
Do blog São Paulo Passado
A Bucha: sociedade secreta paulista
Paulo Rezzutti
Júlio Frank era um estudante universitário alemão que veio fugido para o Brasil. Envolvera-se em brigas e dívidas durante seu curso na Universidade de Göttingen. Chegou ao Rio de Janeiro em 1831, logo após a abdicação de d. Pedro I. Em 14 de julho partiu para São Paulo. Estabeleceu-se, inicialmente, na colônia alemã da Real Fábrica de Ferro São João do Ipanema, atual Iperó, de onde seguiu para Sorocaba. De caixeiro, passou a dar aulas particulares aos jovens que queriam prestar concurso para o Curso Anexo da Academia de Direito de São Paulo, espécie de preparatório para a faculdade. Protegido pelo influente político liberal sorocabano Rafael Tobias de Aguiar (1795-1857), mudou-se para São Paulo. Deu aulas em repúblicas estudantis até ser contratado em 1834 pelo próprio protetor, presidente da Província, como professor de História e Geografia no Curso Anexo.
O contato diário com os alunos influenciou a formação da sociedade secreta estudantil Burschenschaft (Sociedade de Camaradas). Embasada em ideais liberais e antiabsolutistas, com os quais Frank teve contato no seu tempo de estudante, a Bucha, inicialmente, auxiliava estudantes sem recursos, mas com potencial e vontade de estudar, de modo velado, sem que se soubesse quem eram seus protetores. Com o passar do tempo, a organização extrapolou as arcadas do velho convento franciscano: conforme iam se formando, granjeando cargos importantes, os ex-alunos buscavam colocações para os que estavam terminando o curso. O ideal inicial também foi sendo modificado: no início, a organização era liberal, abolicionista e republicana; porém, arrefecendo-se os ardores juvenis e conforme seus integrantes eram absorvidos pela burocracia governamental, passou a contar com membros conservadores, escravocratas e monarquistas.
Os discípulos de Frank criaram uma estrutura dividida em graus e assim organizaram a Bucha dentro e fora da São Francisco: na faculdade, ela era constituída por Catecúmenos, Crentes e Doze Apóstolos; fora, por Chefes Supremos e o Conselho dos Divinos. Seus membros eram escolhidos entre os estudantes que se destacassem por sua firmeza de caráter, espírito filantrópico, amor à liberdade e aos estudos.
Durante a República Velha, acredita-se, não havia ministro, juiz, ou mesmo candidato à presidência da República, que tomasse posse, ou fosse indicado, sem prévia deliberação pelo Conselho dos Divinos.
O líder estudantil da Bucha era o chaveiro, um estudante do quinto ano. Próximo ao final do período letivo, uma velha chave era pendurada, a cada dia, em um pilar das Arcadas. No último, acontecia uma grande festa, que durante a República Velha contava com a presença do presidente da República, do presidente da Província, do prefeito, de ministros e juízes do Supremo. O jornal O Estado de São Paulo, cujo diretor, Júlio Mesquita Filho (1892-1962), foi um chaveiro, dava ampla cobertura. A banda da polícia tocava, havia banquete, e nessa ocasião a chave era passada do estudante que estava se formando para um do quarto ano.
A história da faculdade revela que mais de um estudante, por diversos motivos, ao não conseguir completar seus exames, transferia-se para a faculdade de Recife — também criada pela lei de 1827 e trazida de Olinda. Para lá teriam levado os princípios da Bucha, influenciando a criação da Tugendbund (União e Virtude).
Durante algum tempo, no subsolo do prédio construído para ser a sede do Liceu de Artes e Ofícios, onde hoje está a Pinacoteca do Estado, foram realizadas reuniões da Bucha, onde políticos de influência nacional prestavam-se aos rituais românticos da sociedade das Arcadas. Conta-se que durante a 1ª Guerra um delegado, vendo a estranha movimentação no Jardim da Luz, e pensando tratar-se de espiões alemães, invadiu uma reunião, dando voz de prisão a um grupo fantasiado. A ordem foi rapidamente revogada pelo próprio presidente da Província, um dos presentes a essa reunião da Bucha, juntamente com o prefeito. O delegado foi iniciado como bucheiro para preservar o segredo da instituição.
Os bucheiros atuaram na criação da Liga Nacionalista, inspirada nos ideais do poeta Olavo Bilac (1865-1918). A Liga, entre outras coisas, pregava a melhoria e a ampliação da instrução pública no Brasil. Fundada em 1917 pelo professor Vergueiro Steidel (1867-1926), da São Francisco, e tendo como presidente honorário o “Príncipe dos Poetas”, a Liga colaborou ativamente, até mais que o próprio governo, durante a catastrófica passagem de Washington Luís pela prefeitura paulistana. O período ficou conhecido como os cinco gg: Gripe, Guerra, Greve, Geada e Gafanhoto.
