Escuto um barulho, acordo, antes tivesse dormido.
Vejo o que nunca deveria ter visto
vivo o que nunca deveria ter vivido
procuro por uma realidade que não existe
vagueio pela noite como uma sombra sem um dono.
Me reconforto na mentira que conto para mim mesma
não suporto a realidade…
mas não consigo viver a mentira.
Como é que se engana a si mesmo?
Ninguém nunca me ensinou…
vivo a farsa, o faz de conta, de um monólogo abstrato
sou a coadjuvante de minha própria vida.
Converso comigo mesma pra tentar me fazer acreditar.
Meu resto de lucidez não me permite.
Queria poder começar de novo….
mas não há segundo tempo para a vida.
O sofrimento que habita minh’alma, se alastrou pelo meu corpo.
Sou a ferida viva, a dor aguda, o cancêr em metástase
Sou tudo, menos eu mesma….
me perdi em mim….
sumi, para nem sei onde….
Sento no chão frio do banheiro,
preciso urgentemente chorar…
preciso eliminar este veneno que corre dentro de mim.
Olho para a cama de meu quarto,
não reconheço quem nela deita…
não posso voltar para cama…
Só me resta o chão frio de um banheiro.
Pelo menos este chão é real,
o frio, que me toma o corpo é real….
o chão frio, é meu único contato com a realidade.
O que era choro se tornou suplício…
me encontro só, já é tarde, ninguem a me esperar
resta-me este chão duro e frio pra me consolar…
Me identifico com este chão…
Me tornei dura e fria..
A única coisa quente que existe em mim, são as lágrimas, que teimam em rolar….
Dê
em um dia já distante de 2002
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