4 de junho de 2026

O custo dos cartões de crédito das lojas

Do Jornal Cash

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“Gratuito”, custo de cartão de loja chega a R$ 47 ao ano

Por Gleyson Pereira

Serviço anunciado como gratuito não passa de propaganda enganosa na maioria das vezes, revela pesquisa de associação do consumidor

A prática está difundida entre as grandes redes de lojas e parece tentadora ao consumidor: um cartão gratuito que oferece descontos em itens previamente selecionados, anuidade grátis, compras com até 40 dias sem juros para pagar e sem custos de manutenção. Desconfiada diante de tantas vantagens, a ProTeste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) analisou os cartões de marca própria oferecidos por hiper e supermercados, postos de combustível e lojas de departamento.

De acordo com o levantamento apurado em maio deste ano , os custos desses cartões divulgados como gratuitos chegam a R$ 47 ao ano se forem usados todo mês. O valor, dificilmente identificado pelo consumidor, é equivalente a, praticamente, uma anuidade de um cartão de crédito convencional. O custo anual com essas taxas foi calculado com base no consumidor que faz, pelo menos, uma compra ao mês pelo plástico.

ParpParcelamento

Ao aderir a um cartão de crédito de marca própria o consumidor, aponta o levantamento, sempre é incentivado a parcelar a compra. No entanto, poucos estabelecimentos informam que, para isso, haverá cobrança de juros. “Os problemas encontrados nos cartões das lojas de departamento estão na maneira como o parcelamento com juros é incentivado”, acusa a entidade. Para os técnicos, a loja não deixa claro sobre a possibilidade de incidência dessas taxas, o que prejudica os clientes.

“As lojas anunciam parcelamento em ‘sete vezes fixas’, sem dar a opção sem juros [em geral até 5 vezes] e sem deixar bem claro que o parcelamento em sete vezes é com juros – e incluindo o valor dos mesmos”, aponta.

A pesquisa cita como exemplo as condições oferecidas pelas Lojas Renner. A rede de departamento firma, em sua página na internet, que o cliente “poderá parcelar em 5x sem juros ou 8x fixas com juros”, mas peca por não colocar o valor dos juros.

De acordo com o CDC (Código de Defesa do Consumidor), o cliente tem direito à informação clara sobre todos os custos do financiamento. Norma do CMN (Conselho Monetário Nacional) garante ao consumidor a informação do CET (Custo Efetivo Total) – taxa que envolve todos os custos do financiamento.

Em alguns casos, as lojas chegam a embutir a venda de um seguro no valor da parcela, sem mesmo que o cliente tenha solicitado o produto, o que encarece a compra. A prática também é condenada pela legislação vigente, por ser considerada venda casada.

A maioria da loja oferece ao cliente que aderiu ao seu cartão programas de vantagens de pontos que podem ser convertidos em descontos na próxima compra. Porém, alerta a entidade, em compras maiores, dificilmente as reduções de preços em certos itens compensam os custos do cartão. “Nos casos em que a compra é de uma cesta inteira de itens, veja se o desconto em um ou dois produtos está valendo a pena, considerando o total da compra”, recomendam os analistas.

É preciso atenção: se o desconto oferecido for menor do que o custo mensal, cobrado pela tarifa de manutenção, você estará perdendo dinheiro. “Se o mercado cobra R$ 3,99 por emissão de fatura, o cartão só vai valer a pena se o desconto obtido for maior que R$ 3,99”.

Recomendação

A conclusão da entidade é que não vale a pena contratar os cartões de loja ou de combustíveis. A pesquisa constatou que esses plásticos “não trazem nenhuma vantagem se comparados aos convencionais”. A adesão implica em custo extra para o consumidor (exceto o Hipercard e o Petrobrás), “mesmo que afirmem serem gratuitos”. Em suma, os cartões apresentam publicidade confusa, “induzindo você a acreditar que utilizar o cartão é a opção mais barata – o que não é, na maioria das vezes, verdadeiro”. Confira todos os resultados na tabela abaixo: 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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