Por Joaquim José Guilherme de Aragão
Bom, nessa eu não posso ficar de fora.
Vai aí o Ave Verum, uma das mais brilhantes obras de música clássica, composta ainda na época onde Mozart vivia sob o comando severo do Bispo Colloredo.
Adepto de teses iluministas, esse bispo queria “racionalizar” o mundo religioso. As missas deveriam ser curtas e objetivas, não dando nenhum espaço para longas “missas-oratórios”, já em moda.
No romantismo, essa tendência levaria a monstruosas missas como a grande missa de Beethoven, a operística Missa di Gloria de Puccini, e a provocadora “Petite Messe Solenelle”, de Rossini, de mais de 60 minutos de duração, que Napoleão III criticou não ser nem pequena, nem solene, muito menos uma missa.
Mas voltermos ao Colloredo: Expremido por tanta restrição, coube ao Mozart desenvolver um estilo extremamente compacto para as missas (Missa Brevis) e para outras obras religiosas, onde em um número reduzido de linhas colocava o máximo de música.
O Ave Verum é então resultado desse estilo compacto. Nenhum tema é repetido, a linda música é uma canção contínua, flúida, sem perder o sentido da unidade, que geralmente é construído pela “reprise” temática. Só Mozart para vencer esse desafio!
Vai aí o Ave Verum, dirigido por Leonard Bernstein
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