Meses atrás, o relato me foi passado por covistas históricos.
Início de governo Serra, todos esperavam que tirasse o Detran da Polícia Civil. O órgão sempre foi um financiador histórico de campanhas políticas.
Ao assumir, Mário Covas não conseguiu avançar na limpeza. O partido estava fraco, não tinha caixa. Segundo a fonte, Covas cedeu com os olhos embargados, esperando o primeiro sinal de melhores ventos para acabar com a vinculação.
Quando Serra assumiu, o PSDB com as finanças em dia, o estado sem problemas financeiros, esperava-se que ele fizesse a limpeza. Serra recuou, teve medo de enfrentar a cúpula da Polícia Civil. Permitiu que pessoas polêmicas assumissem cargos-chave na Secretaria de Segurança. Dois anos depois explodiram as denúncias de corrupção no órgão, provocando enorme crise – minimizada pela velha mídia na época.
Só com a ascensão de Ferreira Pinto esse jogo começou a reverter.
Ao mudar o Detran e manter Ferreira Pinto, Alckmin demonstra uma coragem política que sempre faltou ao seu antecessor.
Folha de S.Paulo – Alckmin mantém secretário da Segurança – 17/12/2010
Alckmin mantém secretário da Segurança
Antônio Ferreira Pinto não terá mais sob sua gestão o Detran, que passa a ser subordinado à Secretaria de Gestão
Denarc também vai passar por mudanças; secretário afirma que “rendimento [do órgão] deveria ser melhor”
Daniel Guimarães/Governo do Estado de SP![]() ![]() |
Antônio Ferreira Pinto, secretário da Segurança Pública, e Alckmin, governador eleito
CATIA SEABRA
DE SÃO PAULO
Mantido no cargo, o secretário de Segurança Pública,
Antônio Ferreira Pinto, assumirá uma agenda que promete controvérsia no governo de Geraldo Alckmin.
Ao anunciar ontem a permanência de Ferreira Pinto,
Alckmin antecipou a decisão
de retirar o Detran (Departamento Estadual de Trânsito)
do controle da Polícia Civil.
A partir de janeiro, o Detran será subordinado à Secretaria de Gestão.
Além da mudança da estrutura do Detran -foco de resistência na polícia- Ferreira Pinto substituirá a direção do Denarc (Departamento de Narcóticos).
“Não estou satisfeito com a atuação do Denarc. O rendimento deveria ser melhor. Está deixando a desejar”, disse, afirmando que o tráfico de drogas é um flagelo e admitindo outras alterações.
A permanência de Ferreira Pinto produz reação na corporação, num momento em que cerca de 800 dos 3.313
delegados de SP (24%) são investigados pela Corregedoria. Ontem, ele afirmou que “manterá o ritmo de combate à corrupção”.
Sua permanência também sofre restrições na própria equipe de Alckmin.
Ex-secretário de Segurança e futuro secretário de Transportes, Saulo de Castro Abreu, é um dos desafetos de Ferreira Pinto.
O secretário de Administração Penitenciária, Lourival Gomes, também será mantido no cargo.
No anúncio, Alckmin elogiou a atuação dos dois à frente da área de segurança.
Mas prometeu aperfeiçoamento, como a retirada de cerca de 8.000 presos de cadeias públicas. Ao falar da
transferência do Detran para a Gestão, Alckmin justificou:
“Vamos para uma gestão melhor. E liberar os policiais para sua atividade-fim”.
Segundo Ferreira Pinto, cerca de mil policiais voltarão às ruas com a medida.
Ex-secretário de gestão, Sidney Beraldo afirmou que, com a transferência, a estrutura dos Poupatempos será
usada para serviços hoje concentrados no Detran.
O anúncio de Ferreira Pinto causou um efeito colateral na equipe do atual governo.
Incomodado com a indefinição sobre seu futuro, o secretário de Educação, Paulo Renato Souza, avisou que não vai mais esperar por Alckmin e sairá do governo.
Procurado por Beraldo, principal articulador político de Alckmin, Paulo Renato disse que não aceitaria ser transferido para outro cargo.
Em mais uma reação à aproximação de Gilberto Kassab (DEM) com o PMDB, Alckmin se reuniu com deputados eleitos de PDT e PSB e ofereceu-lhes a possibilidade de participação no governo.
Segundo interlocutores, a intenção é contar com essas siglas para projetos eleitorais do PSDB.


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