13 de junho de 2026

Janaina Paschoal e o renascimento da Bucha

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Do blog São Paulo Passado

A Bucha: sociedade secreta paulista

Paulo Rezzutti

O desavisado que perambular pelo térreo da Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco, centro de São Paulo, por certo estranhará um obelisco plantado em meio ao mais ermo e silencioso de seus pátios. Curioso, notará as alegorias funerárias: tochas em cantaria e demais elementos em bronze, como a placa em latim anunciando que, sob aquelas pedras centenárias, encontra-se enterrado o corpo de um professor, morto de pneumonia em 1841. Júlio Frank, nascido em 1808 — e não em 1809, como consta no túmulo —, seria o criador da Burschenschaft Paulista, também conhecida como Bucha, ou simplesmente B. P., uma organização formada por estudantes da velha São Francisco. Nascida como uma maçonaria estudantil cujos membros, com o tempo, vieram a ocupar postos-chave no governo, a Bucha passou a atuar fortemente na política brasileira até a queda, em 1930, de Washington Luís (1869-1957), o último presidente bucheiro do Brasil, ao menos que se saiba…

Túmulo de Júlio Frank – Faculdade de Direito da USP

Júlio Frank era um estudante universitário alemão que veio fugido para o Brasil. Envolvera-se em brigas e dívidas durante seu curso na Universidade de Göttingen. Chegou ao Rio de Janeiro em 1831, logo após a abdicação de d. Pedro I. Em 14 de julho partiu para São Paulo. Estabeleceu-se, inicialmente, na colônia alemã da Real Fábrica de Ferro São João do Ipanema, atual Iperó, de onde seguiu para Sorocaba. De caixeiro, passou a dar aulas particulares aos jovens que queriam prestar concurso para o Curso Anexo da Academia de Direito de São Paulo, espécie de preparatório para a faculdade. Protegido pelo influente político liberal sorocabano Rafael Tobias de Aguiar (1795-1857), mudou-se para São Paulo. Deu aulas em repúblicas estudantis até ser contratado em 1834 pelo próprio protetor, presidente da Província, como professor de História e Geografia no Curso Anexo.

O contato diário com os alunos influenciou a formação da sociedade secreta estudantil Burschenschaft (Sociedade de Camaradas). Embasada em ideais liberais e antiabsolutistas, com os quais Frank teve contato no seu tempo de estudante, a Bucha, inicialmente, auxiliava estudantes sem recursos, mas com potencial e vontade de estudar, de modo velado, sem que se soubesse quem eram seus protetores. Com o passar do tempo, a organização extrapolou as arcadas do velho convento franciscano: conforme iam se formando, granjeando cargos importantes, os ex-alunos buscavam colocações para os que estavam terminando o curso. O ideal inicial também foi sendo modificado: no início, a organização era liberal, abolicionista e republicana; porém, arrefecendo-se os ardores juvenis e conforme seus integrantes eram absorvidos pela burocracia governamental, passou a contar com membros conservadores, escravocratas e monarquistas.

Os discípulos de Frank criaram uma estrutura dividida em graus e assim organizaram a Bucha dentro e fora da São Francisco: na faculdade, ela era constituída por Catecúmenos, Crentes e Doze Apóstolos; fora, por Chefes Supremos e o Conselho dos Divinos. Seus membros eram escolhidos entre os estudantes que se destacassem por sua firmeza de caráter, espírito filantrópico, amor à liberdade e aos estudos.

As velhas arcadas da São Francisco

As velhas arcadas da São Francisco

Durante a República Velha, acredita-se, não havia ministro, juiz, ou mesmo candidato à presidência da República, que tomasse posse, ou fosse indicado, sem prévia deliberação pelo Conselho dos Divinos.