A Liga ajudou a montar hospitais e cuidar das viúvas e órfãos durante a epidemia da Gripe Espanhola. A Liga Nacionalista, braço da Bucha perante a sociedade paulista e brasileira, aglutinou na sua direção membros da Faculdade de Medicina e da Politécnica. Estas possuíam também suas próprias organizações estudantis, coirmãs da Bucha: a Jungendschaft (União da Mocidade), na Medicina, e a Landmanschaft (sociedade das pessoas de um mesmo campo), na Politécnica.
A decadência da Bucha começou com a ordem do presidente Arthur Bernardes (1875-1955) de proibir o funcionamento da Liga Nacionalista, após a revolução tenentista de 1924 em São Paulo. Tanto a Liga quanto a Bucha, aliadas à Associação Comercial de São Paulo, chefiada então pelo ex-chaveiro José Carlos Macedo Soares (1883-1968), tiveram importante papel na proteção do povo e na tentativa de abastecimento da capital durante o cerco das tropas legalistas, e foram punidas por isso. Outro fator que causou a decadência da Bucha foi a distorção dos seus valores iniciais. Dentro das Arcadas, com a criação do Centro Acadêmico XI de Agosto, uma instituição forte, com dotação própria, a benemerência da Bucha transformou-se em moeda de troca: quem votasse na chapa de membros bucheiros para a diretoria do grêmio receberia boas indicações e facilidades para sua vida profissional extramuros; quem não apoiasse a chapa estaria fora dos conchavos políticos. Isso causou indignação de uma facção de alunos, que passaram a combater a Bucha dentro do local de seu nascimento. O Partido Republicano Paulista, órgão político dominado pelos bucheiros, rachou em 1926 com a criação do Partido Democrático Paulista, formado em grande parte por ex-integrantes da Liga Nacionalista, que se colocariam ao lado da Aliança Liberal contra o PRP, em 1930.
A importância dos membros da Bucha na política, na diplomacia e no direito pode ser resumida em uma história. Quando a polícia política do Estado Novo invadiu a Faculdade de Direito, apreendeu documentos da Bucha e os enviou a Getúlio Vargas (1882-1954). Este, ao tomar conhecimento das pessoas envolvidas, teria resolvido deixar a questão de lado: não seria possível governar o Brasil sem eles. Outro político famoso, Carlos Lacerda (1914-1977), ao ter acesso a documentos da Bucha, afirmou, a respeito da história dessa sociedade, que “ou se tem o mínimo de documentação, ou não adianta contar, porque vão pensar que é um romance”.
Paulo Rezzutti
(Texto original do meu artigo publicado na Revista de História da Biblioteca Nacional de junho de 2011)


Athos
5 de abril de 2016 6:34 pmO movimento
Feminista deve estar em polvorosa.
Que orgulho…. 😉
Jair Fonseca
5 de abril de 2016 7:08 pmPor quê?
Essa advogada não é
Por quê?
Essa advogada não é feminista. Pelo contrário.
Wlad
5 de abril de 2016 7:15 pmPolvorosa?
Quem, provavelmente, está em polvorosa são os professores da Faculdade de Direita sem consequir entender onde é que eles foram amarrar seu burro…
Inforo
5 de abril de 2016 6:49 pmDizem que ela estava mandando um recado para um Senador
Mariano S Silva
5 de abril de 2016 7:06 pmÉ isso que sai dessas
É isso que sai dessas sociedades secretas. Será que alguém notou que o fiel da balança é uma cruz de cabeça para baixo, ou ponta cabeça como dizem os paulistas?
Ale Nogueira
6 de abril de 2016 12:54 amAcho que é uma espada…
Acho que é uma espada…
Jair Fonseca
5 de abril de 2016 7:11 pmBucha? Tá mais pra bruxa,
Bucha? Tá mais pra bruxa, nesse teatrinho que montou.
tomcruise
5 de abril de 2016 7:12 pmbuchada de bode
Será que a douta advogada já foi medicada nessa altura?
Não entendo por que razão a platéia assite impassível a uma pessoa em surto pricótico sem tomar nenhuma providência ou ao menos chamar o SAMU. Está certo que se pode até imaginar que o velhinho estivesse confuso e imaginasse estar presente a um espetáculo circense ou a uma sessão de candomblé, mas e o resto da audiência sádica?
Choca a falta de humanidade no que tange ao trtamento do doente mental dispensado pela direita alí presente. O mínimo que se poderia e se deveria fazer é evitar ou minimizar a exposição pública do episódio maníaco vivido por essa pobre mulher recorrendo à devida assistência médico-psiquiátrica imediatamente!
