4 de junho de 2026

Serra rumo à cova rasa

Da Folha

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FERNANDO DE BARROS E SILVA

Morte e Vida Francenilda SÃO PAULO –

A ala “Maçaranduba” da coligação “O Brasil Pode Mais”, aquela para quem o que faltava ao programa de José Serra era “porrada”, não tem mais do que reclamar. Na noite de quinta-feira, na TV, o tucano foi ao ataque e apostou suas fichas no “tudo ou nada”.

Talvez não restassem muito mais opções a Serra. Não só à luz da dificuldade em que se encontra sua campanha mas, também, em razão do significado, ao mesmo tempo pessoal e político, que o escândalo da Receita tem para a candidatura.

A um mês da eleição, precisando tirar seis pontos de Dilma Rousseff para provocar o segundo turno, Serra radicalizou e fez um programa de teor inteiramente negativo, em que ele próprio apareceu distribuindo críticas à campanha rival.

Antes dele, um apresentador veio arando o terreno, desfiando, em tom “soft-alarmista”, um enredo que começava com o paralelismo um tanto forçado entre o caso Lurian e o caso Veronica (“a mesma baixaria contra a filha do Lula agora é usada contra a filha de Serra”). A seguir, passava pelos aloprados (“ninguém foi julgado nem punido”), pelo escândalo do caseiro (“não deu em nada”, mas sem citar Palocci, o petista amigo) e pelo mensalão (“ninguém foi preso”).

Feito o bombardeio, surge então Serra, como quem sobrevoa um cenário de ruína moral, para transmitir seu alerta: “Se continuar assim, todos nós seremos Francenildos”.

Quando lançou sua candidatura, em abril, Serra tinha como lema “o Brasil é um só” e dizia em seu discurso inaugural: “Jamais rotularemos os adversários como inimigos da pátria ou do povo”.

Transcorridos alguns meses, o candidato rasgou o roteiro original e agora busca a unidade deste país “que é um só” numa suposta “condição francenilda”, a que todos estaríamos condenados sob um governo Dilma.

É um apelo desesperado, de alto risco para Serra, que ainda pode funcionar. Ou representar mais um passo rumo à cova rasa que cabe à oposição no latifúndio do lulismo. 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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