O líder estudantil da Bucha era o chaveiro, um estudante do quinto ano. Próximo ao final do período letivo, uma velha chave era pendurada, a cada dia, em um pilar das Arcadas. No último, acontecia uma grande festa, que durante a República Velha contava com a presença do presidente da República, do presidente da Província, do prefeito, de ministros e juízes do Supremo. O jornal O Estado de São Paulo, cujo diretor, Júlio Mesquita Filho (1892-1962), foi um chaveiro, dava ampla cobertura. A banda da polícia tocava, havia banquete, e nessa ocasião a chave era passada do estudante que estava se formando para um do quarto ano.

A história da faculdade revela que mais de um estudante, por diversos motivos, ao não conseguir completar seus exames, transferia-se para a faculdade de Recife — também criada pela lei de 1827 e trazida de Olinda. Para lá teriam levado os princípios da Bucha, influenciando a criação da Tugendbund (União e Virtude).

Durante algum tempo, no subsolo do prédio construído para ser a sede do Liceu de Artes e Ofícios, onde hoje está a Pinacoteca do Estado, foram realizadas reuniões da Bucha, onde políticos de influência nacional prestavam-se aos rituais românticos da sociedade das Arcadas. Conta-se que durante a 1ª Guerra um delegado, vendo a estranha movimentação no Jardim da Luz, e pensando tratar-se de espiões alemães, invadiu uma reunião, dando voz de prisão a um grupo fantasiado. A ordem foi rapidamente revogada pelo próprio presidente da Província, um dos presentes a essa reunião da Bucha, juntamente com o prefeito. O delegado foi iniciado como bucheiro para preservar o segredo da instituição.

Os bucheiros atuaram na criação da Liga Nacionalista, inspirada nos ideais do poeta Olavo Bilac (1865-1918). A Liga, entre outras coisas, pregava a melhoria e a ampliação da instrução pública no Brasil. Fundada em 1917 pelo professor Vergueiro Steidel (1867-1926), da São Francisco, e tendo como presidente honorário o “Príncipe dos Poetas”, a Liga colaborou ativamente, até mais que o próprio governo, durante a catastrófica passagem de Washington Luís pela prefeitura paulistana. O período ficou conhecido como os cinco gg: Gripe, Guerra, Greve, Geada e Gafanhoto.

A Liga ajudou a montar hospitais e cuidar das viúvas e órfãos durante a epidemia da Gripe Espanhola. A Liga Nacionalista, braço da Bucha perante a sociedade paulista e brasileira, aglutinou na sua direção membros da Faculdade de Medicina e da Politécnica. Estas possuíam também suas próprias organizações estudantis, coirmãs da Bucha: a Jungendschaft (União da Mocidade), na Medicina, e a Landmanschaft (sociedade das pessoas de um mesmo campo), na Politécnica.

A decadência da Bucha começou com a ordem do presidente Arthur Bernardes (1875-1955) de proibir o funcionamento da Liga Nacionalista, após a revolução tenentista de 1924 em São Paulo. Tanto a Liga quanto a Bucha, aliadas à Associação Comercial de São Paulo, chefiada então pelo ex-chaveiro José Carlos Macedo Soares (1883-1968), tiveram importante papel na proteção do povo e na tentativa de abastecimento da capital durante o cerco das tropas legalistas, e foram punidas por isso. Outro fator que causou a decadência da Bucha foi a distorção dos seus valores iniciais. Dentro das Arcadas, com a criação do Centro Acadêmico XI de Agosto, uma instituição forte, com dotação própria, a benemerência da Bucha transformou-se em moeda de troca: quem votasse na chapa de membros bucheiros para a diretoria do grêmio receberia boas indicações e facilidades para sua vida profissional extramuros; quem não apoiasse a chapa estaria fora dos conchavos políticos. Isso causou indignação de uma facção de alunos, que passaram a combater a Bucha dentro do local de seu nascimento. O Partido Republicano Paulista, órgão político dominado pelos bucheiros, rachou em 1926 com a criação do Partido Democrático Paulista, formado em grande parte por ex-integrantes da Liga Nacionalista, que se colocariam ao lado da Aliança Liberal contra o PRP, em 1930.

