Em um duro discurso contra os órgãos de investigação e o comportamento da mídia, o ex-presidente Lula afirmou, durante a festa de aniversário que comemorou os 36 anos do PT, no Rio de Janeiro, que “não imaginava”, depois de vivermos o período da ditadura:
“ver um Ministério Público fazendo o jogo da imprensa, fazendo o jogo da Veja”;
“Hoje, os juízes têm medo de votar com medo da manchete do jornal” atacou Lula;
o líder petista fez também um apelo à militância para que apoie o governo Dilma,
“porque ela não vai conseguir resolver os problemas sozinha”;
e depois de uma semana tensa entre a presidente e a legenda, Lula destacou:
“A Dilma precisa ter certeza de uma coisa: o lugar dela é do nosso lado. Ela precisa de nós para poder sobreviver aos ataques que vêm sofrendo no Congresso Nacional”:
Ex-Presidente Lula:
“”Eu ando acabrunhado – de saco cheio – com o comportamento dos nossos inimigos, da nossa imprensa. Eu não imaginava ver um Ministério Público fazendo o jogo da imprensa, da Veja”
“E um cidadão do Ministério Público segue ipsis litteris o que diz o Globo”, completou, em referência ao promotor Cássio Conserino, alvo de ação do PT no Conselho Nacional do Ministério Público e autor de investigação sobre o triplex e o sítio.”
“”Agora, como Deus escreve certo por linhas tortas, inventaram uma empresa no Panamá, uma tal de offshore. Eu nem sei o que é isso. Isso deve ser coisa para enganar pobre. Disseram que uma empresa offshore era dona do tal meu apartamento, e o que aconteceu?
Ela era na verdade dona do triplex em Paraty e do helicóptero da Globo”, disparou Lula. “E a Globo, que fala tanto em democracia, intimou todos os blogueiros a não falar mais nessa história”, lembrou.”
“”Todo mundo aqui conhece o Jacó Bittar, meu companheiro.
Ele inventou de comprar uma chácara, fez uma surpresa para mim. Jacó e meus companheiros quiseram comprar a chácara para me fazer surpresa.
Quando terminarem esses processos, eles vão ter que me dar um apartamento e uma chácara.
Estão todos os dias tentando levar a um desgaste moral”.”
” “Eu recebi uma informação de que a partir de segunda-feira vão quebrar meu sigilo fiscal, telefônico, do meu filho, da Marisa. Eu só quero que depois que isso acabar, eles me deem um atestado de idoneidade porque eu duvido que tenha algum deles mais honesto do que eu”.
“Hoje, os juízes têm medo de votar com medo da manchete do jornal”,
atacou Lula.
“E um país nunca vai ser sério se um ministro do STF, do STJ, do TCU ficar com medo da opinião pública.
Hoje, primeiro a imprensa condena
Não dá para primeiro a Globo saber da notícia para depois o advogado saber”, protestou.”
Em um duro discurso contra os órgãos de investigação e o comportamento da mídia, o ex-presidente Lula afirmou, durante a festa de aniversário que comemorou os 36 anos do PT, no Rio de Janeiro, que “não imaginava”, depois de vivermos o período da ditadura, “ver um Ministério Público fazendo o jogo da imprensa, fazendo o jogo da Veja”; “Hoje, os juízes têm medo de votar com medo da manchete do jornal”, atacou Lula; o líder petista fez também um apelo à militância para que apoie o governo Dilma, “porque ela não vai conseguir resolver os problemas sozinha”; e depois de uma semana tensa entre a presidente e a legenda, Lula destacou: “A Dilma precisa ter certeza de uma coisa: o lugar dela é do nosso lado. Ela precisa de nós para poder sobreviver aos ataques que vêm sofrendo no Congresso Nacional”
27 de Fevereiro de 2016 às 21:24
247 – O ex-presidente Lula fez um “desabafo”, como ele mesmo disse, em discurso na noite deste sábado 27 durante a festa de aniversário de 36 anos do PT, no Rio de Janeiro. À militância, ele se defendeu das acusações de que tem um sítio em Atibaia (SP) e um triplex no Guarujá – “só se eu tiver um triplex do Minha Casa, Minha Vida, porque é um triplex de 200 metros quadrados” -, fez críticas ao Ministério Público e ao promotor Cássio Conserino e apelou para que os petistas apoiem a presidente Dilma Rousseff, “porque ela não vai conseguir resolver os problemas sozinha”.
“Por mais que tenhamos problemas com alguma pessoa desse governo, esse governo é nosso”, disse Lula. “A gente não pode virar as costas e dizer ‘o problema é seu’. O problema é nosso! É seu, é meu, é da Dilma”, acrescentou, depois de citar problemas na economia. Após uma semana tensa entre a presidente e a legenda, Lula afirmou ainda: “A Dilma precisa ter certeza de uma coisa: o lugar dela é do nosso lado. Ela precisa de nós para poder sobreviver aos ataques que vêm sofrendo no Congresso Nacional”.
Segundo Lula, “[o PT pode] divergir o que tiver que divergir, falar o que tiver que falar, porque um partido não precisa concordar com tudo o que o governo faz, nem o governo precisa concordar com tudo o que o partido faz. Mas a gente tá junto”. Em discurso neste sábado em Santiago, no Chile, a presidente rebateu críticas de petistas sobre o acordo que a presidência fez com o PMDB e a oposição para aprovar o projeto do senador José Serra (PSDB-SP) sobre o pré-sal. “Eu não governo para o PT”, disse.
‘MP faz jogo da imprensa’
Lula negou ser dono do sítio em Atibaia (SP), que é alvo de investigação em duas frentes – da Operação Lava Jato e do Ministério Público de São Paulo -, e de um apartamento no Guarujá, litoral paulista. “Eu ando acabrunhado – de saco cheio – com o comportamento dos nossos inimigos, da nossa imprensa. Eu não imaginava ver um Ministério Público fazendo o jogo da imprensa, da Veja”, desabafou.
“Eu sou acusado de ter um triplex do Minha Casa, Minha Vida, porque é um triplex de 200 m²”, brincou. “Eu quero saber como vai ficar essa história. Porque eu disse que não tenho, a imprensa diz que eu tenho. E um cidadão do Ministério Público segue ipsis litteris o que diz o Globo”, completou, em referência ao promotor Cássio Conserino, alvo de ação do PT no Conselho Nacional do Ministério Público e autor de investigação sobre o triplex e o sítio.
“Agora, como Deus escreve certo por linhas tortas, inventaram uma empresa no Panamá, uma tal de offshore. Eu nem sei o que é isso. Isso deve ser coisa para enganar pobre. Disseram que uma empresa offshore era dona do tal meu apartamento, e o que aconteceu? Ela era na verdade dona do triplex em Paraty e do helicóptero da Globo”, disparou Lula. “E a Globo, que fala tanto em democracia, intimou todos os blogueiros a não falar mais nessa história”, lembrou.
Sobre o sítio, Lula declarou: “Todo mundo aqui conhece o Jacó Bittar, meu companheiro. Ele inventou de comprar uma chácara, fez uma surpresa para mim. Jacó e meus companheiros quiseram comprar a chácara para me fazer surpresa. Quando terminarem esses processos, eles vão ter que me dar um apartamento e uma chácara. Estão todos os dias tentando levar a um desgaste moral”.
O ex-presidente também citou uma denúncia publicada no Blog da Cidadania, de que a nova fase da Lava Jato, que deverá ser deflagrada na próxima segunda ou terça-feira, terá ele e sua família como alvo. “Eu recebi uma informação de que a partir de segunda-feira vão quebrar meu sigilo fiscal, telefônico, do meu filho, da Marisa. Eu só quero que depois que isso acabar, eles me deem um atestado de idoneidade porque eu duvido que tenha algum deles mais honesto do que eu”.
“Hoje, os juízes têm medo de votar com medo da manchete do jornal”, atacou Lula. “E um país nunca vai ser sério se um ministro do STF, do STJ, do TCU ficar com medo da opinião pública. Hoje, primeiro a imprensa condena. Não dá para primeiro a Globo saber da notícia para depois o advogado saber”, protestou.
Sobre as eleições de 2018, Lula voltou a dizer que não é candidato, mas que “se for necessário, se vocês entenderem que a manutenção do projeto [do PT] corre risco, eu quero dizer em alto e bom som: eu estarei com 73 anos e com tesão de 30 para ser candidato a presidente da República”.
