4 de junho de 2026

Críticas a “Quebrando o Tabu”

Da Revista Piauí

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

“Quebrando o tabu” – maldição do documentário

Eduardo Escorel 

A maldição do documentário é ser considerado um meio de transmissão neutro. Deixando de lado a forma narrativa, costuma-se escamotear algo essencial – o uso da linguagem que dá tratamento cinematográfico ao assunto. Dessa maneira, documentários acabam sendo usados como mero pretexto para falar de algo que independe deles.

No caso de “Quebrando o tabu”, dirigido por Fernando Grostein Andrade, a relevância do assunto – a descriminalização do consumo de drogas – é comprometida por recorrer à forma e às figuras de linguagem mais surradas do cinema de propaganda.

Depoimentos de celebridades – políticos, escritores e atores, legendas informativas, grafismos etc. estão a serviço da demonstração de uma tese, sem atentar para o poder de manipulação do cinema que permitiria provar sem dificuldade o oposto, bastando para isso fazer pequenas alterações e reordenar certos elementos.

Combinando o que há de pior no cinema didático e publicitário, “Quebrando o tabu” quer ensinar e persuadir. Desmerece, dessa maneira, a inteligência de quem for a favor da descriminalização – a quem pouco tem a dizer. E deve aborrecer quem for contra – a quem não convencerá de nada. Fica longe, assim, de lidar com o potencial de um verdadeiro documentário.

Na crítica publicada no “Globo” (6/6/2011), André Miranda é certeiro: “Vende-se uma postura mais liberal como quem vende margarina. E se comete, assim, alguns dos erros que ‘Quebrando o tabu’ tanto critica nas campanhas antidrogas.”

Mesmo admitindo a sinceridade de Fernando Henrique Cardoso quando diz que “errou” e reviu sua posição a respeito do combate às drogas e da descriminalização, “Quebrando o tabu” falha por não fazer do périplo do ex-presidente o registro de um processo de descoberta e mudança. Pouco à vontade no papel de mestre de cerimônia, chega a ser desconcertante a impressão, talvez equivocada, de que FHC, sendo quem é, está entrando em contato com certas situações pela primeira vez.

Mal concebido e realizado, “Quebrando o tabu” acaba prestando desserviço à causa que defende.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados