CUIABÁ – MATO GROSSO
Estudos não apresentam tarifa média
Debate travado para decidir entre BRT e VLT vem dominando noticiário sobre melhor estratégia para Cuiabá com vistas à Copa, mas passagem é desconhecida
CAROLINA HOLLAND
Da Reportagem
As siglas BRT e VLT têm dominado o noticiário local quando o assunto é mobilidade urbana em Cuiabá e Várzea Grande para a Copa do Mundo de 2014. A melhoria do sistema de transporte coletivo, a fim de garantir mobilidade para a população – incluindo idosos e pessoas com necessidades especiais – é uma das exigências da Fifa para as 12 cidades-sede do próximo Mundial. Os dois sistemas polarizam o debate sobre qual é o melhor para Cuiabá, porém nenhum estudo apresenta um valor médio da tarifa a ser aplicada.
Até pouco tempo, a escolha do BRT (Bus Rapid Transit) era dada como certa pela Agecopa, mas uma nova opção de mobilidade ganhou fôlego nas últimas semanas: o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). Disputas políticas à parte para decidir qual será o sistema escolhido para as cidades, boa parte da população – incluindo o maior afetado, o usuário – ainda não sabe a diferença entre um e outro. De forma simples, pode-se dizer que a briga está entre ônibus e trem.
O BRT é um sistema de transporte com ônibus articulados que trafegam pela cidade em corredores exclusivos, ou seja, específicos para os veículos, garantindo mais rapidez e deixando as pistas laterais livres para os demais veículos. O sistema pode ser encontrado em Curitiba (PR), Goiânia (GO), no Brasil, e em cidades no exterior como Bogotá (Colômbia) e São Francisco (EUA).
O VLT é um trem de passageiros, cujos trilhos passam pela cidade podendo se “encaixar” no meio urbano já existente. Não chega a ser grande como um metrô, mas seu aspecto é parecido e funciona de forma semelhante. O veículo pode ser movido a eletricidade ou a diesel. Seu sistema existe em cidades europeias como Barcelona (Espanha) e Paris (França). No Brasil, já começou a funcionar em Maceió (AL).
Das 12 cidades-sede do Mundial no Brasil, nove vão implantar ou já têm o BRT como parte do sistema de transporte coletivo, enquanto Brasília foi a única que optou pelo VLT. Já Fortaleza escolheu tanto o BRT quanto o VLT como opção para a mobilidade urbana.
O Diário teve acesso ao Plano de Mobilidade Urbana da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá – documento em poder da Agecopa que diz que o VLT custaria duas vezes o preço do BRT – e ao Estudo Comparativo Rodoviário x Ferroviário, elaborado pela empresa TTrans, segundo o qual o VLT ficaria mais caro que o sistema com ônibus, mas leva vantagens em outros pontos como conforto e por não poluir o meio ambiente. Os dados dos dois estudos podem ser conferidos no quadro, mas vale destacar que os resultados podem estar contaminados por interesses de ambas as partes em verem implantado o modelo que defendem.
Apesar de todos os números apresentados nos dois estudos, nenhum deles trouxe o valor da tarifa que os usuários terão que pagar em cada sistema. O preço da passagem é, talvez, o componente mais importante na definição do modelo de transporte coletivo.
De qualquer forma, seja BRT ou VLT o escolhido, os veículos vão passar por dois corredores principais em Cuiabá e Várzea Grande, um ligando o aeroporto ao bairro CPA e o outro, o Coxipó ao Centro.
Os projetos BRT já foram encaminhados à Caixa Econômica Federal, que vai financiar as obras. O estudo do VLT foi entregue no início de abril ao governo do Estado e ainda está sob análise. A palavra final sobre qual sistema será o escolhido será do governador Silval Barbosa. Ainda não há data para isso.
DESAPROPRIAÇÕES – Um dos temas mais comentados em relação ao sistema de transporte é a quantidade de imóveis que terão de ser desapropriados para dar lugar às pistas ou trilhos. Segundo a Agecopa, seja VLT ou BRT, será necessário investimento em alargamento das ruas. O impacto seria na mesma medida. Já a empresa TTrans garante que com o VLT as desapropriações serão quase inexistentes.
http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=391377
SALVADOR – BAHIA
Mobilidade da Copa: Salvador ainda não sabe qual modelo adotar
Com nove meses de atraso, capital baiana ainda não se decidiu por BRT ou VLT
Karlo Dias – Salvador
postado em 15/04/2011 15:00 h
atualizado em 15/04/2011 17:53 h
Confusa como o trânsito da cidade, Salvador ainda não sabe que modelo será adotado para resolver os problemas de mobilidade e adequar a cidade para a Copa do Mundo e a Olimpíada.