Em entrevista ao 247, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, aponta os excessos e distorções da Operação Lava Jato e fala de sua preocupação com o conjunto de ameaças reais ao Estado Democrático de Direito que vem se ampliando.
Em nome do combate à corrupção, diz ele, a cruzada moralista, que tem objetivos políticos claros, vem quebrando importantes garantias constitucionais, como o devido processo legal e a presunção da inocência.
Na pasta que ocupa desde o ano passado, ele persegue duas prioridades: uma, avançar na reforma agrária, aumentando o número de famílias assentadas. “Pessoas não foram feitas para viver debaixo de lona”, diz ele, reconhecendo que em seus governos, o PT não fez tudo o que precisava ser feita nesta área.
Sua outra prioridade é fortalecer a agricultura familiar, através do crédito, da assistência técnica e de garantias de acesso ao mercado, inclusive através de compras e preços garantidos pelo governo.
Hoje, o governo já é obrigado a comprar da pequena agricultura pelo menos 30% dos alimentos que adquire. Patrus vem se batendo para ampliar esta percentual e também para recuperar as verbas do ministério, que este ano sofreram um corte de 50% no orçamento.
A entrevista:
247 – Como o senhor vê o atual estágio da crise política?
Patrus Ananias – Tenho percebido em todas as pessoas, razoáveis e preocupadas com os destinos do país, uma grande apreensão com o quadro político. Todas se perguntam: onde vai dar tudo isso? Até quando o país aguenta? Uma fonte de preocupação é com o crescente grau de intolerância e sectarismo, que compromete o pluralismo, a convivência entre diferentes formas de pensar e diferentes posições políticas. Este ódio ao outro, esta divisão que se aprofunda, tudo isso representa uma ameaça à própria democracia. Uma outra preocupação é com a forma, a meu ver equivocada, com que o problema da corrupção está sendo enfrentado. Os valores éticos e republicanos precisam ser fortalecidos, mas a questão da corrupção deve precisa ser discutida e combatida com uma perspectiva mais ampla, histórica e cultural, revisitando o patrimonialismo que sempre marcou as relações entre as elites e o Estado no Brasil. Um debate fulanizado e estas ações claramente direcionadas para um partido, como acontece agora em relação ao PT pela Lava Jato, não resolverá nada. Além de unir, precisamos atualizar nosso sistema político, criando regras para moralizar o financiamento de campanhas e a relação entre partidos, políticos e empresas. Isso é tão ou mais importante que prender e condenar pessoas, mas não se está cuidando disso.
247 – E por que, apesar destas limitações e dos excessos, a Lava Jato tornou-se intocável?
Patrus – A Lava Jato ninguém questiona temendo ser acusado de conivência com a corrupção, e esta é outra decorrência do sectarismo e da intolerância. Mas hoje está muito claro aonde querem chegar toda esta cruzada moralista.
247 – Ao impeachment da presidente…
Patrus – Existem os objetivos políticos, que são muito claros, mas a condução destes processos judiciais tem representado também uma ameaça à democracia. Tem faltado respeito ao devido processo legal, ao direito ao contraditório, à ampla defesa, à presunção da inocência até prova em contrário. Tudo isso é muito perigoso e não podemos aceitar passivamente. Aplica-se na esfera judicial e também na política, como por exemplo ao caso do senador Delcídio Amaral, que não pode ser cassado pelo Senado enquanto não for julgado e estiverem esgotadas todas as possibilidades de recurso.
247 – E existem as prisões preventivas prolongadas para forçar delações premiadas, muito criticadas pela comunidade jurídica…
Patrus – Forçar delação premiada é um procedimento muito questionável, do ponto de vista moral e jurídico. Primeiro porque este não é ainda um instrumento universalmente aceito pelo mundo jurídico, pelas as cortes e pelas constituições. No Brasil, é muito recente a lei que introduziu este mecanismo, já no primeiro governo Dilma. Há algo de inquisitorial nesta prática de subjugar o preso com a privação da liberdade, sem que esteja condenado, mediante alegações como risco de fuga, para forçá-lo a delatar. Sem falar no fato de que alguns criminosos vêm sendo premiados não só com a redução de penas, mas com o direito de ficar com parte do patrimônio acumulado durante o período em que cometeram ilícitos. E ainda há os vazamentos seletivos, destinados a atingir alvos políticos também selecionados. Do modo como as coisas estão sendo conduzidas, um criminoso que faz delação premiada acaba conquistando o papel de juiz. Conquista o direito de condenar pela simples menção ao nome de uma pessoa. A toda hora lemos e ouvimos dizer: “fulano de tal, mencionado na delação premiada de beltrano”. Mencionado, está condenado pela opinião pública. Então, a meu ver, são muitas as distorções neste modo de combater a corrupção e ministrar justiça. Os democratas, e principalmente os que viveram e sofreram o autoritarismo, não podem se calar diante destas ameaças ao Estado Democrático de Direito.
247 – E como tem sido dirigir uma pasta de alta sensibilidade social como a da Reforma e Desenvolvimento Agrário no meio de uma dupla crise como esta?
Patrus – Desafiador, mas também estimulante, apesar das dificuldades, como a poda do orçamento deste ano em 50%. Agora estamos negociando com a área econômica para recompor, pelo menos parcialmente, os recursos da pasta. Precisamos deles para avançar nas duas frentes programáticas quem são nossas prioridades.
247 – Quais são elas?
Patrus – Uma é avançar na reforma agrária propriamente dita e a outra consolidar e implantar novas políticas para o fortalecimento da agricultura familiar, algo muito importante em tempo de crise, afora os efeitos sociais permanentes. Além do mais, o cooperativismo é algo que precisa ser fortalecido porque tem também uma dimensão político-filosófica positiva. Reduz o individualismo, aumenta o sentimento de solidariedade e a prática da ajuda mútua. Na agricultura familiar estamos também introduzindo valores agro-ecológicos, como a redução do uso de transgênicos e de agrotóxicos.
Mas para que esta agricultura das pequenas famílias se consolide e contribua para o aumento da produção de alimentos saudáveis, o governo precisa garantir mecanismos de acesso aos mercados, inclusive através da compra direta por órgãos do governo. Estou muito empenhado nisso.
247 – E a reforma agrária, vai mesmo deslanchar?
Patrus – Admito que não fizemos, nos governos do PT, tudo o que era necessário nesta matéria, por um conjunto de razões. Em resumo, faltou ênfase. Agora vamos tentar recuperar o tempo e ampliar o número de famílias assentadas, tirando pessoas dos acampamentos e contribuindo para fortalecer a pequena agricultura e a produção de alimentos. Pessoas não foram feitas para viver debaixo de lona. Para acelerar este processo, criamos uma sala de situação na qual buscamos identificar os acampamentos existentes e quantificar as famílias e pessoas que demandam uma terra para viver e trabalhar.
247 – Ainda existem muitas terras disponíveis para reforma agrária?
Patrus – Estamos trabalhando intensamente na identificação das terras que são passíveis de destinação à reforma agrária, sejam elas publicas ou privadas, em condições de serem desapropriadas. Em meu primeiro despacho com a presidenta Dilma, como ministro, ela me disse: “Patrus, não podemos ter favelas no campo”. Concordei e estou procurando responder ao desafio dela.
247 – E a situação fiscal tem permitido?
Patrus – Apesar das dificuldades, no ano passado lançamos o Plano Safra da Agricultura Familiar com aumento de 20% nos recursos. Foram alocados R$28,9 bilhões a juros negativos. Depois lançamos o PMAC, pelo qual pelo menos 30% das compras governamentais de alimentos devem vir da Agricultura Familiar. Estamos estimulando o pequeno agricultor a buscar os empréstimos do Pronaf, apelando também ao Banco do Brasil e outros bancos para que facilitem o acesso, reduzindo a burocracia e o formalismo que amedrontam a gente mais simples do campo.
247 – E o que tem sido feito para aumentar o conhecimento técnico destes pequenos produtores, geralmente ainda adeptos de praticas rudimentares?
Patrus – Ah, sim, vamos investir muito na assistência técnica. Estamos implantando a Anater – Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, que se articulará com as Ematers estaduais. Ela está juridicamente criada, mas ainda precisa de recursos para se organizar e estruturar. E complementarmente, precisamos garantir um preço mínimo ao pequeno agricultor. Ele planta na alta de preços e colhe na baixa. O governo precisa comprar estoques a um preço previamente garantido. Estocar alimentos, a meu ver, é uma política de soberania. É preciso exportar, mas também ter reservas para o enfrentamento de alguma crise, seja de sazonalidade ou de qualquer origem. Montei uma boa equipe e com ela acredito que vamos colher bons resultados nestas duas frentes fundamentais.
‘A presidente escolheu uma pauta que vai contra nós’
Senador petista Lindbergh Farias (RJ), que nessa semana se disse “traído” pela presidente após a aprovação do projeto que abre o pré-sal para empresas estrangeiras, acredita que seja um “movimento consciente” se afastar das políticas do partido; “A presidente escolheu uma pauta que vai contra os nossos”; para o parlamentar, “se Dilma for nesse caminho [do ajuste fiscal, na economia], podemos em dois anos perder as conquistas de 12 anos”; petista diz ainda que Dilma “tem a ilusão de que pode diminuir essa raiva contra ela apresentando uma agenda desse tipo, se rendendo a um outro projeto (…). Ela nem vai conseguir acalmar os que estão contra ela no andar de cima e pode acabar perdendo a base dela”
28 de Fevereiro de 2016 às 08:08
Rio 247 – Dias depois de dizer que a presidente Dilma Rousseff “traiu” os senadores do PT ao firmar um acordo com PMDB e oposição para aprovar o projeto de abertura do pré-sal, de autoria do senador José Serra (PSDB-SP), o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) avalia, em entrevista a Luciana Nunes Leal, do Estado de S. Paulo, que este deve ser um “movimento consciente” da presidente, de afastamento do PT.
“Minha tese é que a pauta que a Dilma está escolhendo vai contra a gente. É um movimento, na minha avaliação, consciente por parte da presidente de se afastar das nossas políticas, dos nossos programas”, disse o senador, um dos maiores críticos à linha econômica adotada pelo governo, que adota os juros altos e defende o ajuste fiscal. “A reforma da presidente colide diretamente com o movimento sindical, com as nossas bases”, acrescenta Lindbergh.
Na opinião do parlamentar, “se Dilma for nesse caminho, podemos em dois anos perder as conquistas de 12 anos”. Segundo ele, o afastamento entre Dilma e PT “é muito mais dela do que nosso”. “Fico pensando até se não é algo consciente, se afastar do PT, tentar construir uma agenda com parte da oposição, o que a gente viu na votação do pré-sal foi isso. Quer passar a ideia de que é presidente de todo o País”, analisa o petista.
Lindbergh acrescenta: “Ela tem a ilusão de que pode diminuir essa raiva contra ela, a favor do impeachment, apresentando uma agenda desse tipo, se rendendo a um outro projeto. Ela acha que vai acalmar e pacificar o País com isso. Ela nem vai conseguir acalmar os que estão contra ela no andar de cima e pode acabar perdendo a base dela”. Segundo ele, o ato marcado para 31 de março contra o impeachment será “diferente”, com um “tom muito mais crítico a ela”.
Na festa de aniversário de 36 anos do PT, o ex-presidente Lula se pintou para a guerra e escolheu um alvo poderoso: a Globo, maior monopólio de comunicação do planeta, que ele não enfrentou em seus dois governos; “A gente não tem hoje um grande partido de oposição. Nós temos um partido chamado Globo, um partido chamado Veja, chamado outros jornais, que é quem de verdade lidera a oposição no país”; Lula também sinalizou que será candidato em 2018, ao dizer que terá “72 anos e tesão de 30”; com a guerra declarada, Globo tentará intensificar ainda mais o combate contra o líder político que, para 37% dos brasileiros, foi o melhor presidente da história; quem vencerá a batalha: Lula ou os Marinho?
28 de Fevereiro de 2016 às 11:01
247 – Boa parte do discurso do ex-presidente Lula durante a festa de aniversário pelos 36 anos do PT, na noite deste sábado 27, no Rio de Janeiro, teve como alvo as Organizações Globo, dos irmãos Marinho, empresa que lidera a campanha midiática contra o ex-presidente e em favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff.
“A gente não tem hoje um grande partido de oposição. Nós temos um partido chamado Globo, um partido chamado Veja, chamado outros jornais, que é quem de verdade lidera a oposição no país”, disse o petista à militância. Lula disse também que “não imaginava”, depois de brigar na Constituinte para ter um Ministério Público forte e independente, “ver hoje um Ministério Público fazendo o jogo da imprensa, fazendo o jogo da Veja e do Globo”.
Ao se defender das acusações de que possui um triplex no Guarujá (SP) e que foi favorecido por empreiteiras que teriam reformado um sítio frequentado por ele e sua família em Atibaia (SP), Lula diz querer saber “como vai ficar essa história”. “Porque eu disse que não tenho, a imprensa diz que eu tenho. E um cidadão do Ministério Público segue ipsis litteris o que diz o Globo”, afirmou, sobre o promotor Cássio Conserino.
“Agora, como Deus escreve certo por linhas tortas, inventaram uma empresa no Panamá, uma tal de offshore. Eu nem sei o que é isso. Isso deve ser coisa para enganar pobre. Disseram que uma empresa offshore era dona do tal meu apartamento, e o que aconteceu? Ela era na verdade dona do triplex em Paraty e do helicóptero da Globo”, disparou ainda o ex-presidente.
“Quando terminarem esses processos, eles vão ter que me dar um apartamento e uma chácara. Estão todos os dias tentando levar a um desgaste moral”, cobrou Lula. O petista também mencionou a notificação feita pela Globo aos sites que publicaram reportagens sobre o triplex em Paraty – construído em área de preservação ambiental e que pertenceria à família Marinho – como Tijolaço e Rede Brasil Atual.
“E a Globo, que fala tanto em democracia, intimou todos os blogueiros a não falar mais no nome dela”, destacou. “Então vamos notificar a Globo para tirar o nome do PT como ela usa todo dia”, acrescentou. Alguns blogueiros publicaram notificação enviada pela advogada da empresa, Mariana Gaspar, negando vínculo dos donos da Globo com a mansão de Paraty e determinando que o assunto não seja mais pauta desses sites (leia aqui e aqui).
O ex-presidente criticou também o cerceamento à defesa por parte dos investigados, que já são julgados e condenados pela mídia após ter o nome citado por um delator. “Hoje, a Veja, a Época, o Globo e a Globo determinam: Jandira [Feghali], você é criminosa. Manchete. E aí então vai procurar que crimes você cometeu”. Em uma crítica ao Judiciário, Lula afirmou que há juízes com medo de votar por conta da manchete do jornal do dia seguinte ou de passeata na porta de casa.
“Hoje, os juízes têm medo de votar com medo da manchete do jornal”, disse. “E um país nunca vai ser sério se um ministro do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal de Contas da União ficar com medo da opinião pública. Hoje, primeiro a imprensa condena. Não dá para primeiro a Globo saber da notícia para depois o advogado saber”, protestou.
2018
Sobre as eleições de 2018, Lula voltou a dizer que não é candidato, mas que “se for necessário, se vocês entenderem que a manutenção do projeto [do PT] corre risco, eu quero dizer em alto e bom som: eu estarei com 72 anos e com tesão de 30 para ser candidato a presidente da República”. “Não vão nos destruir. Nós sairemos mais fortes dessa luta. Se eu cometer um erro não vai ser a Globo que vai anunciar a vocês: vou ser eu”, bradou, aplaudido pelos petistas.
Lua sinalizou que não deixará passar batido as próximas acusações envolvendo seu nome. “Vocês sabem o que ele fazem contra a gente todo santo dia. A gente vai vencê-los com a nossa verdade. Vale pro PCdoB, pro PDT, pro PSB: temos que utilizar a tribuna da Câmara e do Senado. A gente tem imunidade, tem mandato. Não podemos levar desaforo pra casa. Se falarem merda contra a gente vamos falar duas. Esse partido não tem medo de coxinha. Se tivesse, não comia tanto frango. Daqui pra frente, é pão, pão, queijo, queijo. Lulinha não vai ser mais Lulinha paz e amor!”
