4 de junho de 2026

Cientista político alemão teme por ‘desintegração’ da democracia brasileira

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Jornal GGN – Jens Borchert, cientista político da Universidade Frankfurt, acredita que os desdobramentos da atual crise política no Brasil mostram que democracia no país está “se desintegrando”. O especialista alemão afirma que o governo da presidente Dilma Roussef é ruim, mas acha importante que ela termine o mandato. Borchert crê na possibilidade de aumento da violência da instabilidade econômica caso Dilma seja destituída. 

Em entrevista ao Valor, Borchert aponta erros tanto da oposição quanto do governo. Ele diz que o fato da oposição pedir o impeachment da presidente logo após as eleições de 2014 é algo que “simplesmente não deveria acontecer numa democracia”, mas também fala na necessidade do governo em corrigir seu rumo e construir uma maioria através de programas políticos.

Borchert critica a nomeação do ex-presidente Lula para a Casa Civil e também o ativismo do juiz Sergio Moro, da Polícia Federal e do Judiciário. E diz que a corrupção no Brasil não seria um “ponto fora da curva”, relembrando casos de suborno envolvendo empresas alemãs. Leia mais abaixo: 

Do Valor

‘A democracia brasileira está se desintegrando’ , diz especialista alemão

Em visita ao país, o cientista político alemão Jens Borchert, 54 anos, da Universidade de Frankfurt, vê com preocupação os desdobramentos da atual crise. “A democracia brasileira está se desintegrando”, alerta, ao analisar um quadro em que aponta erros de lado a lado da polarização política.

Borchert considera a presidente Dilma Rousseff ruim -­ “Não vai ser a primeira, nem a última ­”- mas considera importante que a petista termine o mandato.

Caso Dilma seja destituída, numa espécie de “golpe frio”, Borchert prevê o crescimento de violência nas ruas e de instabilidade, com fuga de capital e redução do turismo. Culpa de uma elite política que, em suas palavras, tem falhado completamente em lidar com a crise. “Tucanos e petistas não conseguem um acordo até mesmo sobre as regras do jogo”, espanta­-se.

Falta a noção de que a democracia é sempre a melhor escolha, observa Borchert: muitos na direita ainda flertam com a ditadura militar, e outros tantos, à esquerda, ainda sonham com Getulio Vargas.

Falta acordo sobre o básico: tão logo foi derrotada nas urnas, em 2014, a oposição passou a pedir o impeachment de Dilma ­ “algo que simplesmente não deveria acontecer numa democracia”, diz. Falta a correção de rumos pelo governo do PT, que desenvolveu “um estilo paranoico de política” pelo qual não tenta mais construir uma maioria em torno de programas políticos, mas apenas pela compra de votos – ­ não necessariamente em dinheiro.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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6 Comentários
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  1. H66

    21 de março de 2016 2:28 pm

    Agora sou capitalista, pronto!

    Vamos esquecer isto de democracia, povo, direitos humanos e etc, mas que tal multar a globo pelo dano econômico que causa ao país? Vamos mantê-la funcionando, tudo bem, mas cobrando o prejuízo que causa a economia do país com sua propaganda negativa. Ela esta destruindo a economia do país.

    Convido às agencias de publicidade, grandemente prejudicadas, a refletir sobre isso.

    Vamos ao capitalismo puro: que tal multar a globo. Uma multa de 50 bi, pouco em relação ao prejuízo que causou, às organizações globo. Vamos ser capitalistas e pronto.

  2. Ricardo Cavalcanti-Schiel

    21 de março de 2016 4:14 pm

    Dentro do seu quadrado

    Me impressiona o quanto meus colegas gringos das ciências sociais não conseguem sair das suas fôrmas (o circunflexo é proposital).

    O Borchert, como bom alemão, recusa-se a relativizar sua democracia de pedestal. Mal sabe ele que, para o bem ou para o mal, os brasileiros somos muito mais iconoclastas do que pode suspeitar seu mundo de gramados aparados, ruas limpas e regras incontestáveis.

    O pobre coitado é tão ingênuo que chega a ser completamente ignorante no que respeita à fúria, prepotência e voracidade das nossas castas senhoriais. Ele consegue incidir na sandice de achar que o mundo é naturalmente… civilizado.

    Ele só não consegue ser ingênuo quando descamba escancaradamente para a má-fé e a desinformação absoluta. Dizer que “o governo Dilma presidiu talvez o maior escândalo de corrupção na história recente brasileira” é simplesmente passar por cima do fato de que o escândalo do Banestado, que serviu de duto para as propinas das privatizações nos governos FHC, moveu “tão apenas” 60 vezes o valor desviado da Petrobrás.