Álvaro Guilherme
5 de abril de 2016 8:22 pmO velhinho em questão não é o
O velhinho em questão não é o Hélio Tucanudo?
Fulvia
5 de abril de 2016 7:14 pmSeria essa Bucha a nossa
Seria essa Bucha a nossa filial tupyniquim da Caveira e Ossos?
Jose de Almeida Bispo
5 de abril de 2016 7:19 pmExcelente artigo!
Excelente artigo!
gerson C T
5 de abril de 2016 7:20 pm666
Já viram o cover do Iron Maiden ?
http://youtu.be/hKNEprUEZFc
Lau Mendes
5 de abril de 2016 7:27 pmÉ a bucha
É a bucha, mas não acredito seja a do referencial centenario. A bucha é dna Janaína. Bucha de canhão. Só que exagerara. A bucha entupiu , obstruíu, e o tiro ‘saíu pela culatra’. Vão cuspi-la do ‘canhão’ rapidinho.
Afrânio
5 de abril de 2016 8:13 pmQue fique com os coxinhas pra sempre…
Se a oposição tiver sempre a “ajuda” dessa maluca da cabeça, não é preciso se incomodar mais com a oposição. Vai se acabar logo. E essa (talvez) mulher vai perder alunos, clientes e ainda o título de MUSA do impeachment !! Roda a baiana, maluca !!!
gerson C T
5 de abril de 2016 8:35 pmGanhou
Do Pato Scalpe
ricardo.salf
5 de abril de 2016 8:13 pmGolpe de misericórdia ao impedimento da presidenta
A tal advogada é ótima! Que agradeçam os sensatos já que ela, por meio dessa performance assustadoramente cômica, lançou luz sobre a demência dos golpistas.
Agora, seria bom que ela buscasse referências para um bom atendimento psiquiátrico a fim de ser medicada lógo, no que Gilmar e Cunha poderiam facilmente ajudar.
Carlos Alberto Freitas Lima
5 de abril de 2016 8:53 pmISSO TÁ MAIS PARA BRUXA E NÃO PARA BUCHA.
Esta cenas são horripilantes, só isso…A moça não tem culpa, quem tem é o bicudo que a fez acreditar.
Carlos Alberto Freitas Lima
5 de abril de 2016 8:53 pmISSO TÁ MAIS PARA BRUXA E NÃO PARA BUCHA.
Esta cenas são horripilantes, só isso…A moça não tem culpa, quem tem é o bicudo que a fez acreditar.
CARLOS PINHEIRO JR.
5 de abril de 2016 9:01 pmA “Linda Blair” brasileira
É melhor alguém chamar um exorcista para tratar essa possuída…
Edna Baker
5 de abril de 2016 9:56 pmBucha, os títulos dos grupos
Bucha, os títulos dos grupos na língua alemã, sei não, um negócio meio chegado a nazistas. Cruz credo!!!
Alexandre Weber - Santos -SP
5 de abril de 2016 10:43 pmA Maldição das Arcadas
PASCHOAL, Janaína Conceição (Org.) ; SILVEIRA, Renato Melo Jorge (Org.) . Livro Homenagem a Miguel Reale Júnior. 1a.. ed. Rio de Janeiro: GZ, 2014. v. 1. 775 p.
O sobrenatuaral têm muitos meios para se manifestar, não existem coincidências, se eu fosse a Dilma me benzia.
altamiro souza
6 de abril de 2016 12:13 ama tradição quatrocentona
a tradição quatrocentona amarrada a psicopatas e bruxas
desejantes de demonios infames…
zeluizzz
6 de abril de 2016 12:48 amPomba Gira Do Fascio…
Malafaia feminina, apud Boechat e a procura da rola.
Janaina não enrola, surta e gira.
A Pomba Gira na Bucha.
A musa, a antimusa, a doidivanas, a alucinada.
Janaina, que nome!, seria a rainha das águas, terna, doce.
Essa é Pomba Gira Do Fascio, Exu tranca rua feminina, rainha das águas turvas.
Heil, Anauê Janaina, filha de Satanás.
Alan Carvalho
6 de abril de 2016 1:39 amcunha
A mulherzinha estava com o cunha no corpo…. vade retro!
Monier.,.,.,
6 de abril de 2016 2:26 amOu não.
Ou não.
Vinicius Tumelero
6 de abril de 2016 11:02 amVai ser Ministra da Saúde
Vai ser Ministra da Saúde Mental do governo Temer!
Arnaldo Costa
6 de abril de 2016 12:08 pmVergonha alheia
Xiii…. “Que mico!” Que vergonha essa possuída fez os presentes passarem! Seria engraçado se não fosse triste. A que ponto chegamos! Golpistas NUNCA MAIS!