A importância dos membros da Bucha na política, na diplomacia e no direito pode ser resumida em uma história. Quando a polícia política do Estado Novo invadiu a Faculdade de Direito, apreendeu documentos da Bucha e os enviou a Getúlio Vargas (1882-1954). Este, ao tomar conhecimento das pessoas envolvidas, teria resolvido deixar a questão de lado: não seria possível governar o Brasil sem eles. Outro político famoso, Carlos Lacerda (1914-1977), ao ter acesso a documentos da Bucha, afirmou, a respeito da história dessa sociedade, que “ou se tem o mínimo de documentação, ou não adianta contar, porque vão pensar que é um romance”.

Paulo Rezzutti

(Texto original do meu artigo publicado na Revista de História da Biblioteca Nacional de junho de 2011)

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27 Comentários
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  1. Athos

    5 de abril de 2016 6:34 pm

    O movimento
    Feminista deve estar em polvorosa.

    Que orgulho…. 😉

    1. Jair Fonseca

      5 de abril de 2016 7:08 pm

      Por quê?
      Essa advogada não é

      Por quê?

      Essa advogada não é feminista. Pelo contrário.

      1. Wlad

        5 de abril de 2016 7:15 pm

        Polvorosa?

        Quem, provavelmente, está em polvorosa são os professores da Faculdade de Direita sem consequir entender onde é que eles foram amarrar seu burro…

         

  2. Inforo

    5 de abril de 2016 6:49 pm

    Dizem que ela estava mandando um recado para um Senador

    1. Mariano S Silva

      5 de abril de 2016 7:06 pm

      É isso que sai dessas

      É isso que sai dessas sociedades secretas. Será que alguém notou que o fiel da balança é uma cruz de cabeça para baixo, ou ponta cabeça como dizem os paulistas?

      1. Ale Nogueira

        6 de abril de 2016 12:54 am

        Acho que é uma espada…

        Acho que é uma espada…

  3. Jair Fonseca

    5 de abril de 2016 7:11 pm

    Bucha? Tá mais pra bruxa,

    Bucha? Tá mais pra bruxa, nesse teatrinho que montou.

     

  4. tomcruise

    5 de abril de 2016 7:12 pm

    buchada de bode

    Será que a douta advogada já foi medicada nessa altura?

    Não entendo por que razão a platéia assite impassível a uma pessoa em surto pricótico sem tomar nenhuma providência ou ao menos chamar o SAMU. Está certo que se pode até imaginar que o velhinho estivesse confuso e imaginasse estar presente a um espetáculo circense ou a uma sessão de candomblé, mas e o resto da audiência sádica?

    Choca a falta de humanidade no que tange ao trtamento do doente mental dispensado pela direita alí presente. O mínimo que se poderia e se deveria fazer é evitar ou minimizar a exposição pública do episódio maníaco vivido por essa pobre mulher recorrendo à devida assistência médico-psiquiátrica imediatamente!

     

    1. Álvaro Guilherme

      5 de abril de 2016 8:22 pm

      O velhinho em questão não é o

      O velhinho em questão não é o Hélio Tucanudo?

  5. Fulvia

    5 de abril de 2016 7:14 pm

    Seria essa Bucha a nossa

    Seria essa Bucha a nossa filial tupyniquim da Caveira e Ossos?

  6. Jose de Almeida Bispo

    5 de abril de 2016 7:19 pm

    Excelente artigo!

    Excelente artigo!

  7. gerson C T

    5 de abril de 2016 7:20 pm

    666

    Já viram o cover do Iron Maiden ?

     http://youtu.be/hKNEprUEZFc

  8. Lau Mendes

    5 de abril de 2016 7:27 pm

    É a bucha

    É a bucha, mas não acredito seja a do referencial centenario. A bucha é dna Janaína. Bucha de canhão. Só que exagerara. A bucha entupiu , obstruíu, e o tiro ‘saíu pela culatra’. Vão cuspi-la do ‘canhão’ rapidinho.