A primeira coisa que o juiz Marcelo da Costa Bretas (Rio de Janeiro, 1970) fez ao saber que uma parte da Operação Lava-Jato iria parar nas suas mãos foi pedir sabedoria a Deus. “Minha primeira preocupação é não errar. Qualquer erro nesse processo teria uma enorme repercussão. Esse é meu grande peso”, afirma o magistrado em entrevista ao EL PAÍS.
De um dia para o outro, este juiz federal tornou-se responsável pelo “Radioatividade”, um processo que investiga uma milionária engrenagem de propinas em torno da construção da usina nuclear Angra 3, no Rio. O esquema segue o modelo corrupto da Petrobras, mas aplicado à Eletronuclear, controlada pela estatal Eletrobras, e aponta que os pactos ilícitos entre políticos, lobistas, empreiteiras e executivos entraram em cheio no setor elétrico.
Segundo a denúncia, “no mesmo período em que ocorriam crimes de cartel, fraude a licitações, corrupção e lavagem no âmbito da Petrobras, as empreiteiras Andrade Gutierrez e Engevix, contratadas pela Eletronuclear, adotavam o mesmo modus operandi para repassar propinas por meio de empresas intermediárias.” O caso, batizado informalmente como Eletrolão, aterrissou no Rio após o Supremo Tribunal Federal desmembrá-lo, em setembro de 2015, da Operação Lava Jato, que segue em Curitiba no escritório do juiz Sergio Moro.
“Não posso classificar este processo como mais importante que outros na minha carreira, mas é sem dúvida o que envolve maior quantia de valores”, afirma o magistrado, no seu escritório da 7ª Vara da Justiça Federal, especializada em crimes financeiros e lavagem de dinheiro.
Entre os 13 acusados, está o presidente da Andrade Gutiérrez, Otávio de Azevedo, e o ex-presidente da Electronuclear, o vice-almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva. Ambos estão hoje em prisão domiciliar, e respondem pelos crimes de extorsão, corrupção e lavagem de dinheiro supostamente cometidos de 2007 a 2015. A metade do caso da Eletronuclear, onde há indiciados com foro privilegiado, está no Supremo Tribunal Federal. Nele, investiga-se a participação de três caciques do PMDB: o então ministro de Minas e Energia e hoje senador Edison Lobão, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o senador Romero Jucá (PMDB-RR). Nas investigações aparece também o nome do ministro do Tribunal de Contas da União, Raimundo Carreiro, que teria sido destinatário de 1 milhão de reais de uma das empreiteiras.
O caso é delicado porque o vice-almirante Pinheiro da Silva, considerado o pai do programa nuclear brasileiro, guarda informações das operações que, no final dos anos 80, permitiram ao Brasil dominar o enriquecimento de urânio, e obter combustível nuclear. Entre outros fatos, os procuradores investigam por que a firma de consultoria fundada por Othon quando aposentou-se da Marinha recebeu pelo menos 4,5 milhões de reais do consórcio de empresas, subcontratado pela Eletronuclear, para a construção da usina. Mesmo não sendo o objetivo do processo, os investigadores querem ter certeza de que segredos relativos à Segurança Nacional não ficaram à venda no suposto esquema de propinas, que envolve também empresas estrangeiras.
O processo, o primeiro a ser digitalizado na Vara onde o juiz Bretas atua, já conta com 500 volumes e 160.000 folhas, mas ele aguarda ainda novos desdobramentos. “Acabou aí? É só isso? Certamente não”, interpreta o juiz. As delações premiadas dos diretivos da Andrade Gutierrez — a de Otavio de Azevedo incluída — , que já começaram em Brasília, podem apontar novos nomes, quantidades e projetos corrompidos. O esquema pode ter atingido inclusive a construção de macroprojetos como a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, o que poderia tornar o caso um novo escândalo nacional de dimensões bilionárias. “A expectativa de que o processo vai crescer é grande. Essas delações vão trazer pessoas e fatos novos”, afirma Bretas. Angra 3 é só o começo. “Só Deus sabe onde este processo vai dar”, diz o juiz.
Bretas, evangélico, se considera muito religioso. Tem um irmão pastor. “Tudo que eu faço na minha vida, peço uma orientação a Deus”, ilustra. Acima da sua mesa, uma Bíblia Sagrada confirma sua dedicação religiosa. “Mas eu sei separar minhas crenças das minhas decisões como juiz”, diz. Amante de bateria, chegou a tocar na igreja, mas hoje curte interpretar em casa jazz progressivo, como Spyro Gyra, com sua bateria eletrônica.
As comparações com Sérgio Moro lhe provocam um sorriso entre o orgulho e a timidez, mas garante não ter interesse nenhum em “surfar na onda da fama”. Ao desmembrarem o processo, uma grande empreiteira envolvida na Lava-Jato pediu para seus advogados que fizessem o perfil do juiz que iriam enfrentar, conforme revelou Ancelmo Gois na sua coluna de O Globo. A conclusão dos letrados foi tão breve como enigmática: “É tão honrado e preparado como Sérgio Moro, só que, ao contrário do curitibano, não é um ativista político”.
“Sou extremamente discreto”, repete Bretas em várias ocasiões durante a conversa. Ele tampouco pretende “agradar ao povo”. “Não é minha preocupação se o povo vai me apoiar, eu tenho que ser correto. Se o povo não gosta de um réu e eu considero que devo soltá-lo, o soltarei”, adverte. Sirva de exemplo o episódio que o juiz viveu nesta sexta-feira a caminho da academia. Enquanto passava pelo Aterro do Flamengo, na Zona Sul do Rio, ele avistou um ladrão roubando a bolsa de uma senhora. Sem pensar muito, parou o carro e perseguiu o homem no meio da avenida até prendê-lo. “Depois fiquei protegendo o ladrão pois queriam linchar o pobre. Para mim foi o must, nunca tinha passado por isso”, relata.
O juiz passou 15 anos da sua vida em Petrópolis, longe da adrenalina, cuidando de causas menores como cobrança de impostos, e não dissimula seu entusiasmo diante da nova empreitada. Ele era um juiz decepcionado com a justiça penal no Brasil, até que veio o julgamento do mensalão e, depois, a Lava Jato, que já chegou aos tribunais. “Hoje acredito muito mais, existe uma consciência maior para combater a corrupção e a indignação do povo está influenciando a Justiça que está empenhada em dar um ‘basta”, diz.
Antes de receber o processo por sorteio, Bretas, casado com uma juíza federal que conheceu aos 19 anos e com quem tem dois filhos, ficou quatro meses em Washington, onde estudou o funcionamento da Justiça Federal norte-americana. “A Justiça nos EUA é mais respeitada e mais efetiva. Mas hoje no Brasil já estamos caminhando para o que eu vi lá”.
Osvaldo Ferreira
28 de fevereiro de 2016 5:34 amLULA: “MINISTÉRIO PÚBLICO FAZ
LULA: “MINISTÉRIO PÚBLICO FAZ O JOGO DA IMPRENSA”
Em um duro discurso contra os órgãos de investigação e o comportamento da mídia, o ex-presidente Lula afirmou, durante a festa de aniversário que comemorou os 36 anos do PT, no Rio de Janeiro, que “não imaginava”, depois de vivermos o período da ditadura:
“ver um Ministério Público fazendo o jogo da imprensa, fazendo o jogo da Veja”;
“Hoje, os juízes têm medo de votar com medo da manchete do jornal” atacou Lula;
o líder petista fez também um apelo à militância para que apoie o governo Dilma,
“porque ela não vai conseguir resolver os problemas sozinha”;
e depois de uma semana tensa entre a presidente e a legenda, Lula destacou:
“A Dilma precisa ter certeza de uma coisa: o lugar dela é do nosso lado. Ela precisa de nós para poder sobreviver aos ataques que vêm sofrendo no Congresso Nacional”:
Ex-Presidente Lula:
“”Eu ando acabrunhado – de saco cheio – com o comportamento dos nossos inimigos, da nossa imprensa. Eu não imaginava ver um Ministério Público fazendo o jogo da imprensa, da Veja”
“E um cidadão do Ministério Público segue ipsis litteris o que diz o Globo”, completou, em referência ao promotor Cássio Conserino, alvo de ação do PT no Conselho Nacional do Ministério Público e autor de investigação sobre o triplex e o sítio.”
