4 de junho de 2026

Manifestações podem alterar decisões sobre impeachment

Meios de comunicação atuam retraindo realidade dos movimentos sociais favoráveis e contrários ao impeachment
 
 
Jornal GGN – As manifestações contra o impeachment da presidente Dilma, que ocorreram em todo o país nas últimas quinta e sexta-feira, revelam que não há uma opinião predominante no país a favor da destituição da presidência. A avaliação é da cientista política Helcimara Teles, professora do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 
 
“Existem várias opiniões no Brasil favoráveis ao impeachment, mas existem outras também que tratam o impeachment como um golpe”, frisou a docente em entrevista a Agência Brasil.
 
Já para a professora de ciências políticas da Universidade de Brasília, Flávia Biroli, que também está analisando a tendência política nas ruas, os movimentos contra o impeachment tem poder de mudar o clima político no país, tanto exercendo influência na mudança de lado dos parlamentares, quanto sobre a opinião pública. Ela avalia, ainda, que a grande mídia tem trabalhado para simplificar o quadro, como se as manifestações tivessem um significado único, retraindo portanto a realidade dos movimentos sociais favoráveis e contrários ao impeachment.
 
“Quando existem as manifestações conta o governo, elas são apresentadas como manifestações das pessoas, dos brasileiros, embora a gente veja lá entidades como a Fiesp [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo]. Quando são manifestações contra o impeachment, a posição é outra, é como se fosse o PT, e isso não é verdade, o que a gente tem é um conjunto de movimentos sociais, de segmentos de esquerda preocupados com a nossa democracia.”
 
 
 
Sabrina Craide – Repórter da Agência Brasil
 
As manifestações ocorridas na última semana em diversas cidades do país, contrárias ao processo de impeachment, poderão mudar a percepção de que havia uma opinião predominante no país, favorável ao afastamento da presidenta Dilma Rousseff, e até influenciar na decisão dos parlamentares sobre a questão. A avaliação é da professora Helcimara Teles, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
 
“Os movimentos estão reenquadrando a percepção que era vista como hegemônica, de que toda a opinião pública era favorável ao impeachment. Existem várias opiniões no Brasil favoráveis ao impeachment, mas existem outras também que tratam o impeachment como um golpe”, explica.
 
Segundo a professora Helcimara, as manifestações contrárias ao impeachment podem também influenciar nas decisões dos parlamentares em relação ao processo que está em curso no Congresso Nacional. “Uma parte significativa dos políticos brasileiros se pauta muito pela opinião pública, não se baseia em um programa, é muito flexível aos humores da opinião pública. Como se nota o crescimento desses grupos contra o golpe, uma parte da classe política pode recuar um pouco em relação a votar pelo impeachment.”
 
A professora de ciência política da Universidade de Brasília (UnB) Flávia Biroli também acredita que os movimentos contra o impeachment podem ter um efeito na construção de um novo clima de opinião pública e também no cenário político. “Quando diferentes movimentos sociais vão para a rua dizendo que isso é um golpe, isso pode ter um efeito para os parlamentares e também pode ter um efeito indireto, incidindo sobre a opinião pública e mudando o clima político. Por mais que a grande mídia tenha trabalhando para construir um significado único para essa situação, ela não tem um significado único.”
 
Meios de comunicação
 
Para a professora Flávia, os meios de comunicação atuam na retratação dos movimentos sociais favoráveis e contrários ao impeachment. “Quando existem as manifestações conta o governo, elas são apresentadas como manifestações das pessoas, dos brasileiros, embora a gente veja lá entidades como a Fiesp [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo]. Quando são manifestações contra o impeachment, a posição é outra, é como se fosse o PT, e isso não é verdade, o que a gente tem é um conjunto de movimentos sociais, de segmentos de esquerda preocupados com a nossa democracia.”
 
Helcimara Teles também avalia que há um problema de enquadramento da mídia sobre as manifestações. Segundo ela, as manifestações contrárias ao impeachment são formadas não apenas por integrantes de partidos políticos, mas por pessoas de todos os segmentos da sociedade. “A sociedade que estava apática quebrou a espiral do silêncio. Existe uma massa grande de pessoas de todos os segmentos, de todas as classes que estão retomando uma luta pela democracia inclusive de forma autônoma e desvinculada de partidos políticos.”
 
Edição: Talita Cavalcante

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8 Comentários
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  1. bonfim0alex

    3 de abril de 2016 2:11 pm

    Todas as classes

    Como em 18/03, me desloquei do interior do estado para São Paulo em 31/03 para observar e participar dos atos a favor da Democracia e escrevendo aqui me veio a memória o bordão de Lauro Hagemam para o antigo Repórter Esso da TV ( testemunha ocular da história), mas minha função era outra e as testemunhas agora são milhares, para não falar de milhões, pelo Brasil e pelo mundo. Como os cientista políticos explicitaram, a grande mídia desqualifica os movimentos a favor da Democracia e restringe-os a certos grupos sociais-políticos, mas na verdade, estando lá, vemos gente de todo tipo e como muita perceberam, há jovens, muitos jovens e adolescentes. E a classe média esclarecida e progressista junto com o povão. E alguns executivos, olhando e pensando sabe se lá o que. Há novos atores no cenário político social. Uma nova percepção de cidadania está sendo construída. O positivo da situação, a desconstrução do velho Brasil que teima em se manter escravocrata, oligárgico, pseudo elitista para  um novo patamar nacional de pacto social-político democrata-republicano, desenvolvimentista e menos excludente. Construindo uma visão mais sistêmica de suas responsabilidades internas e geopolíticas como ator político-econômico mundial.

