A segunda morte de Osama bin Laden
Se hoje fosse 1º de Abril e não 2 de Maio, podíamos ignorar como uma brincadeira a manchete desta manhã de que Osama bin Laden foi morto num combate armado no Paquistão e rapidamente lançado ao mar. No actual estado de coisas, devemos considerar isto como prova adicional de que o governo estado-unidense tem uma fé ilimitada na credulidade dos americanos.
Pense nisso. Quais são as probabilidades de uma pessoa que alegadamente sofre dos rins e precisa de diálise, e que além disso é afligido por diabete e baixa tensão arterial, sobreviva em esconderijos na montanha durante uma década? Se bin Laden fosse capaz de adquirir o equipamento de diálise e os cuidados médicos que as suas condições requeriam, será que o despacho do equipamento de diálise não apontaria a sua localização? Por que foram precisos dez anos para encontrá-lo?
Considere também as afirmações, repetidas pelos media triunfalistas dos EUA a celebrarem a morte de bin Laden, que “bin Laden utilizou seus milhões para financiar campos terroristas no Sudão, nas Filipinas e no Afeganistão, enviando ‘guerreiros sagrados’ para fomentar a revolução e combater com forças fundamentalistas muçulmanas no Norte da África, Chechénia, Tajiquistão e Bósnia”. Isso é um bocado de actividade para ser financiado por uns meros milhões (talvez os EUA devessem tê-los colocado na conta do Pentágono), mas a questão principal é: como é que bin Laden foi capaz de movimentar o seu dinheiro de um lado para o outro? Que sistema bancário o ajudou? O governo estado-unidense tem êxito em apresar os activos de povos de países inteiros, sendo a Líbia o mais recente. Por que não os de bin Laden? Estaria ele a carregar consigo US$100 milhões em moedas de ouro e a enviar emissários para distribuir os pagamentos das suas operações dispersas por lugares remotos?
A manchete desta manhã tem o odor de um evento encenado. O fedor emana dos noticiários triunfalistas carregados de exageros, dos celebrantes que ondeiam bandeiras e cantam “USA, USA”. Poderia algo diferente estar em curso?
Não há dúvida de que o presidente Obama precisa desesperadamente de uma vitória. Ele cometeu o erro do idiota ou o recomeço da guerra no Afeganistão e agora, após uma década, os EUA enfrentam o impasse, se não a derrota. As guerras dos regimes Bush/Obama levaram os EUA à bancarrota, deixando no seu rastro enormes défices e um dólar em declínio. E o momento da re-eleição está a aproximar-se.
As várias mentiras e enganos, tais como “armas de destruição maciça”, das últimas administrações têm consequências terríveis para os EUA e o mundo. Mas nem todos os enganos são o mesmo. Recordem, toda a razão para invadir o Afeganistão era em primeiro lugar para apanhar bin Laden. Agora que o presidente Obama declarou que bin Laden levou um tiro na cabeça, dado pelas forças especiais dos EUA a operarem num país independente e que estas o lançaram ao mar, não há razão para continuar a guerra.
Talvez o declínio precipitado do US dólar nos mercados de câmbio estrangeiros tenha forçado algumas reduções reais no orçamento, as quais só podem vir da travagem de guerra ilimitadas. Até o declínio do dólar ter atingido o ponto de ruptura, Osama bin Laden, o qual muitos peritos acreditam ter sido morto há anos, era um bicho-papão útil para alimentar os lucros do complexo militar e de segurança dos EUA.
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O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=24587
Assassinato de Bin Laden não vai impedir massacres do imperialismo ![]()
Não há motivos para festejar o assassinato de Bin Laden. O terror continuará sendo disseminado pelo mundo através das baionetas do imperialismo.
No início da madrugada da última segunda-feira, dia 2, o presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou que forças especiais norte-americanas mataram Osama Bin Laden, líder da organização terrorista Al Qaeda.
O assassinato de Bin Laden ocorre quase 10 anos depois dos atentados às Torres Gêmeas, supostamente atribuídos e planejados pelo terrorista árabe. Os atentados do dia 11 de setembro mudaram a situação política internacional, pois fortaleceram um então enfraquecido governo Bush, servindo como pretexto necessário para implementar seus planos de invasão do Afeganistão e do Iraque, além de lhe proporcionar amplo apoio popular.
As ações terroristas da Al Qaeda não têm como objetivo organizar as massas, tampouco tem algum respeito com a vida de inocentes. Seus atentados estão direcionados a causar o máximo possível de baixas civis, para que o choque e a dor provocados por suas ações sejam as maiores possíveis.
Como afirmava Leon Trotsky, “o terror individual é inadmissível porque minimiza o papel das massas em sua própria consciência, as faz aceitar sua impotência e volta seus olhos e esperanças para o grande vingador e libertador que algum dia virá para cumprir sua missão.”
Dez anos depois ficou óbvio que os atentados terroristas mudaram a conjuntura internacional e serviram para reforçar as posições dos exploradores e dos opressores, ao invés de enfraquecê-los e derrotá-los, ao mesmo tempo em que dividem a classe trabalhadora, ao invés de uní-la através da solidariedade internacional.
Por outro lado, a condenação aos métodos do terrorismo individual não significam que estejamos ao lado do imperialismo em sua “cruzada contra o terrorismo”. O principal responsável pelos atos terroristas é o próprio imperialismo, com toda a barbárie e violência que espalha pelo mundo. O que ficou mais do que visível após as guerras deflagradas no Oriente Médio.
Em nome da guerra “contra o terror” o imperialismo invadiu o Iraque para destruir as supostas armas de destruição em massa. Na verdade estava interessado em abocanhar o petróleo do país, que possui a segunda maior reserva do mundo. A invasão provocou a morte de milhões. Uma pesquisa da Opinion Research Business (ORB), conduzida entre 12 e 19 de Agosto de 2007, estimou 1.220.580 mortes violentas devidas à guerra no Iraque. De uma amostra nacional de 1499 iraquianos adultos, 22% tinham um ou mais membros da sua família mortos devido à guerra.
Em nome da “luta contra o terror”, os soldados do imperialismo cometem assassinatos gratuitos contra a população afegã, conforme registram os mais de 90 mil documentos do Exército dos Estados Unidos divulgados pelo site Wikileaks. As torturas da Prisão de Abu Ghraib mostraram apenas a ponta do iceberg da realidade de sangue e terror da ocupação militar. Assim como a prisão de Guantánamo que até hoje se mantém em funcionamento, apesar das falsas promessas de Obama em fechá-la.
Certamente, Obama vai tentar capitalizar o assassinato do terrorista nas eleições presidenciais, quando tentará se reeleger. A ação do imperialismo também serve como uma demonstração do poderio militar norte-americano, num claro recado aos povos árabes que hoje protagonizam revoltas e revoluções contra seus tiranos e servis.
Não há motivos para festejar o assassinato de Bin Laden. O terror continuará sendo disseminado pelo mundo através das baionetas do imperialismo. Logo após o anúncio da morte do líder da Al Qaeda, a secretária de Estado Hilary Clinton foi a público declarar que a “morte” de Bin Laden não corresponde ao fim da “guerra contra o terror”. Ou seja, o massacre de inocentes pelas mãos do imperialismo vai continuar.
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