“”Agora, como Deus escreve certo por linhas tortas, inventaram uma empresa no Panamá, uma tal de offshore. Eu nem sei o que é isso. Isso deve ser coisa para enganar pobre. Disseram que uma empresa offshore era dona do tal meu apartamento, e o que aconteceu?
Ela era na verdade dona do triplex em Paraty e do helicóptero da Globo”, disparou Lula. “E a Globo, que fala tanto em democracia, intimou todos os blogueiros a não falar mais nessa história”, lembrou.”
“”Todo mundo aqui conhece o Jacó Bittar, meu companheiro.
Ele inventou de comprar uma chácara, fez uma surpresa para mim. Jacó e meus companheiros quiseram comprar a chácara para me fazer surpresa.
Quando terminarem esses processos, eles vão ter que me dar um apartamento e uma chácara.
Estão todos os dias tentando levar a um desgaste moral”.”
” “Eu recebi uma informação de que a partir de segunda-feira vão quebrar meu sigilo fiscal, telefônico, do meu filho, da Marisa. Eu só quero que depois que isso acabar, eles me deem um atestado de idoneidade porque eu duvido que tenha algum deles mais honesto do que eu”.
“Hoje, os juízes têm medo de votar com medo da manchete do jornal”,
atacou Lula.
“E um país nunca vai ser sério se um ministro do STF, do STJ, do TCU ficar com medo da opinião pública.
Hoje, primeiro a imprensa condena
Não dá para primeiro a Globo saber da notícia para depois o advogado saber”, protestou.”
Pedro Carlos Penido Veloso dos Anjos
28 de fevereiro de 2016 10:15 amEm um duro discurso contra
Em um duro discurso contra os órgãos de investigação e o comportamento da mídia, o ex-presidente Lula afirmou, durante a festa de aniversário que comemorou os 36 anos do PT, no Rio de Janeiro, que “não imaginava”, depois de vivermos o período da ditadura, “ver um Ministério Público fazendo o jogo da imprensa, fazendo o jogo da Veja”; “Hoje, os juízes têm medo de votar com medo da manchete do jornal”, atacou Lula; o líder petista fez também um apelo à militância para que apoie o governo Dilma, “porque ela não vai conseguir resolver os problemas sozinha”; e depois de uma semana tensa entre a presidente e a legenda, Lula destacou: “A Dilma precisa ter certeza de uma coisa: o lugar dela é do nosso lado. Ela precisa de nós para poder sobreviver aos ataques que vêm sofrendo no Congresso Nacional”
27 de Fevereiro de 2016 às 21:24
247 – O ex-presidente Lula fez um “desabafo”, como ele mesmo disse, em discurso na noite deste sábado 27 durante a festa de aniversário de 36 anos do PT, no Rio de Janeiro. À militância, ele se defendeu das acusações de que tem um sítio em Atibaia (SP) e um triplex no Guarujá – “só se eu tiver um triplex do Minha Casa, Minha Vida, porque é um triplex de 200 metros quadrados” -, fez críticas ao Ministério Público e ao promotor Cássio Conserino e apelou para que os petistas apoiem a presidente Dilma Rousseff, “porque ela não vai conseguir resolver os problemas sozinha”.
“Por mais que tenhamos problemas com alguma pessoa desse governo, esse governo é nosso”, disse Lula. “A gente não pode virar as costas e dizer ‘o problema é seu’. O problema é nosso! É seu, é meu, é da Dilma”, acrescentou, depois de citar problemas na economia. Após uma semana tensa entre a presidente e a legenda, Lula afirmou ainda: “A Dilma precisa ter certeza de uma coisa: o lugar dela é do nosso lado. Ela precisa de nós para poder sobreviver aos ataques que vêm sofrendo no Congresso Nacional”.
Segundo Lula, “[o PT pode] divergir o que tiver que divergir, falar o que tiver que falar, porque um partido não precisa concordar com tudo o que o governo faz, nem o governo precisa concordar com tudo o que o partido faz. Mas a gente tá junto”. Em discurso neste sábado em Santiago, no Chile, a presidente rebateu críticas de petistas sobre o acordo que a presidência fez com o PMDB e a oposição para aprovar o projeto do senador José Serra (PSDB-SP) sobre o pré-sal. “Eu não governo para o PT”, disse.
‘MP faz jogo da imprensa’
Lula negou ser dono do sítio em Atibaia (SP), que é alvo de investigação em duas frentes – da Operação Lava Jato e do Ministério Público de São Paulo -, e de um apartamento no Guarujá, litoral paulista. “Eu ando acabrunhado – de saco cheio – com o comportamento dos nossos inimigos, da nossa imprensa. Eu não imaginava ver um Ministério Público fazendo o jogo da imprensa, da Veja”, desabafou.
“Eu sou acusado de ter um triplex do Minha Casa, Minha Vida, porque é um triplex de 200 m²”, brincou. “Eu quero saber como vai ficar essa história. Porque eu disse que não tenho, a imprensa diz que eu tenho. E um cidadão do Ministério Público segue ipsis litteris o que diz o Globo”, completou, em referência ao promotor Cássio Conserino, alvo de ação do PT no Conselho Nacional do Ministério Público e autor de investigação sobre o triplex e o sítio.
“Agora, como Deus escreve certo por linhas tortas, inventaram uma empresa no Panamá, uma tal de offshore. Eu nem sei o que é isso. Isso deve ser coisa para enganar pobre. Disseram que uma empresa offshore era dona do tal meu apartamento, e o que aconteceu? Ela era na verdade dona do triplex em Paraty e do helicóptero da Globo”, disparou Lula. “E a Globo, que fala tanto em democracia, intimou todos os blogueiros a não falar mais nessa história”, lembrou.
Sobre o sítio, Lula declarou: “Todo mundo aqui conhece o Jacó Bittar, meu companheiro. Ele inventou de comprar uma chácara, fez uma surpresa para mim. Jacó e meus companheiros quiseram comprar a chácara para me fazer surpresa. Quando terminarem esses processos, eles vão ter que me dar um apartamento e uma chácara. Estão todos os dias tentando levar a um desgaste moral”.
O ex-presidente também citou uma denúncia publicada no Blog da Cidadania, de que a nova fase da Lava Jato, que deverá ser deflagrada na próxima segunda ou terça-feira, terá ele e sua família como alvo. “Eu recebi uma informação de que a partir de segunda-feira vão quebrar meu sigilo fiscal, telefônico, do meu filho, da Marisa. Eu só quero que depois que isso acabar, eles me deem um atestado de idoneidade porque eu duvido que tenha algum deles mais honesto do que eu”.
“Hoje, os juízes têm medo de votar com medo da manchete do jornal”, atacou Lula. “E um país nunca vai ser sério se um ministro do STF, do STJ, do TCU ficar com medo da opinião pública. Hoje, primeiro a imprensa condena. Não dá para primeiro a Globo saber da notícia para depois o advogado saber”, protestou.
Sobre as eleições de 2018, Lula voltou a dizer que não é candidato, mas que “se for necessário, se vocês entenderem que a manutenção do projeto [do PT] corre risco, eu quero dizer em alto e bom som: eu estarei com 73 anos e com tesão de 30 para ser candidato a presidente da República”.
romério rômulo
28 de fevereiro de 2016 6:00 amA lista de Furnas, documentário
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-dcm-apresenta-seu-novo-documentario-a-lista-de-furnas/
romério
Mailson
28 de fevereiro de 2016 9:14 amRenan e Chevron, tudo a ver
[video: https://www.youtube.com/watch?v=hRZsTCDjuGo%5D
Mailson
28 de fevereiro de 2016 9:25 amFoge, Aécio Neves!!! A Lista de Furnas te persegue
[video:https://www.youtube.com/watch?v=13AS0HJDmWE%5D
Pedro Carlos Penido Veloso dos Anjos
28 de fevereiro de 2016 9:56 amPatrus: Ananias: “Objetivos políticos da Lava Jato são claros”
Objetivos políticos da Lava Jato são claros”
26 de Fevereiro de 2016 – Br 247
Tereza Cruvinel
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Em entrevista ao 247, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, aponta os excessos e distorções da Operação Lava Jato e fala de sua preocupação com o conjunto de ameaças reais ao Estado Democrático de Direito que vem se ampliando.
