O risco da falta de treinamento (ou “É assim, que as coisas acontecem”).
Ontem (13/02), ao sair do teatro com minha filha de 5 anos, resolvi passar no hipermercado Extra, no Jaguaré, e procurar um brinquedo que ela havia me pedido.
Enquanto olhávamos os brinquedos, percebi que, ao lado de uma preateleira, uma fonte de alimentação (igual aos carregadores de celular) de um terminal de consulta de preços,
estava quebrado em duas partes. A que estava fixa na tomada deixavam expostos os dois pinos em contato com a rede elétrica, a outra parte expunha a placa dos circuitos da fonte.
Ela estava 30 cm do chão, onde uma criança que fosse pegar um brinquedo daquela prateleira fatalmente encostaria o braço esquerdo. Se ela estivesse encostando também na estrutura metálica da gôndola, seria fatal mesmo.
Ali a tensão é de 220V, mas as voltagens internas dessa fonte chaveada ultrapassam os 300V.
Avisei uma funcionária da seção ao lado, com uma prancheta na mão, esperando que tomasse uma providência, que poderia ser:
Reso1- Resolver o problema;
2- Chamar um funcionário habilitado para resolver o problema e ali aguardasse a sua presença;
2- Pedir para que eu ficasse ali até que ela encontrasse alguém para resolver;
3- Desligar a fonte da tomada e ir atrás de ajuda;
4- …….
Mas a resposta foi lacônica:
– Esse departamento não é o meu, o senhor deve ir até a entrada da loja, procurar alguém, e relatar o problema.
Insisti, pois eu já estava relatando o problema, e ela retrucou dizendo que não poderia sair de sua seção, e que o problema não era seu.
– Se eu for até a entrada da loja e uma criança for eletrocutada, será um problema seu, você é funcionaria da loja e responde por ela sim.
Então ela me disse que nem deveria estar ali, pois seu expediente já havia se encerrado, e que não iria ficar discutindo comigo, uma vez que possuía problemas de saúde, e caso acontecesse algo com ela, não seria eu quem iria socorrê-la. Virou as costas e voltou ao que estava fazendo.
Arranquei a fonte da tomada e fui espumando procurar alguém menos negligente.
Na entrada da loja, num púlpito, estava o Reginaldo, que tentou chamar ajuda pelo rádio mas não conseguiu. Disse-me que ficasse tranqüilo, que mandaria alguém para lá.
Voltei às compras. A funcionária evasiva se evadiu. Ninguém apareceu.
Abordei então outra funcionária, estava de branco (devia ser da farmácia). Foi imediatamente comigo ao local, pediu desculpas pelo descaso da outra funcionária e me agradeceu pela iniciativa de ter desligado o terminal.
Pediu que a acompanhasse até o Reginaldo novamente para que, finalmente, houvesse uma solução.
Ele escalou um funcionário que foi conosco até o local. No caminho, esse funcionário já avisou:
– Não sei se vou conseguir resolver, já que não sou eletricista.
– Não precisa ser eletricista. Com um rolo de fita isolante, ou um tubo de Bonder para colar a caixa da fonte, resolve-se o problema.
Um problema bobo? Talvez sim, mas que poderia custar a vida de alguém.
Será que com o dinheiro da indenização pela morte de uma criança não daria para melhorar o nível de treinamento se seus funcionários?
Treinamento, treinamento, treinamento. Sem isso não há evolução!!!
Uma pessoa que tem a percepção de que “isso não é problema meu” é imprescindível para uma empresa?
Sem contar com alguém de pouco escrúpulo, que poderia simular ter levado uma descarga elétrica e levantar uma polpuda indenização.
O vídeo interno da loja, na seção de brinquedos, entre 19h00 e 19h15 documenta este relato.
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