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EUA: Congresso disposto a enfrentar Obama por operação na Líbia
WASHINGTON, 19 Jun 2011 (AFP) -Três meses depois do início das operações militares na Líbia, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se prepara para enfrentar esta semana o Congresso, onde vários legisladores o reprovam por não ter pedido autorização para a intervenção no país norte-africano.
Pela primeira vez desde o início dos bombardeios em março, o presidente republicano da Câmara de Representantes, John Boehner, ameaçou na quinta-feira bloquear o financiamento da missão dirigida contra o regime do coronel Muamar Kadhafi.
“O Congresso tem a faca e o queijo na mão”, lembrou. Em comunicado publicado na sexta-feira, destacou que “esta semana, nossos membros analisarão todas as opções possíveis para que a administração preste contas”.
Os furiosos legisladores se basearão em revelações publicadas este sábado no jornal The New York Times, segundo as quais a Casa Branca ignorou as opiniões de dois advogados de sua administração, que estimaram que a intervenção na Líbia devia ser autorizada pelo Congresso, como exige uma lei de 1973 sobre “poderes de guerra”, que limita as prerrogativas do presidente em caso de operações militares no exterior.
Este texto – aprovado após a guerra do Vietnã – estipula que, sem a autorização do Congresso, as tropas americanas devem iniciar sua retirada após 60 dias de operações no exterior e concluí-la em 90 dias. No que diz respeito às operações na Líbia, este prazo expira na noite deste domingo.
Legisladores dos dois partidos se queixam de que o governo tampouco respeitou a Constituição, que dá ao Congresso o poder de declarar a guerra.
O governo enviou na quarta-feira ao Congresso um informe de 32 páginas, no qual explica que a missão americana só tem um papel de “apoio” à Otan. A Casa Branca assegurou que Obama não foi além de suas prerrogativas, nem violou a lei de 1973.
Mas os legisladores não dão o braço a torcer: o Congresso devia ter sido consultado.
Até mesmo o senador democrata por Illinois (norte), Richard Durbin, muito próximo de Obama, tomou distância do presidente neste tema.
“Penso que nosso envolvimento na Líbia é um assunto que devia ser tratado no âmbito da lei sobre os poderes de guerra”, afirmou na quinta-feira.
Com este espírito, o Senado analisará em breve uma resolução que autoriza explicitamente a operação na Líbia, cujo texto foi elaborado pelo democrata John Kerry e seu colega republicano, John McCain, ao fim de longas negociações.
O secretário de Defesa, Robert Gates, deu as boas-vindas este domingo na emissora Fox à iniciativa e repetiu que a administração não havia violado a lei. Além disso, segundo ele, a estratégia de Obama é a correta porque o regime de Kadhafi está “a cada dia mais frágil”.
Segundo McCain, é preciso uma votação no Congresso para respeitar a lei de 1973. Por outro lado, o senador criticou seu próprio partido – e em particular os pré-candidatos presidenciais de 2012 -, aos quais acusa de isolamento.
“Não podemos repetir os erros dos anos 30, quando os Estados Unidos não fizeram nada enquanto aconteciam coisas teríveis no mundo”, afirmou no domingo à emissora ABC.
Paralelamente, uma dezena de legisladores dos dois partidos apresentou na quarta-feira um pleito contra Obama para “proteger os demandantes e o país” diante da política do presidente na Líbia.
A guerra na Líbia é cada vez mais impopular. Segundo pesquisa recente da rede CBS, seis em cada dez americanos pensam que o país não deveria se envolver no conflito.
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