Em nome do combate à corrupção, diz ele, a cruzada moralista, que tem objetivos políticos claros, vem quebrando importantes garantias constitucionais, como o devido processo legal e a presunção da inocência.
Na pasta que ocupa desde o ano passado, ele persegue duas prioridades: uma, avançar na reforma agrária, aumentando o número de famílias assentadas. “Pessoas não foram feitas para viver debaixo de lona”, diz ele, reconhecendo que em seus governos, o PT não fez tudo o que precisava ser feita nesta área.
Sua outra prioridade é fortalecer a agricultura familiar, através do crédito, da assistência técnica e de garantias de acesso ao mercado, inclusive através de compras e preços garantidos pelo governo.
Hoje, o governo já é obrigado a comprar da pequena agricultura pelo menos 30% dos alimentos que adquire. Patrus vem se batendo para ampliar esta percentual e também para recuperar as verbas do ministério, que este ano sofreram um corte de 50% no orçamento.
A entrevista:
247 – Como o senhor vê o atual estágio da crise política?
Patrus Ananias – Tenho percebido em todas as pessoas, razoáveis e preocupadas com os destinos do país, uma grande apreensão com o quadro político. Todas se perguntam: onde vai dar tudo isso? Até quando o país aguenta? Uma fonte de preocupação é com o crescente grau de intolerância e sectarismo, que compromete o pluralismo, a convivência entre diferentes formas de pensar e diferentes posições políticas. Este ódio ao outro, esta divisão que se aprofunda, tudo isso representa uma ameaça à própria democracia. Uma outra preocupação é com a forma, a meu ver equivocada, com que o problema da corrupção está sendo enfrentado. Os valores éticos e republicanos precisam ser fortalecidos, mas a questão da corrupção deve precisa ser discutida e combatida com uma perspectiva mais ampla, histórica e cultural, revisitando o patrimonialismo que sempre marcou as relações entre as elites e o Estado no Brasil. Um debate fulanizado e estas ações claramente direcionadas para um partido, como acontece agora em relação ao PT pela Lava Jato, não resolverá nada. Além de unir, precisamos atualizar nosso sistema político, criando regras para moralizar o financiamento de campanhas e a relação entre partidos, políticos e empresas. Isso é tão ou mais importante que prender e condenar pessoas, mas não se está cuidando disso.
247 – E por que, apesar destas limitações e dos excessos, a Lava Jato tornou-se intocável?
Patrus – A Lava Jato ninguém questiona temendo ser acusado de conivência com a corrupção, e esta é outra decorrência do sectarismo e da intolerância. Mas hoje está muito claro aonde querem chegar toda esta cruzada moralista.
247 – Ao impeachment da presidente…
Patrus – Existem os objetivos políticos, que são muito claros, mas a condução destes processos judiciais tem representado também uma ameaça à democracia. Tem faltado respeito ao devido processo legal, ao direito ao contraditório, à ampla defesa, à presunção da inocência até prova em contrário. Tudo isso é muito perigoso e não podemos aceitar passivamente. Aplica-se na esfera judicial e também na política, como por exemplo ao caso do senador Delcídio Amaral, que não pode ser cassado pelo Senado enquanto não for julgado e estiverem esgotadas todas as possibilidades de recurso.
247 – E existem as prisões preventivas prolongadas para forçar delações premiadas, muito criticadas pela comunidade jurídica…
Patrus – Forçar delação premiada é um procedimento muito questionável, do ponto de vista moral e jurídico. Primeiro porque este não é ainda um instrumento universalmente aceito pelo mundo jurídico, pelas as cortes e pelas constituições. No Brasil, é muito recente a lei que introduziu este mecanismo, já no primeiro governo Dilma. Há algo de inquisitorial nesta prática de subjugar o preso com a privação da liberdade, sem que esteja condenado, mediante alegações como risco de fuga, para forçá-lo a delatar. Sem falar no fato de que alguns criminosos vêm sendo premiados não só com a redução de penas, mas com o direito de ficar com parte do patrimônio acumulado durante o período em que cometeram ilícitos. E ainda há os vazamentos seletivos, destinados a atingir alvos políticos também selecionados. Do modo como as coisas estão sendo conduzidas, um criminoso que faz delação premiada acaba conquistando o papel de juiz. Conquista o direito de condenar pela simples menção ao nome de uma pessoa. A toda hora lemos e ouvimos dizer: “fulano de tal, mencionado na delação premiada de beltrano”. Mencionado, está condenado pela opinião pública. Então, a meu ver, são muitas as distorções neste modo de combater a corrupção e ministrar justiça. Os democratas, e principalmente os que viveram e sofreram o autoritarismo, não podem se calar diante destas ameaças ao Estado Democrático de Direito.
247 – E como tem sido dirigir uma pasta de alta sensibilidade social como a da Reforma e Desenvolvimento Agrário no meio de uma dupla crise como esta?
Patrus – Desafiador, mas também estimulante, apesar das dificuldades, como a poda do orçamento deste ano em 50%. Agora estamos negociando com a área econômica para recompor, pelo menos parcialmente, os recursos da pasta. Precisamos deles para avançar nas duas frentes programáticas quem são nossas prioridades.
247 – Quais são elas?
Patrus – Uma é avançar na reforma agrária propriamente dita e a outra consolidar e implantar novas políticas para o fortalecimento da agricultura familiar, algo muito importante em tempo de crise, afora os efeitos sociais permanentes. Além do mais, o cooperativismo é algo que precisa ser fortalecido porque tem também uma dimensão político-filosófica positiva. Reduz o individualismo, aumenta o sentimento de solidariedade e a prática da ajuda mútua. Na agricultura familiar estamos também introduzindo valores agro-ecológicos, como a redução do uso de transgênicos e de agrotóxicos.
Mas para que esta agricultura das pequenas famílias se consolide e contribua para o aumento da produção de alimentos saudáveis, o governo precisa garantir mecanismos de acesso aos mercados, inclusive através da compra direta por órgãos do governo. Estou muito empenhado nisso.
247 – E a reforma agrária, vai mesmo deslanchar?
Patrus – Admito que não fizemos, nos governos do PT, tudo o que era necessário nesta matéria, por um conjunto de razões. Em resumo, faltou ênfase. Agora vamos tentar recuperar o tempo e ampliar o número de famílias assentadas, tirando pessoas dos acampamentos e contribuindo para fortalecer a pequena agricultura e a produção de alimentos. Pessoas não foram feitas para viver debaixo de lona. Para acelerar este processo, criamos uma sala de situação na qual buscamos identificar os acampamentos existentes e quantificar as famílias e pessoas que demandam uma terra para viver e trabalhar.
247 – Ainda existem muitas terras disponíveis para reforma agrária?
Patrus – Estamos trabalhando intensamente na identificação das terras que são passíveis de destinação à reforma agrária, sejam elas publicas ou privadas, em condições de serem desapropriadas. Em meu primeiro despacho com a presidenta Dilma, como ministro, ela me disse: “Patrus, não podemos ter favelas no campo”. Concordei e estou procurando responder ao desafio dela.
247 – E a situação fiscal tem permitido?
Patrus – Apesar das dificuldades, no ano passado lançamos o Plano Safra da Agricultura Familiar com aumento de 20% nos recursos. Foram alocados R$28,9 bilhões a juros negativos. Depois lançamos o PMAC, pelo qual pelo menos 30% das compras governamentais de alimentos devem vir da Agricultura Familiar. Estamos estimulando o pequeno agricultor a buscar os empréstimos do Pronaf, apelando também ao Banco do Brasil e outros bancos para que facilitem o acesso, reduzindo a burocracia e o formalismo que amedrontam a gente mais simples do campo.
247 – E o que tem sido feito para aumentar o conhecimento técnico destes pequenos produtores, geralmente ainda adeptos de praticas rudimentares?
Patrus – Ah, sim, vamos investir muito na assistência técnica. Estamos implantando a Anater – Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, que se articulará com as Ematers estaduais. Ela está juridicamente criada, mas ainda precisa de recursos para se organizar e estruturar. E complementarmente, precisamos garantir um preço mínimo ao pequeno agricultor. Ele planta na alta de preços e colhe na baixa. O governo precisa comprar estoques a um preço previamente garantido. Estocar alimentos, a meu ver, é uma política de soberania. É preciso exportar, mas também ter reservas para o enfrentamento de alguma crise, seja de sazonalidade ou de qualquer origem. Montei uma boa equipe e com ela acredito que vamos colher bons resultados nestas duas frentes fundamentais.
