Do Valor
Ricos ampliam pressão para assegurar o controle do FMI
Assis Moreira, Alex Ribeiro e Sergio Leo | De Paris, Washington e Brasília
A reação do presidente da França, Nicolas Sarkozy, ontem, mostra o nível de tensão a que chegou a relação entre os países ricos e os emergentes para a indicação do novo diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI). A Europa já fez muitas concessões aos emergentes, disse Sarkozy, para justificar a provável eleição de mais um europeu para dirigir o organismo. E acrescentou que a França já “trava um combate” para o Brasil fazer parte do Conselho de Segurança da ONU. Sarkozy fez as declarações após oito horas de reuniões com os outros líderes do G-8, o grupo dos países ricos, em Deauville, uma estação balneária a cerca de 200 km de Paris.
Na atual divisão de poderes, os ricos têm larga margem de votos – europeus e americanos contam com 50% – para eleger sem problemas sua principal candidata, a ministra da Economia da França, Christine Lagarde. Ontem, em entrevista ao “Financial Times”, ela prometeu que os países em desenvolvimento serão razoavelmente representados no alto escalão do Fundo. E anunciou que fará uma turnê pelas capitais de mercados emergentes para persuadi-los de que um europeu deveria mais uma vez ocupar o posto mais alto no mundo financeiro mundial – ela chegará a Brasília na segunda-feira. Brasil, Rússia, Índia, África do Sul e China assinaram uma declaração conjunta pedindo o fim da “convenção não escrita e obsoleta”, em vigor desde 1947, segundo a qual o diretor-gerente do FMI deve ser um europeu.
Apesar dessa posição conjunta, os emergentes enfrentam divergências de interesses que impedem a indicação de um candidato único do grupo. O sul-africano Trevor Manuel, um economista progressista, seria o mais forte e poderia até contar com a simpatia dos europeus. Mas o Brasil tem restrições a seu nome. A China tem mostrado pouco empenho para apoiar um candidato dos emergentes e há suspeitas de que, na verdade, apoiaria Lagarde para colocar o atual assessor especial do FMI, Min Zhu, no segundo posto da instituição.
O Brasil também não tem um candidato e, em Brasília, considera-se praticamente impossível evitar que o eleito seja o escolhido por EUA, Europa e seus aliados tradicionais. Oficiosamente, membros do governo brasileiro consideram que até agora não surgiram candidatos de países emergentes com as condições de currículo robusto e independência.
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