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Lula diz que vai criar organização política depois da Presidência

Ideia é juntar partidos da base aliada em torno de um eventual governo Dilma Rousseff também no Senado

Ricardo Galhardo e Ana Carolina Dias, iG Pernambuco | 27/08/2010 23:51

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira à noite, em Recife, que após deixar a Presidência pretende construir uma organização política que agrupe todos os partidos aliados. Lula não quer que sua candidata, Dilma Rousseff, tenha pela frente as dificuldades que ele encarou no Senado durante seu primeiro mandato.

“Quando eu deixar a presidência não vou acabar com a política. Vou andar por este País até para fazer uma avaliação das coisas que nós fizemos. Vou continuar construindo a nossa organização política. O Eduardo (Campos, governador de Pernambuco) sabe do meu desejo de criar uma organização política em que a gente junte todos os partidos aliados e crie uma coisa muito forte para que nunca mais uma presidente da República sofra o que eu sofri em 2005 com o Senado, que quase tentou derrubar a Presidência da República”, disse Lula, em comício que reuniu cerca de 25 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, no Marco Zero, em Recife.

Citando o episódio do fim da CPMF, Lula disse que foi chantageado pelo Senado. “Não tem nada pior do que precisar de voto e alguém ficar te chantageando”, disse.

Com Dilma e Campos disparados nas pesquisas em Pernambuco, Lula enfocou a eleição para o Senado e, sem citar nomes, distribuiu ataques aos candidatos de oposição, Marco Maciel (DEM) e Raul Jungmann (PPS).

“Tem um que parece que já é senador desde a época do Império. Foi deputado, presidente da Câmara, senador, presidente do Senado, vice-presidente, mas me contem o que é que ele trouxe para Pernambuco?”, questionou. “O outro vocês já conhecem, o menorzinho, que parece que cuidava da reforma agrária”, completou.

Em um comício que mais parecia uma despedida, Lula lembrou que ainda lhe restam quatro meses de governo, tempo suficiente para fazer muita coisa.

“Na verdade, ainda tenho quatro meses e poucos dias de governo, e alguns companheiros falaram aqui como se eu já tivesse… tem gente que daria a vida para ser presidente por um dia. Ainda tenho caneta para fazer miséria neste País”, disse Lula.

Dilma, que falou antes do presidente, lembrou que Lula, apesar dos altos índices de popularidade, não tentou o terceiro mandato, ao contrário de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que aprovou a emenda da reeleição durante seu primeiro governo (1995-1998).

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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