Pedro Carlos Penido Veloso dos Anjos
28 de fevereiro de 2016 11:44 amLindbergh X Dilma
Rio 247
‘A presidente escolheu uma pauta que vai contra nós’
Senador petista Lindbergh Farias (RJ), que nessa semana se disse “traído” pela presidente após a aprovação do projeto que abre o pré-sal para empresas estrangeiras, acredita que seja um “movimento consciente” se afastar das políticas do partido; “A presidente escolheu uma pauta que vai contra os nossos”; para o parlamentar, “se Dilma for nesse caminho [do ajuste fiscal, na economia], podemos em dois anos perder as conquistas de 12 anos”; petista diz ainda que Dilma “tem a ilusão de que pode diminuir essa raiva contra ela apresentando uma agenda desse tipo, se rendendo a um outro projeto (…). Ela nem vai conseguir acalmar os que estão contra ela no andar de cima e pode acabar perdendo a base dela”
28 de Fevereiro de 2016 às 08:08
Rio 247 – Dias depois de dizer que a presidente Dilma Rousseff “traiu” os senadores do PT ao firmar um acordo com PMDB e oposição para aprovar o projeto de abertura do pré-sal, de autoria do senador José Serra (PSDB-SP), o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) avalia, em entrevista a Luciana Nunes Leal, do Estado de S. Paulo, que este deve ser um “movimento consciente” da presidente, de afastamento do PT.
“Minha tese é que a pauta que a Dilma está escolhendo vai contra a gente. É um movimento, na minha avaliação, consciente por parte da presidente de se afastar das nossas políticas, dos nossos programas”, disse o senador, um dos maiores críticos à linha econômica adotada pelo governo, que adota os juros altos e defende o ajuste fiscal. “A reforma da presidente colide diretamente com o movimento sindical, com as nossas bases”, acrescenta Lindbergh.
Na opinião do parlamentar, “se Dilma for nesse caminho, podemos em dois anos perder as conquistas de 12 anos”. Segundo ele, o afastamento entre Dilma e PT “é muito mais dela do que nosso”. “Fico pensando até se não é algo consciente, se afastar do PT, tentar construir uma agenda com parte da oposição, o que a gente viu na votação do pré-sal foi isso. Quer passar a ideia de que é presidente de todo o País”, analisa o petista.
Lindbergh acrescenta: “Ela tem a ilusão de que pode diminuir essa raiva contra ela, a favor do impeachment, apresentando uma agenda desse tipo, se rendendo a um outro projeto. Ela acha que vai acalmar e pacificar o País com isso. Ela nem vai conseguir acalmar os que estão contra ela no andar de cima e pode acabar perdendo a base dela”. Segundo ele, o ato marcado para 31 de março contra o impeachment será “diferente”, com um “tom muito mais crítico a ela”.
Bufufa
28 de fevereiro de 2016 1:21 pm450 kg de pasta de cocaína não interessa à Polícia Federal
O que eles querem é prender o Lula. Ponto.
Alguém tem alguma notícia a respeito desse PÓSDB ?
José Carlos Lima...
28 de fevereiro de 2016 1:57 pmA “desinformação organizada” de Sergio Moro na caçada ao Lula
http://outroladodanoticia.com.br/2016/02/28/osvaldo-bertolino-a-desinformacao-organizada-de-sergio-moro-na-cacada-a-lula/
Amaro Doce
28 de fevereiro de 2016 2:04 pmA música que Zeca Pagodinho fez para Lula. Viva Lula!
O clipe que abriu a festa de aniversário do PT-1:50
Pedro Carlos Penido Veloso dos Anjos
28 de fevereiro de 2016 5:34 pmEm guerra contra Globo, Lula
Em guerra contra Globo, Lula parte para 2018
Na festa de aniversário de 36 anos do PT, o ex-presidente Lula se pintou para a guerra e escolheu um alvo poderoso: a Globo, maior monopólio de comunicação do planeta, que ele não enfrentou em seus dois governos; “A gente não tem hoje um grande partido de oposição. Nós temos um partido chamado Globo, um partido chamado Veja, chamado outros jornais, que é quem de verdade lidera a oposição no país”; Lula também sinalizou que será candidato em 2018, ao dizer que terá “72 anos e tesão de 30”; com a guerra declarada, Globo tentará intensificar ainda mais o combate contra o líder político que, para 37% dos brasileiros, foi o melhor presidente da história; quem vencerá a batalha: Lula ou os Marinho?
28 de Fevereiro de 2016 às 11:01
247 – Boa parte do discurso do ex-presidente Lula durante a festa de aniversário pelos 36 anos do PT, na noite deste sábado 27, no Rio de Janeiro, teve como alvo as Organizações Globo, dos irmãos Marinho, empresa que lidera a campanha midiática contra o ex-presidente e em favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff.
“A gente não tem hoje um grande partido de oposição. Nós temos um partido chamado Globo, um partido chamado Veja, chamado outros jornais, que é quem de verdade lidera a oposição no país”, disse o petista à militância. Lula disse também que “não imaginava”, depois de brigar na Constituinte para ter um Ministério Público forte e independente, “ver hoje um Ministério Público fazendo o jogo da imprensa, fazendo o jogo da Veja e do Globo”.
Ao se defender das acusações de que possui um triplex no Guarujá (SP) e que foi favorecido por empreiteiras que teriam reformado um sítio frequentado por ele e sua família em Atibaia (SP), Lula diz querer saber “como vai ficar essa história”. “Porque eu disse que não tenho, a imprensa diz que eu tenho. E um cidadão do Ministério Público segue ipsis litteris o que diz o Globo”, afirmou, sobre o promotor Cássio Conserino.
“Agora, como Deus escreve certo por linhas tortas, inventaram uma empresa no Panamá, uma tal de offshore. Eu nem sei o que é isso. Isso deve ser coisa para enganar pobre. Disseram que uma empresa offshore era dona do tal meu apartamento, e o que aconteceu? Ela era na verdade dona do triplex em Paraty e do helicóptero da Globo”, disparou ainda o ex-presidente.
“Quando terminarem esses processos, eles vão ter que me dar um apartamento e uma chácara. Estão todos os dias tentando levar a um desgaste moral”, cobrou Lula. O petista também mencionou a notificação feita pela Globo aos sites que publicaram reportagens sobre o triplex em Paraty – construído em área de preservação ambiental e que pertenceria à família Marinho – como Tijolaço e Rede Brasil Atual.
“E a Globo, que fala tanto em democracia, intimou todos os blogueiros a não falar mais no nome dela”, destacou. “Então vamos notificar a Globo para tirar o nome do PT como ela usa todo dia”, acrescentou. Alguns blogueiros publicaram notificação enviada pela advogada da empresa, Mariana Gaspar, negando vínculo dos donos da Globo com a mansão de Paraty e determinando que o assunto não seja mais pauta desses sites (leia aqui e aqui).
O ex-presidente criticou também o cerceamento à defesa por parte dos investigados, que já são julgados e condenados pela mídia após ter o nome citado por um delator. “Hoje, a Veja, a Época, o Globo e a Globo determinam: Jandira [Feghali], você é criminosa. Manchete. E aí então vai procurar que crimes você cometeu”. Em uma crítica ao Judiciário, Lula afirmou que há juízes com medo de votar por conta da manchete do jornal do dia seguinte ou de passeata na porta de casa.
“Hoje, os juízes têm medo de votar com medo da manchete do jornal”, disse. “E um país nunca vai ser sério se um ministro do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal de Contas da União ficar com medo da opinião pública. Hoje, primeiro a imprensa condena. Não dá para primeiro a Globo saber da notícia para depois o advogado saber”, protestou.
2018
Sobre as eleições de 2018, Lula voltou a dizer que não é candidato, mas que “se for necessário, se vocês entenderem que a manutenção do projeto [do PT] corre risco, eu quero dizer em alto e bom som: eu estarei com 72 anos e com tesão de 30 para ser candidato a presidente da República”. “Não vão nos destruir. Nós sairemos mais fortes dessa luta. Se eu cometer um erro não vai ser a Globo que vai anunciar a vocês: vou ser eu”, bradou, aplaudido pelos petistas.
