Confrontos violentos marcam dia de greve geral na Grécia
A ideia era fazer uma manifestação pacífica, contrariando a tradição de protestos violentos na Grécia, mas a partir da hora de almoço o ambiente em Atenas ficou descontrolado. A praça Syntagma, onde fica o parlamento nacional, transformou-se num campo de batalha, com pequenos incêndios, vidros partidos, ataques a hotéis e uma situação de caos generalizado.
Logo pela manhã, aos largos milhares de gregos do movimento “Democracia Verdadeira já”, que tem estado em permanência na praça desde o dia 25 de maio, tinham-se juntado mais de 100 mil manifestantes convocados por várias organizações intersindicais e alguns grupos extremistas. E foram estes que romperam com o compromisso de paz.
Com o início, esta quarta-feira, da discussão no parlamento do segundo plano de resgate à Grécia, o governo colocou cinco mil polícias de choque a proteger o edifício, depois do anúncio público por parte do movimento “Democracia Verdadeira Já” de que os manifestantes planeavam impedir a entrada e a saída dos deputados.
Foi precisamente junto à entrada principal do parlamento, que fica situada do lado esquerdo do edifício, em frente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e à embaixada do Egipto, que um grupo de centenas de agitadores, normalmente conhecidos como anarquistas ou como “black block”, começou a provocar a polícia, atirando objectos e derrubando as barreiras de segurança.
A parte pacífica da manifestação ainda tentou travar as provocações, empurrando os anarquistas para fora e as duas facções chegaram a se digladiar, sob o olhar estupefacto dos polícias. Alguns jornalistas gregos disseram ao Expresso que foi a primeira vez que isso aconteceu: manifestantes a tentarem pôr ordem nos protestos. Não foram eficazes. No espaço de duas horas, os confrontos subiram de tom e alastraram-se a toda a praça e às ruas circundantes.
Muitos dos agitadores são facilmente reconhecíveis. Usam normalmente camisolas pretas, capacetes de mota, passa-montanhas ou, inspirados na intifada palestiniana, lenços que lhes cobrem as caras. Pelo que algumas pessoas disseram ao Expresso, eram em maior número do que em manifestações anteriores, o que ajudou a tornar a greve geral desta quarta-feira a mais violenta das três convocadas durante 2011.
Vários pelotões da polícia de intervenção espalharam-se pela praça Syntagma e iniciaram uma espécie de jogo do gato e do rato com os agitadores. Ora eram atacados por pedras, cocktails Molotov e tudo o mais que viesse à mão (cadeiras, mesas, paus, vasos, garrafas), ora eram corridos em curtas incursões policiais e com salvas de granadas de gás lacrimogéneo.
Mais recuados, muitos milhares de cidadãos pacíficos observavam os confrontos e, de vez em quando, insurgiam-se contra os agitadores. Avançavam sobre eles de mãos levantadas e gritavam: “A praça é nossa. Vão-se embora, vão-se embora!” É voz corrente nas ruas (e também nas redacções dos jornais gregos) a tese de que parte dos chamados anarquistas está combinada com a polícia, de forma a desmotivar grandes multidões de permanecerem na praça.
Além de Atenas, outras 66 cidades na Grécia tinham concentrações marcadas para hoje. Se bem que as várias organizações envolvidas não estão coordenadas quanto aos seus objectivos, há um tema comum e sempre presente: o segundo plano de resgate à Grécia, que terá de ser aprovado nos próximos dias pelo parlamento, antes de receber luz verde por parte dos países membros da zona Euro. Estão todos contra.
Greve geral contra a austeridade paralisa Grécia
Os maiores sindicatos gregos iniciaram uma greve geral de 24 horas contra a austeridade, a terceira deste ano, enquanto o Governo se prepara para uma batalha legislativa para avançar com um novo plano de cortes, no valor de 28 mil milhões de euros, e privatizações exigidos pela troika, em troca de mais “ajuda” externa, um pacote de empréstimo de 110 mil milhões de euros.
Além da circulação de comboios e barcos, a greve também está a paralisar a imprensa (na rádio e na televisão há programas que não foram para o ar), a banca, os infantários e as empresas estatais em vias de privatização.
Os hospitais públicos apenas atendem casos urgentes e o comércio em Atenas estará fechado durante três horas, até ao meio-dia. As excepções são as companhias aéreas e os aeroportos, que vão funcionar normalmente, uma vez que o sindicato dos controladores de tráfego aéreo cancelaram a sua participação na greve
“Eles continuam a pedir-nos para darmos mais”, disse Ilias Iliopoulos, o secretário-geral da ADEDY, sindicato dos funcionários públicos. “Agora eles vão, novamente, cortar os nossos salários a partir do pouco que nos resta.”
Milhares tomam as ruas de Atenas em protesto
Milhares de gregos estão a invadir as ruas de Atenas, numa manifestação gigante que tenta impedir a aprovação de um novo plano de austeridade pelo Parlamento e que já provocou alguns feridos em confrontos com a polícia.
Durante a manhã, 150 mil “indignados” gregos reuniram-se na praça Syntagma, em Atenas, à frente do Parlamento. Acampados na praça há três semanas, os manifestantes tentaram formar uma cadeia humana e cercar o parlamento. Mas a polícia colocou 1500 agentes na rua e uma barreira de dezenas de veículos estacionados à frente da entrada do parlamento, erguendo barricadas de 2 metros para permitir o acesso aos deputados e impedir a multidão de se aproximar. Várias artérias em torno do parlamento foram fechadas à circulação e aos peões.
Vários manifestantes tentaram romper a barreira policial que circunda o Parlamento mas foram repelidos com gás lacrimogéneo pelos agentes das forças de segurança. Dos confrontos desta manhã resultam já 40 detenções.
Um balanço das autoridades de saúde aponta para três feridos ao início da tarde, mas os serviços de ambulância contabilizaram pelo menos sete. Este é um balanço bastante deficitário uma vez que os confrontos com a polícia mantém-se e mais pessoas vão chegando à Praça Syntagma, em Atenas.
Eurogrupo num impasse em relação à ajuda à Grécia
Os ministros das Finanças da Zona Euro reúnem-se domingo, no Luxemburgo, para avançar na definição de um segundo plano financeiro de ajuda à Grécia, na sequência da falta de acordo durante o encontro extraordinário que decorreu esta terça-feira, em Bruxelas.
“Vamos continuar a trabalhar sobre a Grécia numa reunião do Eurogrupo no Luxemburgo, no domingo”, anunciou o ministro belga das Finanças, Didier Reynders, à saída da reunião extraordinária, citado pela Efe.
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