O Paraná tem uma pequena extenção de praias. O restante são as montanhas da Serra do Mar, área pouco habitada em que a preservação da mata atlântica só acontece pela impossibilidade de ocupação. Em Antonina, cidade localizada no fundo da Baía de Paranaguá e com mais de 300 anos, a ocupação em encostas sempre foi muito pequena e a cidade só não cresceu por falta de espaço, pois já teve o quarto maior porto brasileiro e hoje tem em atividade o maior porto frigorificado da américa latina. A recente tragédia (sexta´feira, 11 de março de 2011) que causou soterramento de mais de 20 casas e fez com que um bairro inteiro bem próximo ao centro da cidade fosse completamente interditado permanentemente, serviu – pelo menos para Antonina – para determinar terminantemente a proibição de construções nas encostas ou em áreas próximas.
As ocupações sempre se deram sem grande interferência nos morros. Foram os morros, com árvore e tudo, que vieram abaixo, e só não houve mais mortes porque a Defesa Civil fez a evacuação das áreas poucas horas antes dos desabamentos. As duas vítimas teimaram em entrar nas suas casas para retirar pertences.
Hoje, Antonina luta para conseguir recursos e encontrar uma área que não ofereça riscos para a construção de novas moradias para 105 famílias. O município vive basicamente do FPM e o índice de inadimplência é imenso (75% não pagam IPTU). Está entre as cidades com menor renda per capita do Estado e depende basicamente da atividade portuária, pesca artesanal e o turismo.
Teme-se que aconteça o mesmo que em Santa Catarina e em outros estados: passado o zum-zum-zum da tragédia, a cidade caia no esquecimento do poder público estadual e federal.
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