O governador do Rio, Sérgio Cabral, cuja família foi recentemente
enlutada em razão de um grave acidente de helicóptero, fato que trouxe
a público o relacionamento de amizade pessoal do governador com
empresários, um deles que presta há muito tempo serviços ao estado e
outro que já obteve incentivos fiscais -o incentivo fiscal é
estratégia normal que visa inclusive o crescimento econômico de um
estado- traz a público agora, a seu próprio pedido, um amplo debate
sobre a questão da conduta ética de governantes e servidores públicos.
A ética é conceituada, no dicionário do Aurélio, como sendo “o
estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana, do ponto
de vista do bem e do mal”. Disse mas não disse muito. Afinal de contas
o que é bem para alguns pode não ser para outros, dependendo inclusive
do tipo de valores culturais e religiosos existentes em cada canto do
mundo ou na atividade humana que se desenvolva. O que é ético para um
traficante de drogas não pode ser para um policial. São lados
diametralmente opostos. Um vive para cumprir a lei, o outro para
descumpri-la. A poligamia, por exemplo, em alguns países do mundo, é
perfeitamente legal, para nossa cultura não. É ilegal, anormal e
antiética.
Assim sendo pressupõe-se que conduta ética, principalmente na
política, envolva conceitos de moralidade, lealdade, probidade e zelo
com a coisa pública, imparcialidade, justiça e total desapego a
interesses e vantagens indevidas de cunho pessoal. É preciso, no
relacionamento da vida pessoal de governantes e servidores públicos,
estar sempre atento para tais parâmetros de conduta. Ao ocuparmos um
cargo público muitas vezes não nos dissociamos dele jamais, nem na
vida privada. Isso é fato real.
Portanto, ao abrir publicamente o debate sobre a conduta ética, o
governador Sérgio Cabral – que não se julgue seu governo pelo fato em
questão- dá uma demonstração de grandeza de homem público.Errar é
humano. Reconhecer o erro e desejar a correção de conduta é ato de
humildade e sabedoria. Só os humildes e bem intencionados enxergam,
com os próprios erros, o caminho da correção. Boa hora para se
estabelecer, de uma vez por todas, limites de conduta ética para os
que detém cargos públicos.
Milton Corrêa da Costa
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