Lua sinalizou que não deixará passar batido as próximas acusações envolvendo seu nome. “Vocês sabem o que ele fazem contra a gente todo santo dia. A gente vai vencê-los com a nossa verdade. Vale pro PCdoB, pro PDT, pro PSB: temos que utilizar a tribuna da Câmara e do Senado. A gente tem imunidade, tem mandato. Não podemos levar desaforo pra casa. Se falarem merda contra a gente vamos falar duas. Esse partido não tem medo de coxinha. Se tivesse, não comia tanto frango. Daqui pra frente, é pão, pão, queijo, queijo. Lulinha não vai ser mais Lulinha paz e amor!”
Pedro Carlos Penido Veloso dos Anjos
28 de fevereiro de 2016 5:45 pmA República dos Holofotes: Veja a Quem Cabe Nos Julgar
El Pais
Operação Lava Jato
Marcelo Bretas, o juiz Moro carioca
O magistrado Marcelo Bretas assume o “Eletrolão”, que investiga a corrupção no setor elétrico
Rio de Janeiro 26 FEV 2016 – 12:14 BRT
A primeira coisa que o juiz Marcelo da Costa Bretas (Rio de Janeiro, 1970) fez ao saber que uma parte da Operação Lava-Jato iria parar nas suas mãos foi pedir sabedoria a Deus. “Minha primeira preocupação é não errar. Qualquer erro nesse processo teria uma enorme repercussão. Esse é meu grande peso”, afirma o magistrado em entrevista ao EL PAÍS.
De um dia para o outro, este juiz federal tornou-se responsável pelo “Radioatividade”, um processo que investiga uma milionária engrenagem de propinas em torno da construção da usina nuclear Angra 3, no Rio. O esquema segue o modelo corrupto da Petrobras, mas aplicado à Eletronuclear, controlada pela estatal Eletrobras, e aponta que os pactos ilícitos entre políticos, lobistas, empreiteiras e executivos entraram em cheio no setor elétrico.
Segundo a denúncia, “no mesmo período em que ocorriam crimes de cartel, fraude a licitações, corrupção e lavagem no âmbito da Petrobras, as empreiteiras Andrade Gutierrez e Engevix, contratadas pela Eletronuclear, adotavam o mesmo modus operandi para repassar propinas por meio de empresas intermediárias.” O caso, batizado informalmente como Eletrolão, aterrissou no Rio após o Supremo Tribunal Federal desmembrá-lo, em setembro de 2015, da Operação Lava Jato, que segue em Curitiba no escritório do juiz Sergio Moro.
“Não posso classificar este processo como mais importante que outros na minha carreira, mas é sem dúvida o que envolve maior quantia de valores”, afirma o magistrado, no seu escritório da 7ª Vara da Justiça Federal, especializada em crimes financeiros e lavagem de dinheiro.
Entre os 13 acusados, está o presidente da Andrade Gutiérrez, Otávio de Azevedo, e o ex-presidente da Electronuclear, o vice-almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva. Ambos estão hoje em prisão domiciliar, e respondem pelos crimes de extorsão, corrupção e lavagem de dinheiro supostamente cometidos de 2007 a 2015. A metade do caso da Eletronuclear, onde há indiciados com foro privilegiado, está no Supremo Tribunal Federal. Nele, investiga-se a participação de três caciques do PMDB: o então ministro de Minas e Energia e hoje senador Edison Lobão, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o senador Romero Jucá (PMDB-RR). Nas investigações aparece também o nome do ministro do Tribunal de Contas da União, Raimundo Carreiro, que teria sido destinatário de 1 milhão de reais de uma das empreiteiras.
O caso é delicado porque o vice-almirante Pinheiro da Silva, considerado o pai do programa nuclear brasileiro, guarda informações das operações que, no final dos anos 80, permitiram ao Brasil dominar o enriquecimento de urânio, e obter combustível nuclear. Entre outros fatos, os procuradores investigam por que a firma de consultoria fundada por Othon quando aposentou-se da Marinha recebeu pelo menos 4,5 milhões de reais do consórcio de empresas, subcontratado pela Eletronuclear, para a construção da usina. Mesmo não sendo o objetivo do processo, os investigadores querem ter certeza de que segredos relativos à Segurança Nacional não ficaram à venda no suposto esquema de propinas, que envolve também empresas estrangeiras.
O processo, o primeiro a ser digitalizado na Vara onde o juiz Bretas atua, já conta com 500 volumes e 160.000 folhas, mas ele aguarda ainda novos desdobramentos. “Acabou aí? É só isso? Certamente não”, interpreta o juiz. As delações premiadas dos diretivos da Andrade Gutierrez — a de Otavio de Azevedo incluída — , que já começaram em Brasília, podem apontar novos nomes, quantidades e projetos corrompidos. O esquema pode ter atingido inclusive a construção de macroprojetos como a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, o que poderia tornar o caso um novo escândalo nacional de dimensões bilionárias. “A expectativa de que o processo vai crescer é grande. Essas delações vão trazer pessoas e fatos novos”, afirma Bretas. Angra 3 é só o começo. “Só Deus sabe onde este processo vai dar”, diz o juiz.
Bretas, evangélico, se considera muito religioso. Tem um irmão pastor. “Tudo que eu faço na minha vida, peço uma orientação a Deus”, ilustra. Acima da sua mesa, uma Bíblia Sagrada confirma sua dedicação religiosa. “Mas eu sei separar minhas crenças das minhas decisões como juiz”, diz. Amante de bateria, chegou a tocar na igreja, mas hoje curte interpretar em casa jazz progressivo, como Spyro Gyra, com sua bateria eletrônica.
As comparações com Sérgio Moro lhe provocam um sorriso entre o orgulho e a timidez, mas garante não ter interesse nenhum em “surfar na onda da fama”. Ao desmembrarem o processo, uma grande empreiteira envolvida na Lava-Jato pediu para seus advogados que fizessem o perfil do juiz que iriam enfrentar, conforme revelou Ancelmo Gois na sua coluna de O Globo. A conclusão dos letrados foi tão breve como enigmática: “É tão honrado e preparado como Sérgio Moro, só que, ao contrário do curitibano, não é um ativista político”.
“Sou extremamente discreto”, repete Bretas em várias ocasiões durante a conversa. Ele tampouco pretende “agradar ao povo”. “Não é minha preocupação se o povo vai me apoiar, eu tenho que ser correto. Se o povo não gosta de um réu e eu considero que devo soltá-lo, o soltarei”, adverte. Sirva de exemplo o episódio que o juiz viveu nesta sexta-feira a caminho da academia. Enquanto passava pelo Aterro do Flamengo, na Zona Sul do Rio, ele avistou um ladrão roubando a bolsa de uma senhora. Sem pensar muito, parou o carro e perseguiu o homem no meio da avenida até prendê-lo. “Depois fiquei protegendo o ladrão pois queriam linchar o pobre. Para mim foi o must, nunca tinha passado por isso”, relata.
O juiz passou 15 anos da sua vida em Petrópolis, longe da adrenalina, cuidando de causas menores como cobrança de impostos, e não dissimula seu entusiasmo diante da nova empreitada. Ele era um juiz decepcionado com a justiça penal no Brasil, até que veio o julgamento do mensalão e, depois, a Lava Jato, que já chegou aos tribunais. “Hoje acredito muito mais, existe uma consciência maior para combater a corrupção e a indignação do povo está influenciando a Justiça que está empenhada em dar um ‘basta”, diz.
Antes de receber o processo por sorteio, Bretas, casado com uma juíza federal que conheceu aos 19 anos e com quem tem dois filhos, ficou quatro meses em Washington, onde estudou o funcionamento da Justiça Federal norte-americana. “A Justiça nos EUA é mais respeitada e mais efetiva. Mas hoje no Brasil já estamos caminhando para o que eu vi lá”.
emerson57
28 de fevereiro de 2016 11:09 pmseguro
Equipe do blog,
Que tal dar publicidade a isso:
http://www.blogdacidadania.com.br/2016/02/lava-jato-preve-busca-e-apreensao-em-imoveis-de-lula-e-familia/