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EUA vetam resolução da ONU contra assentamentos de Israel
DA ASSOCIATED PRESS, NAS NAÇÕES UNIDAS
Atualizado às 20h05.
Os Estados Unidos votaram contra uma resolução apreciada nesta sexta-feira pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas que poderia condenar a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Dos 15 votos, 14 foram a favor, incluindo o do Brasil, que no momento detém a presidência rotativa do órgão.
Para ter validade a medida precisava de todos os votos dos países que integram o Conselho, e caso tivesse sido aprovada, reforçaria o caráter ilegal da expansão dos assentamentos nos territórios ocupados da Cisjordânia e Jerusalém Oriental, determinando ao governo israelense a interrupção imediata das obras.
Analistas estimam que a decisão do governo do presidente Barack Obama deve irritar países árabes, a ANP (Autoridade Nacional Palestina) e defensores da causa palestina ao redor do mundo.
David Karp/AP
Imagem de arquivo mostra Conselho reunido; votação desta 6ª visava conter expansão de assentamentos
O veto à medida deve também acentuar as dificuldades das negociações do processo de paz entre israelenses e palestinos, atualmente paralisado.
Para os palestinos a interrupção da expansão dos assentamentos é uma condição para que as negociações de paz sejam retomadas.
MEDIAÇÃO BRASILEIRA
Ainda ontem (17), a diplomacia brasileira viveu o seu momento mais crítico desde que assumiu a presidência do Conselho de Segurança, no início deste mês, apontou Claudia Antunes, repórter-especial da Folha no Rio.
A embaixadora brasileira na ONU, Maria Luiza Viotti, passou a quinta-feira como mediadora de frenéticas negociações entre os Estados Unidos e o bloco árabe, que quer submeter nesta sexta-feira (18) ao Conselho uma resolução de condenação dos assentamentos israelenses nos territórios palestinos ocupados.
Os assentamentos são ilegais pelas leis internacionais, e a resolução é uma forma de pressionar Israel a congelar a construção nessas áreas –condição da ANP para retomar as negociações de paz.
Os EUA, aliados dos israelenses, tentam substituir a resolução proposta oficialmente pelo Líbano por uma “declaração presidencial”, mais branda. O problema é que o texto proposto pelos americanos não diz que os assentamentos são “ilegais”; apenas menciona que o Conselho “não aceita a legitimidade” da “atividade continuada” de Israel nessas colônias.
Tanto o Brasil quanto o Líbano ocupam atualmente cadeiras rotativas no Conselho de Segurança, do qual os EUA são membros permanentes, com poder de veto. Ainda não está claro se o governo americano vai se abster ou vetar a resolução, caso ela seja posta em votação nesta sexta.
Há pouco, segundo o jornal israelense “Haaretz”, o presidente americano Barack Obama ligou para o colega palestino, Mahmoud Abbas, para convencê-lo a aceitar a proposta da declaração presidencial.
A presidência brasileira do Conselho vai até o fim deste mês. Nesse papel, a delegação do país tenta costurar uma solução que satisfaça aos dois lados. Uma possibilidade seria a mudança da linguagem da declaração presidencial proposta pelos americanos, para que ela se tornasse aceitável pelos árabes. Mas, às 18h em Nova York, ainda não havia sinal de acordo.
Em dezembro, o Brasil reconheceu o Estado palestino dentro das fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, em 1967. Isso implica na devolução dos territórios ocupados por Israel na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental (setor árabe). Mais de 400 mil colonos israelenses vivem nessas áreas.
Se não houver acordo e a resolução for posta em votação hoje, o provável é que o Brasil e a quase totalidade dos 15 membros do Conselho (10 rotativos e 5 permanentes) votem a favor, mantendo a posição tradicional da ONU. Foi uma resolução do Conselho de Segurança em 1967, a famosa 242, que determinou a retirada israelense das terras recém-ocupadas na época.
No ano passado, Brasil e Turquia (que não está mais no Conselho) votaram contra a resolução que determinou uma quarta rodada de sanções contra o programa nuclear do Irã. A posição, tomada depois que os EUA recusaram um acordo de troca de material nuclear iraniano negociado pelos dois países, foi o auge de uma crise entre Brasília e Washington que até hoje repercute na relação bilateral.
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