4 de junho de 2026

Bolsa volta a registrar realização de lucros, e perde 0,32%

Operações foram puxadas pela queda dos papéis de bancos; Petrobras sobe

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Jornal GGN – A bolsa brasileira registrou nova realização de lucros e fechou em queda, pressionada pela desaceleração dos papéis de bancos, embora as ações da Petrobras tenham avançado apesar do prejuízo recorde divulgado na véspera. O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) encerrou as operações em queda de 0,32%, aos 51.010 pontos e com um volume negociado de R$ 6,788 bilhões.

“No exterior, os ataques ao aeroporto e metrô de Bruxelas provocaram busca por ativos considerados mais seguros, derrubando os rendimentos dos Treasuries”, diz o BB Investimentos, em relatório assinado pelo analista Fabio Cesar Cardoso. “O ouro e as moedas consideradas porto seguro também tiveram forte valorização logo após os atentados. Ao longo do dia, entretanto, os mercados devolveram parte dos excessos”.

No Brasil, o Ibovespa operou com fraco volume de negociação, sendo impactado mais uma vez por uma pontual realização de lucros observada no setor financeiro. A maior queda foi das ações do Itaú Unibanco (ITUB4), que caíram 2,56%, a R$ 32,35. As ações do Banco do Brasil (BBAS3) perderam 1,45%, a R$ 20,40, e as ações do Bradesco (BBDC4) recuaram 1,04%, a R$ 27,65.

No sentido contrário dos bancos, as ações da Petrobras e da mineradora Vale fecharam em alta. As ações ordinárias da estatal (PETR3), com direito a voto em assembleia, subiram 2,24%, a R$ 10,48, enquanto as ações preferenciais (PETR4) avançaram 0,62%, a R$ 8,11. Os papéis da estatal foram influenciados pela alta do petróleo no mercado internacional. Além disso, a estatal divulgou prejuízo de R$ 34,836 bilhões em 2015. Apesar da perda, analistas destacaram a geração de fluxo de caixa e a redução da dívida em dólar.

Já as ações ordinárias da Vale (VALE3) ganharam 1,85%, a R$ 15,43, e as ações preferenciais da Vale (VALE5) se valorizaram 0,89%, a R$ 11,30. Os papéis dessas empresas subiram mesmo com a baixa dos preços do minério de ferro no exterior.

Os agentes também acompanhavam os desdobramentos do cenário político. A ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Rosa Weber negou o pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que segue impedido de assumir como ministro da Casa Civil, e devolveu os processos contra Lula à Justiça Federal do Paraná. Ainda cabe recurso. O ministro Luiz Fux também negou outro pedido, movido pela AGU (Advocacia Geral da União).

Depois de operar em alta e chegar próximo a R$ 3,65, a cotação do dólar comercial perdeu força e fechou em queda de 0,26%, a R$ 3,601 na venda. A moeda norte-americana acumula queda de 10,06% no mês e de 8,79% no ano.

A moeda passou a cair depois que o Banco Central interveio no mercado com a venda de contratos de swap cambial reverso, equivalente à compra futura de dólares, pelo segundo dia consecutivo. A autoridade monetária negociou 10 mil contratos de um total de até 14,5 mil contratos, oferta que equivalia ao número de contratos não vendidos no leilão feito na véspera. Os contratos colocados neste pregão têm vencimento em 1º de julho de 2016, assim como na operação anterior, mas a data de início foi adiantada para 23 de março. Ontem, a data era 1º de abril.

Desde a última sexta-feira, o BC reduziu sua intervenção por meio da oferta de contratos de “swaps” cambiais tradicionais (equivalente à venda futura de dólares). A decisão levou em conta a desvalorização do dólar ao longo do mês de março e a alta mais lenta dos juros nos EUA, anunciada na semana passada.

Para quarta-feira, os analistas aguardam a publicação dos dados de solicitações de empréstimos e vendas de casas novas nos Estados Unidos; confiança do consumidor na zona do euro; IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal), IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15); taxa de desemprego referente a fevereiro, e os dados de saldo em conta corrente e investimento estrangeiro direto.

 

(com Reuters)

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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