dos cofres públicos italianos.
O plano pretende em um período de três anos e meio conter os gastos de diversas áreas sociais para evitar a bancarrota do País, do mesmo modo como está acontecendo na Grécia.
As medidas de austeridade ainda não foram detalhadas, mas sabe-se que o governo vai aumentar os impostos sobre transações financeiras e a criação de uma nova taxa para tais transações que seria de 0,15%. Seguindo a “cartilha” dos países endividados, o governo italiano também pretende elevar a idade mínima para a aposentadoria e reduzir gastos nas áreas sociais como saúde. Há também indícios de que aumente a taxação para carros esportivos e ainda o cancelamento de novas contratações e congelamento dos salários no setor público.
O projeto que foi aprovado no gabinete de Berlusconi ainda não foi apresentado formalmente, mas terá que ser votado pelo Parlamento italiano nos próximos 60 dias. O governo italiano, seguindo as exigências do FMI (Fundo Monetário Internacional) e demais órgãos europeus, tem que reduzir o déficit orçamentário dos atuais 4,6% para 3,9% neste ano com a meta de atingir 0,2% em 2014.
Na esteira da dívida grega
A dívida italiana é a segunda mais crítica da zona do euro, justamente depois da dívida grega, ou seja, é o “candidato” à falência estatal mais próximo da Grécia, seguido de perto por Irlanda, Portugal e Espanha.
A dívida pública italiana equivale a 120,6% do PIB (Produto Interno Bruto) do país, mas há um agravante muito significativo, a economia italiana é muito maior que a grega.
Pensando nas eleições de 2013 e na crise social que as medidas podem causar, o governo de Berlusconi pretende realizar a maior parte dos cortes, 85%, somente entre 2013 e 2014, ou seja, após as eleições. Para 2011 e 2012 estão previstos cortes nos valores de 1,5 bilhão de euros e 5,5 bilhões de euros, respectivamente.
A imprensa italiana saiu na defesa do plano dizendo que “não há outra escolha a não ser beber até a última gota do cálice da austeridade, mesmo sendo doloroso” (Associated France Press, 1/7/2011)
O governo já havia aprovado um plano de austeridade no ano passado de 25 bilhões de euros, e isto foi suficiente para que os protestos tomassem conta do País, a tendência é que agora estas manifestações se intensifiquem deixando o governo Berlusconi ainda mais debilitado já que sofreu derrotas nas eleições locais e nos referendos realizados em 2010.
O anúncio dos cortes da economia italiana é um sinal do desenvolvimento da crise econômica europeia que teve na Grécia seu pontapé inicial e que vai desencadear uma reação em cadeia nos outros países da zona do euro.
A dívida grega é um reflexo da falência dos países europeus e um desenvolvimento da crise econômica mundial.
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