Conheça as substâncias que não tratam a doença, mas dão sabor aos remédios e ajudam a conservá-los
Quem lê as bulas dos medicamentos encontra uma lista de excipientes ou ingredientes inativos. Eles são usados não para tratar um sintoma, mas para manter estáveis as propriedades químicas e físicas dos produtos farmacêuticos. Graças aos excipientes, os princípios ativos dos remédios ficam livres de microrganismos e conservam seu poder terapêutico desde a fabricação até a ocasião em que os utilizamos.
Mas os excipientes não têm apenas essa finalidade. Com a concorrência no mercado, é preciso cativar o consumidor. Um dos desafios dos fabricantes é produzir remédios com aspecto, odor e sabor agradáveis, principalmente quando é uma criança quem vai tomá-los.
Os excipientes de medicamentos podem ser: conservantes, corantes, aromatizantes (flavorizantes), adoçantes (edulcorantes), espessantes, emulsificantes, estabilizantes ou antioxidantes. Eles entram na composição dos remédios em pequenas quantidades e raramente provocam efeitos indesejáveis. Porém, quando ocorre alguma reação, é comum que as pessoas acreditem, equivocadamente, que foi causada pelo princípio ativo do medicamento.
Os laboratórios são obrigados a informar os ingredientes inativos na bula dos medicamentos. Todavia muita gente não lê a bula ou não tem noções sobre os excipientes, que costumam ser listados com códigos como “FD&C no. 5”, por exemplo.
Conservantes
Os parabenos são alguns dos mais utilizados em remédios, alimentos e cosméticos. Agem contra germes, são insípidos, incolores e inodoros. Sua concentração nos medicamentos é variável, porém dificilmente supera 1%.
Embora as reações alérgicas aos parabenos sejam incomuns, eles podem desencadear urticária em indivíduos que não toleram aspirina. O mesmo pode ocorrer pelo uso de outros conservantes como o ácido benzóico e sais de enxofre (metabissulfitos).
Mas, apesar dos conservantes, remédios guardados fora da embalagem original, em condições inadequadas de umidade e temperatura ou com prazo de validade vencido podem perder a eficácia ou provocar danos à saúde.
Corantes
Os corantes podem ser inorgânicos – geralmente derivados de metais, como o dióxido de titânio e os óxidos de ferro – ou orgânicos, naturais ou artificiais. Os corantes naturais são derivados de plantas ou animais. Os corantes artificiais são produzidos em laboratório.
O vermelho carmim (vermelho no. 4) ou corante cochonilha é natural. É derivado do ácido carmínico, extraído das fêmeas do inseto cochonilha.
O amarelo tartrazina é um corante artificial encontrado em inúmeros medicamentos, cosméticos e alimentos e tem estrutura química parecida com a da aspirina. A reação à tartrazina é mais frequente nos indivíduos alérgicos ou que não toleram a aspirina, e pode causar urticária, chiado no peito e rinite. Apesar da baixa incidência de reações à tartrazina na população, os fabricantes são obrigados por lei a destacar uma advertência na bula e na embalagem dos medicamentos e alimentos que contêm o corante.
Esperamos que, em breve, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e as indústrias farmacêuticas somem esforços para eliminar o uso do corante tartrazina no País e, assim, ampliar o número de produtos que podem ser consumidos por pessoas que sofrem de alergia.
Adoçantes
Medicamentos líquidos e mastigáveis costumam ter sabor desagradável, e às vezes é necessário combinar vários adoçantes no mesmo produto para eliminar esse inconveniente. Os adoçantes mais usados pela indústria farmacêutica são a sacarose (açúcar), seus substitutos artificiais (sacarina sódica, ciclamato de sódio e aspartame) e o sorbitol.
A maioria dos remédios formulados como xaropes contém açúcar, portanto não deve ser usada por diabéticos. Também é preciso escovar os dentes após tomar medicamentos com sacarose para prevenir as cáries. O aspartame é contra-indicado nos pacientes com fenilcetonúria, pois possui fenilalanina.
Aromatizantes
São usados para melhorar o aroma e sabor dos medicamentos. Normalmente são segredos industriais, portanto não vêm especificados nas bulas. São mencionados apenas de forma geral: aroma de anis, canela, chiclete, etc.
Como se vê, os excipientes sozinhos não curam nenhuma doença. Mas os tratamentos podem ser mais agradáveis com eles.
Aracy P. S. Balbani é otorrinolaringologista. CRM-SP 81.725.
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