Caramba ! Sou paulistana, meus pais são paulistanos, meus avós maternos são árabes, meus avós paternos são paulistanos. Cresci com um monte de gente “estranha” dentro de casa. Minha mãe ia pro CETREN e trazia todos os “baianinhos” pra casa, enquanto eles não se ajeitavam. Por lá passaram nortistas, nordestinos, peruanos, uruguaios, mineiros, enfim, sempre convivemos e ajudamos a todos que precisavam. Meus pais eram proprietários e passaram a vida sendo fiadores de goianos, nortistas, nordestinos, gaúchos, baianos, piauienses, de gente de todo lugar, sem jamais cobrar nada por isto, só pelo simples prazer em ajudar todos os “povos” que precisavam, sem preconceitos contra ninguém. Por incrível que pareça, já contei isto aqui, meu pai, NEGÃO, tinha e continua tendo preconceito contra negros, o que levava minha mãe a reprendê-lo e eu, principalmente, a brigar muito com ele.
Quando eu era criança, por vezes ficava irritada porque sempre tinha gente diferente em casa não sobrava tempo pros da família.
Quando minha mãe morreu, em junho de 1994, durante a copa do mundo, o Cemitério Congonhas, ficou lotado de ônibus, entre eles, alguns fretados de vários estados. Bahia, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Minas et a ponto de o coveiro perguntar quem era minha mãe.
Porque conto isto?
Como minha família, há muitos paulistanos e paulistas absolutamente sem preconceito, que são tachados como mesquinhos, soberbos, preconceituosos e outros tipos de desqualificação.
Porque conto isto?
Porque fico de saco cheio quando sou abordada aqui em São Paulo, por pessoas “sem preconceito” que fazem questão de meter o pau nos paulistas. Tenho vários exemplos de desrespeito direto contra os paulistanos.
Certa vez eu peguei metrô pra ir à casa do meu pai e um senhor perguntou onde era a estação Bresser porque ele ia pra Minas. Eu expliquei direitinho e ele me disse: “Você não é paulista, porque se fosse em ligaria pra mim, porque paulista é isto, aquilo, gente ruim”. Fiquei puta da vida. Respirei e disse que eu era paulista, com muito orgulho, que São Paulo era maravilhosa e recebia a todos muito bem, que as pessoas vinham pra cá, ficavam aqui e metiam o pau. Se fosse tão ruim, elas não viriam pra cá. Bom, acabou o papo. Isto foi há uns 20 anos.
E é sempre assim.
No dia 29 de dezembro de 2010, há menos de um mês, eu entrei na República do Pão-de-Queijo, um boteco mineiro aqui na Vila Olímpia. Já faz um tempinho que ele abriu mas eu nunca tinha entrado. Fica a dois quarteirões de casa. Pedi dois pães de queijo e eles me entregaram frio. Eu pedi pra esquentar e a moça perguntou de onde eu era, porque mineiro come frio mesmo. Respondi que era paulistana. Daí o dono começou a conversar comigo e estava demorando pra esquentar eu eu estava com sorvete de massa na mão, daí perguntei se ia demorar muito. O dono, muito gentilmentefalou que poderia mandar entregar. Eu disse que não precisava porque morava perto e eram só dois pãezinhos. O cara virou e disse : ESTA É A DIFERENÇA DE MINEIRO E PAULISTA’. Eu levei na boa e disse que conhecia muitos mineiros tanto pessoalmente como em blogs. Elefalouy que entra às vezes aqui e perguntou se o Nassif já sabia o que queria, porque metia o pau em todo mundo. Daí toda a mineirada que estava no boteco começou a conversar comigo e, claro, paulista é isto, paulista é aquilo e mais aquilo outro etc etc. Os pa~ezinhos chegaram e eu fui pra casa. Mas juro que me arrependi de não ter falado sobre os “esteriótipos” nada bacanas que usam contra os mineiros.
A troco de quê as pessoas acham que paulista é saco de pancada para,sempre acharem um jeito de meter o pau, sem mais nem menos. Olha, enche o saco !
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