4 de junho de 2026

Crise do etanol: incentivos, subsídios, regulação ou defesa da concorrência?

Por Thales Viegas, do Blog Infopetro

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O mundo tem enfrentado um processo inflacionário puxado pelo vetor da alta nos preços das commodities. A ampliação da liquidez internacional ao longo da maior parte dos anos 2000 teria iniciado essa trajetória. Após os efeitos imediatos da crise financeira o preço das commodities voltou a subir. Na condição de insumos importantes de uma gama de atividades produtivas, esse aumento de preços se traduziu em inflação de custos para diversos setores. O aumento no preço da terra (que também tem um conteúdo especulativo) retroalimenta a inflação por meio dos produtos agrícolas, como é o caso da cana-de-açúcar.

O problema é que a história brasileira conformou uma cultura inflacionária que disseminou entre os agentes o hábito de remarcar preços para se defender e para garantir melhores margens de lucro. O resultado foi o estabelecimento de uma guerra por rendas entre os diferentes agentes econômicos que culminaria num processo hiperinflacionário e perduraria até meados dos anos 1990. A memória desse contexto recente ainda está impregnada nos agentes. Frente à ameaça de aumento de custos e após uma compressão de lucros (como aquela experimentada pelas usinas durante a crise financeira mundial), os formadores de preço buscam elevar sua margem na cadeia produtiva em relação aos outros elos e frente ao consumidor final.

A contenção desse processo é feita tanto pela opinião pública que protesta contra aumentos de preços, quanto pelo governo em seu papel de controlar a inflação. Atualmente, o mundo enfrenta um recrudescimento da inflação e o Brasil vem aumentando os juros básicos, sob o custo de desacelerar o crescimento da economia, reduzir a competitividade do país e aumentar o serviço da dívida nacional. O fato é que governo não dispõe de muitos instrumentos para o combate a inflação. A política de estabilidade de preços da gasolina é um deles.

No entanto, ela vem sendo combatida pelos produtores de etanol que reivindicam que o preço da gasolina na refinaria varie em função do aumento do valor do petróleo. Isso elevaria o limite virtual do preço do etanol. O fato é que os conflitos no mundo árabe têm mantido o petróleo sobrevalorizado e isso pode não perdurar por muito tempo. Na verdade, a competitividade do etanol tem de incrementar por ganhos de produtividade e eficiência no processo produtivo. O encarecimento recente da gasolina que ocorreu no âmbito da comercialização teria contribuído com o aumento da inflação, a qual é nociva à estabilidade monetária. (….) continua no Blog Infopetro.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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