Acabei de ver pelo Twitter da Cynara Menezes. A repórter Carol Rocha, do Agora, foi demitida por tuitar o que achava da demora, da folha.com, em publicar o obituário de José Alencar. Em resposta à ombudsman, ela publicou o caso no blog pessoal:
http://veneno-antimonotonia.blogspot.com/2011/04/agora-sim-prontofalei.html
Agora sim, #prontofalei
A coluna de hoje da ombudsman da Folha de S.Paulo é sobre uma troca de tuítes entre dois jornalistas da empresa – aliás, ex-jornalistas da empresa. A “repórter do Agora”, neste caso, sou eu. O diálogo, de três frases, segue abaixo, no texto da própria Suzana Singer – e ao contrário do que alguns disseram, não foi apagado; continua lá no twitter.
Abaixo seguem também, em ordem, a coluna publicada hoje, o email que enviei para a Suzana na quinta-feira, após a minha demissão e, em seguida, a resposta dela.
E cada um que tire suas conclusões.
A minha conclusão é a seguinte: os jornais subestimam a inteligência dos leitores. Para a ombudsman, não é bom lembrar os leitores que o jornal erra. Também não é bom admitir, em público, que o jornal que briga e exige liberdade de expressão pratica censura interna. Além do meu caso, quem não se lembra do Falha de S.Paulo?
Eu ainda não perdi a esperança de encontrar um dia numa redação um editor corajoso como o Ricardo Noblat, que teve a honestidade de manchetar um “erramos” no Correio Braziliense (e levou o Prêmio Esso por isso).
COLUNA DE HOJE
#prontofalei
A BLOGOSFERA dá a qualquer um a chance de divulgar o que passa pela sua cabeça a todo momento. No jornalismo, sem o filtro da edição, essa modernidade tem sido uma fonte de problemas. Na quarta-feira passada, após o anúncio da morte de José Alencar, havia no Twitter:
Repórter da Folha: “Nunca um obituário esteve tão pronto. É só apertar o botão.”
Repórter do Agora: “Mas na Folha.com nada ainda… esqueceram de apertar o botão. rs” (risos)
Repórter da Folha: “Ah sim, a melhor orientação ever. O último a dar qualquer morte. É o preço por um erro gravíssimo.”
Um diálogo ruim, de todos os pontos de vista. É insensível jogar na cara do leitor que há obituários prontos à espera do momento de publicação. Não faz sentido um jornalista criticar, publicamente, um site da mesma empresa. E não deixa de ser desagradável lembrar um problema recente -a divulgação errada, pela Folha.com, da morte do senador Romeu Tuma.
Em janeiro, um fotógrafo colaborador do “Agora”, que cobria as eleições para presidente do Palmeiras, escreveu: “Enquanto os porcos não se decidem poderiam mandar mais lanchinhos e refrigerante para a imprensa que assiste ao jogo do Timão na sala de imprensa”. A reação foi rápida e violenta: ele apanhou de seguranças do time.
É difícil convencer jornalistas de que suas contas no Twitter, Facebook ou Orkut não podem ser encaradas apenas como pessoais. O repórter é seguido, curtido, recomendado, também como um representante do lugar em que trabalha.
Em um comunicado de 2009, que merece ser atualizado, a chefia da Redação lembrava que todos devem seguir os princípios do projeto editorial quando estiverem on-line.
Seria bom esmiuçar isso. Jornalista não pode declarar voto político, xingar artistas, amaldiçoar o time de futebol rival, bater boca com leitores, expressar preconceito nem tentar obter vantagem pessoal (reclamar, por exemplo, do mau atendimento num restaurante para que saibam que ele é da imprensa).
É muito limitante, mas o repórter precisa considerar que amanhã poderá ser cobrado por uma opinião “inocente”. Em um plantão, alguém de Esporte pode ser designado para entrevistar determinado político. E se ele tiver postado, dias antes, que o sujeito é um “corrupto contumaz”?
Quem mais luta pela liberdade de expressão precisa restringir a própria para não perder a razão.
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