Ampliação do metrô, instalação do sistema BRT (Bus Rapid Transit), ou criação de um novo sistema, no formato VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), estão na pauta das dez empresas que se credenciaram para participar do Processo de Manifestação de Interesse (PMI) lançado recentemente pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur) (Conheça quais são as empresas).
Apesar de o sistema BRT estar definido na Matriz de Responsabilidade da Copa, assinada em 13 de janeiro de 2010 pelas três esferas de governo, a proposta da PMI não deixa claro se o formato a ser seguido será mesmo o do ônibus rápido ou o do VLT, espécie de bonde moderno.
No entanto, a PMI segue paralela e complementarmente ao programa de mobilidade da Copa, já que tem recursos do Ministério das Cidades de R$ 541,8 milhões para a construção do BRT que ligará o aeroporto internacional Luis Eduardo Magalhães à Estação da Lapa, no centro da cidade. A contrapartida do governo baiano será de R$ 28,5 milhões, somando um total de R$ 570,3 milhões.
“São dois programas independentes”, diz o secretário Leonel Leal, gestor do escritório municipal da Copa em Salvador (Ecopa). “Uma coisa é o BRT, que já tem recursos alocados, e que respeitará o cronograma definido pelo Ministério do Esporte. Outra coisa é a PMI, que só vem somar a este grande programa de mobilidade da cidade.”
Francisco Ulisses, mestre em Urbanismo e chefe do setor de Planos e Projetos de Transporte da Secretaria Municipal dos Transportes e Infraestrutura de Salvador (Setin), ressalta que o projeto aprovado pelo ministério, e que já tem recursos alocados, é o BRT. Porém, não descarta a possibilidade de haver mudanças de percurso, a depender do que seja definido pela PMI.
Responsável pelas duas propostas em andamento, a superintendente de Planejamento e Gestão Territorial da Sedur, Graça Torreão, afirma que a proposta do governo da Bahia é mais ampla e deve contemplar uma integração entre o transporte público metropolitano de Salvador e o município de Lauro de Freitas.
A gestora diz que a prioridade é a construção e operação do corredor Acesso Norte, que ligará o aeroporto à Estação da Lapa, mas não define que sistema será adotado. “As empresas inscritas na PMI tem até o final de abril para apresentar os projetos preliminares, e 60 dias corridos para apresentar os projetos, estudos, levantamentos ou investigações. Aí sim será definido o modelo.”
Jeitinho
Em meio a interesses econômicos diversos, e problemas estruturais que vão desde a falta de vias até o colapso do sistema de transporte público, a tendência é que Salvador de fato siga o mesmo modelo das demais capitais brasileiras, com sistema modal integrando o BRT ao metrô. Esta é a análise feita pelo professor Elmo Felzemburg, mestre em planejamento e transporte urbano e professor da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia.
Para o especialista, o BRT é a melhor escolha, pois é o modelo que se pode construir mais rapidamente. “É a única solução para a Copa. Não vejo outra possibilidade em virtude do prazo apertado”.
No entanto, o professor ressalta “que esta não é a melhor solução para a cidade, pois um corredor apenas não vai resolver os problemas de falta de mobilidade de Salvador”.
Segundo Felzemburg, Salvador adotará um sistema com prazo de validade curto. “Falta uma proposta que siga os modelos adotados nas grandes cidades do mundo, e que contemple um formato em rede integrada. Porém, isso não dá para fazer até a Copa, e o que acontecerá em Salvador é o que chamamos de jeitinho brasileiro.”
Para ele, o ideal seria seguir o modelo de Barcelona, onde sistemas em rede integram vários modais. “Na cidade catalã existe um sistema de ônibus integrado ao metrô e ao VLT, a que se somam as ciclovias e rodovias. Isto permite que as pessoas deixem seus carros de passeio em casa e utilizem o transporte público”, explica. “O mundo inteiro deverá em breve adotar este modelo”, prevê.
Cronograma
Enquanto o modelo ideal não chega, as obras do BRT de Salvador devem iniciar em setembro próximo. Com nove meses de atraso, conforme cronograma inicial estabelecido na Matriz de Responsabilidade.
