4 de junho de 2026

Sugestões para a reconstrução econômica de Nova Friburgo

Por Mariano SSilva

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Sugestões para a Reconstrução

Em matéria anterior identifiquei as heranças da atividade industrial de Nova Friburgo em suas origens suíças. Particularmente, a indústria têxtil de delicados trabalhos artesanais, vem junto com os suíços, que foram impelidos a emigrar, dentre outras causas pela concorrência avassaladora dos teares a vapor da Inglaterra. Portanto, produção têxtil está nos memes da colonização suíça. Como disse antes, também este é um povo ordeiro, tenaz e trabalhador, que se ajudado for reconstruirá sua cidade.

Com uma estrutura econômica apoiada em milhares de micro e pequenas empresas industriais e rurais, muitas delas informais, o esforço de reconstrução deve prever políticas apropriadas de enfrentamento do problema. É claro que houve problemas em indústrias maiores que devem ser tratados por políticas mais tradicionais, incluindo possivelmente uma moratória, pois representam muitos empregos e algumas podem ser estratégicas para outros programas governamentais. Mas a micro e pequena empresa têxtil e, em alguns casos metalúrgica, operava nas casas das pessoas vitimadas e essas pessoas se se salvaram estão completamente arruinadas. Soube de casos de empresas , em que morreram os donos e os empregados deles estão completamente perdidos, visto que a pessoa jurídica virtualmente desapareceu e com ela toda a documentação. Se se deseja evitar um “day after” no plano econômico com, inclusive, uma explosão da violência, a ação de resgate social deve começar imediatamente.

Ações rápidas no meio rural, irão evitar uma desenfreada migração para o centro urbano. Neste caso, é logico que teremos a ocupação descontrolada das encostas, pois o terreno urbano é exíguo, devido a topografia, e, consequentemente, caro. Se isto acontecer o ciclo de desgraça ocorrerá devidamente amplificado, pois a natureza costuma se vingar. A produção rural em Nova Friburgo é de natureza unimodular : a família possui e trabalha sua terra ao lado da moradia. Quase todas as empresas são informais, a produção é vendida nos grandes mercados da capital e nos supermercados locais. A solução para a recuperação dessas famílias é um programa tipo “minha casa minha vida” com com um contrato inicial de aluguel e cláusula de compra após certo prazo. Para o caso de insumos, recuperação da terra, microtratores e manutenção dos agricultores até a primeira colheita existem soluções padronizadas já utilizadas em outras regiões do país.

O caso da recuperação da capacidade produtiva industrial das micro e pequenas empresas é um problema de natureza urbana e de alocação com contenção de encostas que exige soluções um pouco mais inovadoras. Vi imagens de recuperação urbana em Angra dos Reis, aqui mesmo neste blog, que me parecem interessantes se forem conjugadas à produção fabril no local. Novamente, para as moradias, sugiro a possibilidade de aluguel temporário das residências construídas dentro do melhor padrão de contenção de encostas, arruamento e serviços. Acho que se deve explorar a terceira dimensão (prédios) para economizar espaço ao máximo. Uma parte do público alvo, embora pré-falimentar, dispõe de algum recurso (conta bancária, por ex) e quererá, talvez, moradias maiores. Portanto, sugiro um mix de apartamentos no condomínio (talvez casas também). Como então manter a produção em apartamentos? É claro que isto é inviável. Sugiro então se construir dentro do condomínio um grande galpão subdividido em boxes fechados para abrigar a área produtiva que irá dar suporte econômico aos moradores. A ideia que me vem à cabeça é a da fábrica do samba no Rio de Janeiro. Seria uma estrutura produtiva em moldes cooperativos (ou não para quem não quisesse) um pouco assemelhada a uma incubadora, mas diferentemente desta, cuidados deveriam ser tomados no que tange à privacidade das informações. Isto é relevante, no caso, pois incubadoras normalmente abrigam um mix de empresas que não concorrem entre si, em contraposição ao que estamos pensando. Creio que a criação destes parques produtivo-residenciais seria uma solução que poderia ser repetida em outros lugares. 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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