4 de junho de 2026

Os cortes e a estratégia de Defesa

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Por Cesar A

O Brasil esta conduzindo a compra de armamentos modernos de forma amadora, colocar uma arma em operação envolve planejamento, até para montar a infraestrutura, logistica e o treinamento… as consequencias desse “contingenciamento” no curto prazo pode ser a economia, mas no medio prazo vai provocar sim um aumento dos gastos e diminuição da efetividade… então se deixa  de gastar 112 agora para pagar os mesmos 112 depois, com mais gastos indiretos… isso sem contar com a marca de estilo, que necessariamente refletira nos custos do material oferecido

E tem gente querendo impor condições aos fornecedores do FX, transferencia irrestrita de tecnologia… é de rir.

Do Estadão

Corte na Defesa faz Brasil suspender compra de helicópteros da Rússia

Lote final de 6 unidades do MI-35 deveria ser entregue à FAB até o fim do ano, mas Jobim mandou contingenciar R$ 112 milhões do programa previstos para 2011

08 de abril de 2011 | 23h 00

Rui Nogueira e Roberto Godoy, de O Estado de S.Paulo

Comando do Exército considerava a possibilidade de adquirir ao menos mais quatro Mi-35

BRASÍLIA E SÃO PAULO – Um dos principais contratos do programa de reaparelhamento das Forças Armadas sofreu um corte profundo: o ministro da Defesa, Nelson Jobim, decidiu suspender o processo de incorporação de novos helicópteros russos Mi-35 à Força Aérea Brasileira (FAB) – onde foram rebatizados com o nome AH-2 Sabre.

A reboque dos problemas orçamentários e de assistência técnica para as seis primeiras unidades já entregues, Jobim mandou contingenciar R$ 112 milhões do programa que deveriam ser gastos ao longo deste ano.

Os 12 modelos Mi-35 que o Brasil comprou da Rússia por cerca de US$ 250 milhões foram incorporados à frota da FAB em abril de 2010. O lote final, de seis unidades, deveria ser entregue até o fim deste ano. O Comando do Exército considerava a possibilidade de adquirir ao menos mais quatro desses “tanques voadores” para equipar a aviação de força terrestre. 

Estado apurou no Ministério da Defesa que Jobim tomou a decisão de paralisar a incorporação dos novos aparelhos aproveitando “o surgimento de argumentos técnicos”. Evitando entrar em detalhes, um oficial do Comando da Aeronáutica disse que “não há nenhum problema grave na assistência técnica, mas existem falhas em determinados componentes dos aparelhos que estão no País”. Embora o desempenho operacional seja considerado bom, as primeiras aeronaves apresentaram problemas técnicos.

Um deles foi o do estabelecimento de compatibilidade entre a eletrônica de bordo, russa, e o sistema de comunicações da FAB, que segue padrões americanos. Houve dificuldades na adaptação da conexão às fontes externas de energia. Mais recentemente, pedidos de fornecimento de peças e componentes não foram atendidos de forma conveniente.

Os argumentos técnicos são vistos como “razões providenciais” para segurar o orçamento da Defesa. O ministério foi um dos mais atingidos pelo corte total de R$ 50 bilhões que a presidente Dilma Rousseff decretou no início do governo. Dos R$ 15 bilhões aprovados pelo Congresso, a Defesa teve contingenciados, em fevereiro, R$ 4 bilhões.

Só suspensão. Formalmente, o governo brasileiro não rasgou o contrato com a Rússia, apenas suspendeu por todo o ano a incorporação dos Mi-35 e o respectivo desembolso. Além dos 12 helicópteros, cuja compra foi formalizada em outubro de 2008, o Brasil adquiriu um pacote de armamentos e suprimentos para manutenção por cinco anos. O acordo foi assinado no Rio, pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por seu colega russo Dmitri Medvedev.

À época, a imprensa russa, a começar pelo jornal Pravda, avaliou que a importação das aeronaves quebrava uma série de “tabus”. Trata-se dos primeiros equipamentos militares pesados comprados da Rússia pelo Brasil, e também os primeiros helicópteros da FAB desenhados especificamente para situações de combate – os que estavam em ação na época eram modelos civis adaptados. O ministro Jobim participou da cerimônia de “batismo” das aeronaves, na Base Aérea de Porto Velho, em Rondônia. Jobim disse ainda que haveria transferência de tecnologia em simuladores de voo.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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