    Talvez nosso ingênuo alemão acredite que a magnitude de um escândalo só se meça pelas notícias de uma mídia que (talvez como ingênuo desvairado, ele não saiba) é apenas uma máquina de propaganda das castas senhoriais.

    Dizer que os brasileiros estão melhor que há 12 anos atrás e que eles apenas “querem mais, e rapidamente” é desconhecer por inteiro que a cosmética do consumo dos governos do PT foi incapaz de promover de fato condições de bem estar social: a saúde pública está em petição de miséria; a educação pública, em condições indigentes; o saneamento básico é de qualidade indiana; e o transporte público é simplesmente um pesadelo. Ou seja, como muitos outros, o nosso alemão ignora de forma cabal o significado profundo das manifestações de junho de 2013.

    O grau de indigência intelectual do meu colega (da minha geração e quase da minha idade) é de tal magnitude que, com sua estrita e anquilosada análise institucional (como se não existisse outro mundo para além da formalidade normativa), ele é incapaz de perceber os movimentos simbólicos mais profundos, em especial aqueles que fazem da “corrupção” não um signo substantivo, mas um pretexto e uma chave para se remeter à lógica do privilégio, que comanda a regulação da sociedade brasileira; uma lógica que a classe média e a mentalidade conservadora não suportam ver transtornada, como expus em um artigo que publiquei dias atrás na Espanha (https://www.diagonalperiodico.net/global/29753-dia-la-derecha-gano-la-calle-brasil.html). A “corrupção” só se tranforma em uma afronta quando ela é apregoada como aquilo que transtorna a ordem natural dos privilégios. Do contrário, não o é e jamais foi, no Brasil.

    Enfim, não dá! Como dizia o Tom Jobim, o Brasil não é para principiantes, sobretudo principiantes arrogantes que se creem no direito de nos dar lições e “bons” exemplos.

    Só é pena que, mais uma vez, a edição do GGN tenha se prestado apenas a ser máquininha de propaganda do Valor Econômico, e só tenha insinuado parcialmente a matéria para que ela seja lida, POR ASSINANTES, no site dessa outra mídia. O jeito foi procurar na net um acesso alternativo para a integridade da matéria. Para quem eventualmente se interessar pela coleção de sandices do nosso amigo alemão, o acesso é esse:

    http://www.pressreader.com/brazil/valor-econ%C3%B4mico/20160321/281659664162053

    1. Marcos Coimbraa

      21 de março de 2016 4:09 pm

      Olá Ricardo,
      Parabéns pela

      Olá Ricardo,

      Parabéns pela sua crítica, ficou perfeita. Vou acompanhar mais seus textos no blog. Abraço.

  3. Rabuja

    21 de março de 2016 4:55 pm

    Preciso lembrar sempre

    De não clicar para ler mais quando a postagem veio do Valor porque só cadastrados lá podem ler o resto.

    Dúvidas:

    Pra que colocar aqui postagens incompletas?

    É campanha para nos cadastrarmos naquele jornal?

     

  4. marcelo batista

    21 de março de 2016 6:32 pm

    lula

    lula é o maior articulador politico e econômico que o Brasil tem. Ele no governo pode sim apasiguar os animos; e é por isso que a oposição fará tudo parar ele não ficar; fizeram tudo pra Dilma não ganhar, depois fizeram pra não assumir e farão tudo para ela não governar.

    Lula ministro sim. 

    1. geane bm

      23 de março de 2016 2:35 pm

      lula é o maior articulador politico e econômico que o Brasil tem

      Lula é bastante conciliador e qualquer pessoa de Juízo odeia radicalismo.

      Não quero que aqui ocorra o que aconteceu na Síria.

      Para tentar tirar ” Assad”,colocou-se o grupo terrorista ocupando cidades e fazendo massacres.

      A cor amarela não lutou por politicos mas contra a corrupção.

      A cor vermelha pela democracia.

      Para que a voz contra a corrupção silencie eles querem matar a democracia.

      Querem fazer o povo brasileiro ser igual a piranhas do pantanal.

      Eles jogam a presidente Dilma dizendo que ela é a corrupção que os amarelos querem comer.

      E passa toda boiada de Cunha, Empreiteiros,politicos condenados de todo Brasil livres e soltos.

      Ta na hora do povo do Brasil mostrar que aqui não é mais o país do futebol.

      Quando uma nação briga entre si e uma guerra sem vencedor.

      Vamos sair da crise juntos mesmo que resmungando.

      E corrupção é pra ser resolvida com a justiça.

      Lula negocia a paz de nossa nação para que ela retorne a trabalhar pra gente ganhar dinheiro e crescer.

      O povo do Brasil não é Piranha do pantanal.

       

       

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