A melhor cobertura de TV no impasse do Cairo é censurada e PROIBIDA
Governo proíbe emissora de TV Al Jazeera de operar no Egito
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
As autoridades egípcias fecharam os escritórios da emissora internacional de TV Al Jazeera no país, de acordo com informações da própria rede.
Com base no Qatar, a emissora tem sucursais em todo o mundo, com correspondentes inclusive no Brasil, e transmite notícias em árabe e inglês.
Segundo um comunicado da rede, o Egito suspendeu suas atividades no país e retirou as permissões oficiais de todos os correspondentes que cobriam os protestos que exigem a saída
do ditador Hosni Mubarak, há 30 anos no comando.
Após cinco dias de violentos protestos, o país amanhece num ritmo mais calmo e de recuperação, ao menos no Cairo, indicam as agências de notícias. A capital egípcia começa a recuperar seu ritmo ao terminar o toque de recolher, vigente até as 8h (horário local, 4h de Brasília), embora se veja muito menos trânsito do que em um dia normal.
Da mesma forma que no sábado, a polícia egípcia está ausente das ruas, e os pontos estratégicos do Cairo continuam custodiados pelo Exército, que também desdobrou unidades por diferentes bairros.
Durante a noite, a vigilância ficou a cargo de patrulhas civis armadas com paus e barras metálicas, cumprindo um apelo do Exército para que os civis participem para evitar ações de pilhagem.
Pouco depois de terminar o toque de recolher, estes piquetes civis começaram a se retirar e se levantaram as barreiras instaladas em muitas ruas da capital para vigiar os acessos.
O metrô do Cairo funciona sem interrupções, mas o transporte público é mínimo.
A situação é especialmente preocupante na cidade de Suez, na entrada sul do canal do mesmo nome, porque, segundo a rede de televisão “Al Jazeera”, o Exército não esta participando ali em trabalhos de vigilância.
Khaled Desouki/AFP
Sábado registra continuidade dos intensos protestos nas ruas do Cairo; Egito registra mais mortes
Grande Cairo, Alexandria e Suez são as três cidades nas quais o toque de recolher está em vigor desde sexta-feira, quando se intensificaram os protestos contra o regime de Hosni Mubarak, que explodiram na terça-feira passada.
Para hoje são esperados novos passos no plano político, já que está pendente a formação de um novo governo, depois que Mubarak nomeou o general Ahmed Shafiq como novo primeiro-ministro, em substituição ao civil Ahmed Nazif.
Além de Shafiq, Mubarak designou o também geral Omar Suleiman como vice-presidente da República, cargo vago desde que Mubarak chegou ao poder, em 1981, após o assassinato do presidente Anwar el-Sadat.
Grupos da oposição e manifestantes das ruas rejeitaram que estas nomeações sejam a solução que se está esperando, e continuam pressionando para que Mubarak deixe o poder
PROTESTOS
Pelo menos 12 pessoas morreram durante confrontos com a polícia neste sábado em Beni Suef, a 140 km da capital Cairo, de acordo relatos de fontes médicas e das forças de seguranças às agências internacionais. Os protestos fazem parte das manifestações populares que pedem mudanças políticas, e que forçaram o presidente Hosni Mubarak, no poder desde 1981, a indicar um novo primeiro-ministro e um novo vice-presidente.
O ex-ministro da Aviação Ahmad Shafic, o novo premiê, terá a missão de formar um novo governo ao lado do novo vice-presidente, o ex-chefe dos serviços de inteligência Omar Suleiman, que segundo analistas ocidentais pode vir a comandar o país numa eventual renúncia do mandatário que está há 30 anos no poder.
A troca de cadeiras não encerrou, no entanto, as manifestações no Cairo e em outras regiões do país. Os confrontos com as forças de segurança que já resultaram em 38 mortes nesta semana, além de milhares de feridos. Algumas agências internacionais, citando fontes médicas, mais que dobram essa cifra.
A agência France Presse, com base em consultas aos hospitais, aponta 92 mortes desde terça-feira, sendo 23 somente no sábado — 12 em Beni Suef, onde manifestantes tentaram atacar duas delegacias de polícia-, além outras três no Cairo, três em Rafah e cinco em Ismailiya — todas por conta desses confrontos.
Já a Reuters, até o início de sábado, informava 74 mortes, citando uma fonte médica que falou sob anonimato.
Mubarak afirmou na sexta que as demonstrações mostram que as pessoas querem ‘mais empregos, preços mais baixos, menos pobreza’. ‘Sei que todas essas questões sao necessárias, e trabalho por elas todos os dias. Mas não posso permitir saques e incêndios em locais públicos, afirmou.
Seguindo as ordens de Mubarak os ministros do governo egípcio, incluindo o premiê Ahmed Nazif, apresentaram sua renúncia neste sábado, abrindo caminho para a formação de um novo governo.
De acordo com TV estatal egípcia Nazif anunciou a saída dos ministros após uma reunião realizada no Cairo na manhã deste sábado.
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