Não é fácil entender o perfil político de Itamar Franco.
Tenho a impressão de que a política brasileira jamais conviveu com político com tamanha suscetibilidade.
Lembro-me dele na campanha de Tancredo ao governo de Minas, em 1982. Fui para Poços ajudar meu pessoal.
Montar o comício foi um suplício. A comitiva de Tancredo ficou hospedado no Hotel Joia. Reunião com prefeitos da região e nada de Itamar aparecer. Tancredo perguntou o que aconteceu. Mosconi – que ainda não era deputado – informou Tancredo que Itamar estava ressentido porque dizia que um senador deveria ser comunicado dos eventos com um dia de antecedência.
Com paciência infinita, Tancredo foi até o apartamento de Itamar e o convenceu a descer.
Itamar na mesa, com os prefeitos, começam os discursos. Tancredo passa a palavra a um prefeito. Itamar se levanta e se retira da mesa.
No dia seguinte explica que, em uma solenidade política, o primeiro a ter direito à palavra é o político com cargo mais elevado: no caso, ele, senador.
Esse estilo confuso perpassou toda sua carreira.
Candidato a vice-presidente, na chapa de Fernando Collor, só aceitava viajar sozinho no jatinho de campanha. Não admitia companhia.
Essas estranhezas acabaram compondo sua personalidade pública e tornando-o uma espécie de tio ranzinza do país, encrenqueiro que nem ele só, mas boa gente.
Nos próximos posts, vou contar episódios meus com Itamar.
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