“Não podemos afirmar que existe um atraso no cronograma –os projetos estão em andamento e de acordo com os ajustes de datas sugeridos pelo Ministério do Esporte”, rebate a superintendente da Sedur.
Apesar de já ter os recursos alocados para a execução, a data para o início das obras do BRT foi adiada duas vezes. O primeiro prazo era julho de 2010 para a entrega do projeto básico e agosto do mesmo ano para o início das obras.
Este prazo foi revalidado para setembro de 2011. O ajuste do cronograma ocorreu em reunião realizada na quinta-feira passada (7), no Ministério do Esporte, para monitorar o andamento das ações previstas no cronograma da Copa.
Conforme Francisco Ulisses, da Setin, a primeira etapa foi vencida, com a entrega do projeto funcional (uma concepção geral do projeto). O projeto básico deve ser concluído até o final deste mês.
Em seguida, o projeto será encaminhado à Caixa Econômica Federal para análise e liberação de recursos. E a etapa seguinte será a licitação e o projeto executivo, que se desenvolvem simultaneamente, com perspectiva de conclusão do processo em janeiro de 2012.
Segundo Graça Torreão, da Sedur, a previsão para entrega da obra é dezembro de 2013. A superintendente assegura que, independente do modelo adotado, este prazo será rigorosamente respeitado.
Obras e prazos previstos na Matriz de Responsabilidade
Obra Início obras Conclusão
BRT Corredor Estruturante Aeroporto/Acesso Norte Jan 2012 Dez 2013
NO RIO DE JANEIRO ACABOU SE OPTANDO PELO BRT, CREIO QUE O FATOR CUSTO, MAIS PREOCUPAÇÃO PARA TERMINAR AS OBRAS A TEMPO, FORAM DETERMINANTES PARA QUE SE ADOTASSE ESTA OPÇÃO SEM MAIORES DEBATES E GERANDO POUCA POLÊMICA.

Transcarioca dá origem a novo subúrbio para o Rio. Corredor vai encurtar percursos com intervenções que devem mudar visual de 9 bairros
POR CHRISTINA NASCIMENTO
Rio – Nos nove bairros por onde vai passar, o corredor BRT exclusivo para ônibus Transcarioca (Barra-Galeão) promete mais que encurtar percursos. Iniciadas no dia 17, intervenções como alargamento de ruas, construções de terminais de embarque, mergulhões e viadutos vão dar novo visual à cidade, principalmente, ao subúrbio carioca, que ganha um novo traçado. Pontes estaiadas (suspensas por cabos ) prometem se tornar novos cartões-postais e iluminar a noite do Rio.
Só em Campinho, duas ruas, uma avenida e um largo tiveram quase todos os seus imóveis postos abaixo para dar passagem ao BRT, que é esperança para quem não via mais chances de o bairro crescer. “Isso estava parado no tempo. Com a movimentação de veículos, vamos trazer vida, gente para o bairro”, elogiou a comerciante Adelaide Couto, 65.
Divulgação
Mudanças à vista também no Viaduto Negrão de Lima, que corta Oswaldo Cruz e Madureira. Além de duplicado, ele vai ganhar a Estação Madureira — para BRT —, que terá integração com o ramal Deodoro da SuperVia. Quem descer o viaduto vai deparar com outra novidade: o terminal Mercadão, que fará integração com o ramal Belford Roxo.
“O corredor vai até a Av. Ministro Edgard Romero, que será alargada. Não vai acabar com o Mercadão de Madureira. Desapropriamos lojas próximas, mas ele fica intacto”, garantiu o secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto.
A Transcarioca vai provocar, ainda, série de desapropriações da Rua Monsenhor Alves da Rocha, na Penha, até a Rua Uranos, em Ramos. Nesse percurso, o corredor acompanhará o trajeto da SuperVia, com faixa de tráfego exclusiva até o terminal Olaria, onde será construído viaduto de 500 m, cruzando as linhas férreas e seguindo pela Estrada Engenho da Pedra em direção à Avenida Brasil.
Das 9 pontes previstas, uma já começa a sair do papel: a sobre a Lagoa de Jacarepaguá. Serão duas pistas para o Transcarioca e mais duas para o tráfego vindo da Linha Amarela. Na Barra, também terá mudanças em breve: em um ano, todos os sinais de trânsito da Av. Ayrton Senna serão retirados.


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