Esse é mais um dos temas em que o despreparo avassalador de Serra colocou confusão. Durante toda a campanha, Serra repetiu que São Paulo fazia a melhor política anti-drogas, investindo em hospitais especializados para drogados. Jamais falou da capacidade do hospital: 30 leitos/ano, 300 pessoas atendidas por ano, obviamente solução incapaz de atender grandes escalas. Nem jamais se poderia pensar em uma política de saúde antidrogas calçada na internação maciça de drogados.
Ontem, Temporão bateu duro nesse anacronismo medieval. A resposta da Secretaria de Saúde de São Paulo sai pela tangente: critica Temporão por não defender a internação, “em casos pontuais”. Um besteirol do Secretário para justificar o besteirol do Serra! É evidente que a discussão não é sobre internação em casos especiais, mas sobre a internação como ponto central de uma política de saúde anti-droga.
Do Estadao.com.br
Temporão e Saúde de SP trocam farpas sobre drogas – brasil –
Temporão e Saúde de SP trocam farpas sobre drogas
Ministro vê ‘demagogia barata’ e secretaria reage, levantando suspeitas sobre o comportamento dele a 2 dias da eleição
– O Estado de S.Paulo
Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão (PMDB), fez ontem duras críticas ao governo de São Paulo e à Secretaria de Saúde do Estado, administrado pelo PSDB, ao discutir sobre políticas de combate às drogas. O assunto, especialmente o combate ao crack, virou tema da campanha e foi abordado em programas eleitorais na TV dos candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).
O ministro acusou a secretaria de tratar o combate à dependência de álcool e drogas “de maneira simplória e rasteira” e de fazer “demagogia barata” com o tema. “A maneira mais simplória e rasteira de abordar esse tema, como a oposição vem fazendo, é dizer o seguinte: nós temos que internar todo mundo. Isso é demagogia barata, uma simplificação. É passar por cima do problema”, afirmou o ministro, em inauguração, em São Bernardo do Campo, de um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD). Procurada pelo Estado, a Secretaria de Saúde reagiu no mesmo tom. Em nota, chamou levantou suspeitas sobre o comportamento do ministro dois dias antes da eleição, de “oportunistas e sem fundamento” as afirmações do ministro, “feitas curiosamente às vésperas da eleição presidencial”.
Na inauguração, Lula afirmou que esse “é um problema do presidente, do governador, do prefeito, do pai, e um problema da mãe. É um problema da sociedade brasileira. Então não dá para ninguém fugir ao problema.” Acrescentou que há R$ 420 milhões disponíveis para os prefeitos solicitarem parceria com a União na criação de novos CAPS. .
Enquanto elogiava as ações do governo federal no setor, Temporão fez duras críticas ao governo paulista, afirmando que São Paulo “se alia ao que tem de mais atrasado e reacionário na psiquiatria brasileira”. pois defende o internamento em manicômios. Enquanto isso, diz, o governo federal escolheu outro caminho, “o da solidariedade, do carinho, da atenção diferenciada.”
A secretaria paulista também retrucou. afirmando que ela ” é que questiona a postura retrógrada do Ministério da Saúde, que não admite a necessidade, em alguns casos pontuais, de internação de pacientes com alto grau de dependência e, por isso, não financia sequer um leito para tal fim no Estado”.
A polêmica estendeu-se ainda à questão das verbas do SUS. Temporão afirmou que a União repassou uma verba extra ao Estado. “A oposição aqui em São Paulo fala que fez, que fez, mas esquece de dizer que de março para cá o Ministério botou R$ 1,7 bilhão a mais do teto de São Paulo exatamente para permitir que existam hospitais, leitos, atendimentos, consultas e exames.” segundo a secretaria, não é nada extra: “Trata-se do mero cumprimento de uma obrigação constitucional.”
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