  2. Helio Gomes

    3 de abril de 2016 3:07 pm

    Sou Taxísta, Luto contra a

    Sou Taxísta, Luto contra a invasão da UBER, e também estou participando das manifestações em prol da Democrácia, e também pela moralização do sistema político do Brasil.

    Quanto a UBER, continuaremos lutando, pois tenho certeza que uma justiça também corrupta, favorece liminares há uma empresa, que surgiu do nada. Se há muito Dinheiro envolvido, há corrpção, e grana para as partes envolvidas.

    Lutaremos, em breve ouvirão falar da nossa Luta.

  3. Helio Gomes

    3 de abril de 2016 3:07 pm

    Sou Taxísta, Luto contra a

    Sou Taxísta, Luto contra a invasão da UBER, e também estou participando das manifestações em prol da Democrácia, e também pela moralização do sistema político do Brasil.

    Quanto a UBER, continuaremos lutando, pois tenho certeza que uma justiça também corrupta, favorece liminares há uma empresa, que surgiu do nada. Se há muito Dinheiro envolvido, há corrpção, e grana para as partes envolvidas.

    Lutaremos, em breve ouvirão falar da nossa Luta.

  4. Cesario

    3 de abril de 2016 3:38 pm

    Ponto sem retorno

    Quando o Eduardo Cunha, de maneira vingativa, acionou o gatilho do impeachment, ele colocou o país num ponto sem retorno. Os articulistas e leitores ainda não perceberam que nós, como nação, como cidadãos, estamos nos dividindo, nos afastando uns dos outros a cada dia. O crédito escasseia; os juros sobem; o desemprego aumenta; os estados e municípios estão asfixiados com seus compromissos financeiros. Discordo totalmente do texto. As manifestações apenas acirram os ânimos já exaltados. O outro lado sempre tenderá a responder num tom superior. Ou os líderes assumem seu papel neste momento delicado e histórico, promovendo a conciliação em torno de um projeto comum de saída da crise. Ou provaremos ao mundo que somos uma terra linda, promissora, mas sem uma população consciente do seu papel no mundo.

     

     

     

  5. Cesario

    3 de abril de 2016 3:38 pm

    Ponto sem retorno

    Quando o Eduardo Cunha, de maneira vingativa, acionou o gatilho do impeachment, ele colocou o país num ponto sem retorno. Os articulistas e leitores ainda não perceberam que nós, como nação, como cidadãos, estamos nos dividindo, nos afastando uns dos outros a cada dia. O crédito escasseia; os juros sobem; o desemprego aumenta; os estados e municípios estão asfixiados com seus compromissos financeiros. Discordo totalmente do texto. As manifestações apenas acirram os ânimos já exaltados. O outro lado sempre tenderá a responder num tom superior. Ou os líderes assumem seu papel neste momento delicado e histórico, promovendo a conciliação em torno de um projeto comum de saída da crise. Ou provaremos ao mundo que somos uma terra linda, promissora, mas sem uma população consciente do seu papel no mundo.

     

     

     

  6. Antonio Carlos Silva - Brasil

    3 de abril de 2016 5:44 pm

    Infelizmente não pude

    Infelizmente não pude participar deste mais importante ato político das últimas décadas, pois estou cheio de placas no braço e pernas devido a um acidente, mas eu e meu querido pai que encontra-se com a saúde muito delicada(metástase) ESTAMOS DIUTURNAMENTE ACOMPANHANDO TODA ESTA BELÍSSIMA MOBILIZAÇÃO CÍVICA .

  7. Frederico Firmo

    3 de abril de 2016 7:35 pm

    Concordo em parte.

    O fato positivo nas manifestações contra o impeachment é que são  posições associadas a movimentos organizados da sociedade e por isto são mais representativos do que apenas o tamanho a manifestação. Já a tendencia de se dizer apolítica e apartidária por boa parte dos manifestantes pro-golpe, me parece problemática, pois cada manifestante parece querer se tornar uma llha. Mutos deles  colocam pela primeira vez o que estava reprimido. Falam abertamente de seus desejos e preconceitos. Os atos de  violência, encarnam em geral uma punção individual de poder. Recentemente expulsaram políticos e até mesmo uma liderança do Revoltados on line. Isto porque cada um quer poder para si. A politização jamais foi um objetivo dos grupos midiáticos que mais trabalharam e estimularam estas manifestações apolíticas e apartidárias. Isto não significa representatividade. Os manifestantes estão seguindo o figurino,  carregando  dentro de si um ódio a qualquer política e organização. Nenhum partido sobreviveu  afora alguns grupos francamente fascistas ou da extrema direita. poucos tendem a se organizar. Isto  me parece muito problematico seja se prevalecer a constituição, ou se prevalecer o golpe. Aconteça o que acontecer não sabemos tanto num caso como no outro o  para que direção irá esta massa de revoltados sem causa. 

  8. altamiro souza

    4 de abril de 2016 4:37 am

    espero que essas magníficas

    espero que essas magníficas manifestações alterem mesmo

    as decisões sobre o impedimento da presidenta,

    mas é preciso continuar lutando muito para que essa

    força popular continue mostrando essa coragem e esse fervor

    que tanto me emocionaram…

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