4 de junho de 2026

O novo tempo político – 5

Coluna Econômica

Nas colunas anteriores, procurei identificar as mudanças ocorridas no país nos últimos anos, e as características do novo ciclo econômico e social que emergiu na era Lula.

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Ainda é um desenho incompleto porque não se conseguiu completar a travessia para deslanchar o desenvolvimento. Fala-se em desenvolvimento, defende-se o desenvolvimento, investe-se em algumas áreas necessárias ao desenvolvimento. Mas ainda se está longe de um padrão de desenvolvimento.

No ano passado, o crescimento de 7,5% do PIB foi circunstancial, apenas uma compensação para a perda de crescimento de 2009, provocado pela crise global.

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Houve avanços em várias áreas. Os Ministérios voltaram a ganhar condições para planejamento, lançaram-se programas para atender a infraestrutura, investiu-se de forma inédita em políticas de financiamento à inovação, em financiamento ao setor produtivo, na educação, saúde etc..

Especialmente após a crise de 2008, criou-se um estado de espírito nacional em favor do desenvolvimento. Mas, sem resolver a questão macroeconômica, há grandes possibilidades de se repetir os chamados voos de galinha dos últimos anos.

Diria que o ciclo Lula se completará quando resolvido o nó da burocracia pública e da política monetária.

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A estratégia adotada começou a ser desenhada no segundo semestre do ano passado, quando já terminava a era Henrique Meirelles no Banco Central. São passos lentos, graduais para não despertar temores no mercado.

O que permitiu romper a inércia foi a própria crise de 2008, que abriu espaço para políticas proativas do Ministério da Fazenda, derrubando os dogmas do neoliberalismo dos anos 90. Houve forte atuação dos bancos públicos, isenção de impostos, choque de crédito na economia.

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A partir daí, estava aberta a picada.

Primeiro, foi a constituição do fundo soberano para aplicar parte das reservas cambiais acumuladas.

No ano passado foram tomadas as primeiras medidas macro prudenciais para conter a demanda – em vez de alta da Selic, aumento do compulsório, redução de prazos de financiamento etc. Ao mesmo tempo, abriu-se o caminho para intervenções mais drásticas no câmbio

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Houve mudança estratégica de por parte dos técnicos do Ministério da Fazenda. No encontro da Escola de Economia da FGV-SP, no ano passado, o então Secretário de Política Econômica Nelson Barbosa chamou a atenção por defender quase um conceito de câmbio neutro – em lugar da moeda desvalorizada que era bandeira da Fazenda.

Enquanto a Fazenda mudava o tom do discurso intervencionista, no BC, o presidente Alexandre Tombini ganhava espaço para mudar o tom monocórdico do discurso neoliberal anti inflação. Continuou a enfatizar a importância da Selic na contenção das expectativas inflacionárias, mas cada vez mais carregando o peso dos ajustes nas medidas macro prudenciais.

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As determinações de Dilma Rousseff, para coibir manifestações de Ministros ou Secretários, têm atrapalhado a melhor compreensão dessa estratégia.

Não se sabe por quanto tempo ainda haverá esse gradualismo, ou qual o nível de risco que se pretende correr para sair da armadilha cambial. Esta a incógnita maior, para saber se o país ingressará definitivamente na era do desenvolvimento. Ou não.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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