sou bisneto de baiano, neto de italiano, de avô fluminense e tataravos portugueses
por acaso acidental, temporal e geográfico nasci em São Paulo
e não foi nisto que busquei, formei ou expliquei minha identidade
mas foi por estar aqui
que entre inúmeros paulistas eu escolhi
Florestan Fernandes, Aziz Ab Saber, Oswald de Andrade, Perseu Abramo, Fábio Konder, Sérgio Buarque, Maria Victoria Benevides, Caio Prado Júnior…..Mário de Andrade:
Sérgio Milliet. Estou ficando o homem das cartas…Porém, a culpa é de você. Que historiada é essa, Sérgio, meu amigo, de falar, na sua crônica sobre poesia do número passado, que ‘só se é brasileiro sendo paulista!’ Protesto. É pena que já não tenha saído o número 4 da revista Estética porque lá eu verifico que vou perdendo cada vez mais e completamente a noção dos limites estaduais…Em que sentido simbólico heróico grandiloqüente errado você está empregando a palavra ‘paulista!’ Eu não nego um valor enorme sobretudo no passado dos meus coestaduanos, porém carece tomar cuidado com os símbolos e com os sentimentos perniciosos. Como o símbolo, o paulista é também aquela besta reverendíssima da guerra dos Emboabas, ainda por cima arara e covardão…. E é ainda o homem…bom, inda é cedo para comentar o procedimento dos paulistas durante a Isidora e a gente vive em estado de sítio. Porém eu, que vivi na rua observando revoltosos e legalistas, tenho muito que contar sobre a psicologia do paulista.
E a nossa riqueza e progresso atuais, você já reparou como eles nascem do acaso, de circunstâncias climáticas e geológicas? Você já meditou naquelas frases verdadeiras da Paulística de Paulo Prado sobre a decadência do caráter paulista?
Você e outros me chamam de sentimental e de romântico porque gosto de gemer no verso e no pinho o amor melado e caricioso do brasileiro e porque o grito o ‘Vem minha gente’ pros brasileiros sem limites estaduais da nossa terra. Pois me parece, Sérgio companheiro, que o sentimentalismo não está em gemer, gozando os desejos que nascem no corpo e no espírito, porém em se deixar levar por vaidadinhas rompantes e afirmativas ser realidade e perigosas. Perigosa como a de você que é desnacionalizante e irritante e errada. O Brasil é um vasto hospital. Amarelão de regionalismo e bairrismo histérico. Visão de míope sem futuro e sem presente. Cuidado com o saudosismo! É sintoma de decadência. Sérgio, você errou, Sérgio. Te abraço, Mário de Andrade
entre os fatos, não escolhi a revolução de 1932
fiquei com a esquecida revolução de 1924
a primeira que tentou derrubar um presidente da política do café com leite
depois, juntando-se as tropas de Luiz Carlos Prestes no Paraná deu origem a Coluna Prestes
como tantos outros brasileiros
tô de saco cheio de ilações e preconceitos justificados
unicamente
em decorência de minha ou de qualquer outra naturalidade
esta, ninguém escolheu
o preconceito é uma escolha individual
sempre
e nunca gerou nada
além de intrigas, destruição e estúpidas mortes
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