4 de junho de 2026

Avanço dos socialistas nas eleições francesas

A era Sarkozy está à bica de terminar. Qualquer que seja o candidato socialista — a disputa pela indicação está entre François Hollande e Martine Aubry, mais à esquerda –, será certamente vitorioso, apesar do recente affaire Strauss-Kahn, que não abalou em nada a tendência do voto socialista. O PS francês não é lá essas coisas, depois de Mitterand ficou meio sem norte, mesmo assim está a léguas à frente de um Sarkozy. Se Aubry for sua candidata, talvez seja capaz de dar ao partido o rumo que perdeu. Já Hollande…

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Aqui o link para uma matéria do jornal português Espresso sobre o PS e as próximais presidenciais francesas:

Do Expresso

Presidenciais em França: Martine Aubry avança

Depois do escândalo que afastou Dominique Strauss-Kahn da corrida às presidenciais francesas, a chefe do PS francêsMartine Aubry, candidata-se às primárias socialistas onde todos os eleitores podem votar.

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris 

Uma mulher serena, de mão de ferro, pouco afetuosa mas com imagem de grande seriedade na política. Martine Aubry, filha do ex-presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors, anunciou hoje a sua candidatura às primárias do PS francês (PSF) no seu bastião de Lille, no norte de França, a cuja Câmara preside.

“Quero voltar a dar à França a sua força, a sua serenidade, a sua unidade”, disse na sua declaração solene, ao fim desta manhã, a líder do PSF. Na apresentação da sua candidatura, Martine Aubry atacou o alegado nervosismo que, segundo ela, caracteriza o atual Presidente, Nicolas Sarkozy.

Contra Hollande e Ségolène

Sustentada pelos principais apoiantes do ex-diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn (DSK), que foi afastado da corrida às presidenciais devido a um escândalo sexual em Nova Iorque, Martine Aubry tem a reputação de ser mais à esquerda do que Dominique Strauss-Kahn, que era apontado como um provável vencedor na disputa final com Nicolas Sarkozy.

A líder do PS francês situa-se igualmente mais à esquerda do que os seus dois principais rivais na corrida à candidatura socialista – François Hollande, a quem sucedeu à frente do partido, e Ségolène Royal, ex-candidata socialista às presidenciais de 2007.

Esta última, que surge em 3.º lugar nas sondagens sobre as intenções de voto para as primárias, tem a particularidade de ser a ex-concubina de François Hollande, que é o pai dos seus quatro filhos. Este é, até agora, o favorito das sondagens, nas quais Martine Aubry surge em 2.º lugar.

Socialistas à frente de Sarkozy

Em termos globais, as sondagens indicam que tanto Martine Aubry como François Hollande baterão com facilidade o atual Presidente, Nicolas Sarcozy, nas eleições presidenciais marcadas para maio de 2012.

Ambos os socialistas têm cerca de 10 pontos de avanço sobre Nicolas Sarkozy nas intenções de voto para a primeira volta, na qual o provável candidato da direita surge praticamente com as mesmas percentagens de Marine Le Pen, chefe da extrema-direita francesa.

Tentando reduzir o impacto das notícias sobre a política francesa, muito focalizadas nas candidaturas no campo socialista, o Presidente Sarkozy multiplicou nos últimos dias as suas deslocações e declarações em França.

Mãe das 35 horas de trabalho semanais

Apesar das más sondagens, os sarkozystas dizem-se confiantes: consideram que Martine Aubry será mais fácil de bater do que François Hollande, pela imagem “demasiado marcada à esquerda” e por ter sido a autora da lei sobre as 35 horas de trabalho semanal em França, que Nicolas Sarkozy considera como a principal responsável pelas dificuldades económicas da França.

Porém, o que parece paradoxal na agitada cena política francesa do momento é que tanto a direita como a esquerda receiam as primárias socialistas.

A direita porque, apesar das divisões e de diversas candidaturas, não optou por este tipo de procedimento partidário e dá uma imagem de algum défice democrático em relação aos socialistas; a esquerda porque receia que o PSF reedite as terríveis guerras de chefes que, no passado, lhes causaram graves dissabores em diversas eleições, designadamente nas últimas presidenciais.

O melhor ou… o pior

Às primárias socialistas candidatam-se mais dois socialistas: Arnaud Montebourg, antimundialista, e Manuel Vals, social-democrata, ambos mais novos que os três principais candidatos.

A esperança dos socialistas é que as eleições para designar o candidato ao Eliseu corram sem sobressaltos importantes. Sem guerra de chefes e com os franceses – todos os eleitores (e não apenas os militantes do PS francês) são convidados a votar – a deslocarem-se em grande número às urnas.

À partida para a campanha eleitoral socialista, é consensual dizer que a competição pode desembocar no melhor ou… no pior.

A candidatura de Martine Aubry conta ainda com o apoio do pai, Jacques Delors, cuja imagem de socialista moderado e competente continua intacta em França.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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