  9. Afrânio

    5 de abril de 2016 8:13 pm

    Que fique com os coxinhas pra sempre…

    Se a oposição tiver sempre a “ajuda” dessa maluca da cabeça, não é preciso se incomodar mais com a oposição. Vai se acabar logo. E essa (talvez) mulher vai perder alunos, clientes e ainda o título de MUSA do impeachment !! Roda a baiana, maluca !!!

    1. gerson C T

      5 de abril de 2016 8:35 pm

      Ganhou

      Do Pato Scalpe

  10. ricardo.salf

    5 de abril de 2016 8:13 pm

    Golpe de misericórdia ao impedimento da presidenta

    A tal advogada é ótima! Que agradeçam os sensatos já que ela, por meio dessa performance assustadoramente cômica, lançou luz sobre a demência dos golpistas.

    Agora, seria bom que ela buscasse referências para um bom atendimento psiquiátrico a fim de ser medicada lógo,  no que Gilmar e Cunha poderiam facilmente ajudar.

     

  11. Carlos Alberto Freitas Lima

    5 de abril de 2016 8:53 pm

    ISSO TÁ MAIS PARA BRUXA E NÃO PARA BUCHA.

    Esta cenas são horripilantes, só isso…A moça não tem culpa, quem tem é o bicudo que a fez acreditar. 

  12. Carlos Alberto Freitas Lima

    5 de abril de 2016 8:53 pm

    ISSO TÁ MAIS PARA BRUXA E NÃO PARA BUCHA.

    Esta cenas são horripilantes, só isso…A moça não tem culpa, quem tem é o bicudo que a fez acreditar. 

  13. CARLOS PINHEIRO JR.

    5 de abril de 2016 9:01 pm

    A “Linda Blair” brasileira

    É melhor alguém chamar um exorcista para tratar essa possuída…

  14. Edna Baker

    5 de abril de 2016 9:56 pm

     Bucha, os títulos dos grupos

     Bucha, os títulos dos grupos na língua alemã, sei não, um negócio meio chegado a nazistas. Cruz credo!!!

  15. Alexandre Weber - Santos -SP

    5 de abril de 2016 10:43 pm

    A Maldição das Arcadas

    PASCHOAL, Janaína Conceição (Org.) ; SILVEIRA, Renato Melo Jorge (Org.) . Livro Homenagem a Miguel Reale Júnior. 1a.. ed. Rio de Janeiro: GZ, 2014. v. 1. 775 p.

    O sobrenatuaral têm muitos meios para se manifestar, não existem coincidências, se eu fosse a Dilma me benzia.

  16. altamiro souza

    6 de abril de 2016 12:13 am

    a tradição quatrocentona

    a tradição quatrocentona amarrada a psicopatas e bruxas

    desejantes de demonios infames…

  17. zeluizzz

    6 de abril de 2016 12:48 am

    Pomba Gira Do Fascio…

    Malafaia feminina, apud Boechat e a procura da rola.

    Janaina não enrola, surta e gira. 

    A Pomba Gira na Bucha.

    A musa, a antimusa, a doidivanas, a alucinada.

    Janaina, que nome!, seria a rainha das águas, terna, doce.

    Essa é Pomba Gira Do Fascio, Exu tranca rua feminina,  rainha das águas turvas.

    Heil, Anauê Janaina, filha de Satanás.

  18. Alan Carvalho

    6 de abril de 2016 1:39 am

    cunha

    A mulherzinha estava com o cunha no corpo…. vade retro!

  19. Monier.,.,.,

    6 de abril de 2016 2:26 am

    Ou não.

    Ou não.

  20. Vinicius Tumelero

    6 de abril de 2016 11:02 am

    Vai ser Ministra da Saúde

    Vai ser Ministra da Saúde Mental do governo  Temer!

  21. Arnaldo Costa

    6 de abril de 2016 12:08 pm

    Vergonha alheia

    Xiii…. “Que mico!” Que vergonha essa possuída fez os presentes passarem! Seria engraçado se não fosse triste. A que ponto chegamos! Golpistas NUNCA MAIS! 

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