Durante algum tempo a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) se tornou um oásis em meio a enxurrada de manipulações, dossiês e linchamentos que marcaram a história da imprensa nos anos 90. E muito graças ao trabalho do Marcelo Beraba, um dos jornalistas de melhor discernimento na mídia, inclusive com uma passagem histórica como Ombudsman da Folha, pelo discernimento e pela coragem.
Com ele o Estadão recuperou a forma que havia perdido, depois do afastamento de alguns editores de peso.
Mas, aparentemente, está sufocado pela linha editorial do Estadão. Até agora o jornal ignorou solenemente que existe um livro de um dos membros mais ilustres da Abraji, Amaury Ribeiro Jr, que está por trás de todo esse episódio armado. Não é necessário muita experiência jornalística para entender a armação perpetrada pelo delegado Onézimo, estreitamente ligado a Marcelo Itagiba, o homem de Serra no caso Lunus (de Roseana Sarney). No entanto, nenhuma informação adicional é passada ao leitor.
Aliás, se o Luiz Lanzetta merece algum título é o de “pato do ano”, apenas.
É curioso que, enquanto a Folha tenta recuperar alguma credibilidade jornalística, depois da mudança da direção de Redação, o Estadão passe a subordinar sua linha jornalística aos compromissos políticos do grupo. Logo ele que se firmou, nos últimos tempos, como o jornalismo mais confiável da velha mídia
Do Estadão
Jornalista Luiz Lanzetta deixa campanha de Dilma Rousseff
Reportagem do ‘Estado’ mostrou que consultor teve encontro com arapongas ligados aos serviços secretos oficiais que produzem ilegalmente dossiês sobre adversários
Leonencio Nossa e Fábio Graner / BRASÍLIA
O jornalista e consultor Luiz Lanzetta se desligou neste sábado, 05, da campanha da ex-ministra Dilma Rousseff, pré-candidata à Presidência da República pelo PT. Reportagem publicada pelo jornal “O Estado de S.Paulo” mostrou que Lanzetta, dono da empresa Lanza Comunicação – responsável pela contratação de jornalistas -, teve encontro com arapongas ligados aos serviços secretos oficiais que produzem ilegalmente dossiês sobre adversários de seus clientes.
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Em entrevista na sexta-feira ao “Estado”, Lanzetta confirmou o encontro com os espiões. Neste sábado ele disse que não aceitou a proposta para produzir material contra os tucanos. “Ele me fez uma proposta, eu não aceitei. Nunca mais vi o cara”, afirmou o consultor, referindo-se ao sargento da reserva Idalberto Matias de Araújo, o Dadá. O “Estado” revelou que o espião tem passe valorizado em épocas eleitorais, integrou vários escândalos políticos e esteve na polêmica Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas.
“Não existe contrato de serviço”, completou Lanzetta. “Não existem dossiês.” O consultor disse que a decisão de sair da campanha foi dele mesmo. “Fora da campanha, estou livre para me defender.” A jornalista Helena Chagas, coordenadora do comitê de imprensa de Dilma Rousseff, disse que por volta do meio-dia deste sábado foi informada pela direção do PT de que o consultor havia se desligado da campanha. Lanzetta disse que os últimos 40 dias de trabalho no comitê petista foram “estranhos”.
Questionado sobre as disputas internas na campanha, ele se limitou a dizer que “achava que estava tudo normal, mas não estava”. “Tudo foi estranho, a própria reunião (com arapongas); era uma suspeita atrás da outra.” A estratégia petista foi isolar a crise na figura de Lanzetta, apontado como articulador de uma central de dossiês.
À tarde, o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, afirmou que o jornalista não tem “nenhuma relação” com a campanha de Dilma nem autorização ou recomendação de seu comando para tratar de contratação de arapongas e da fabricação de dossiês contra adversários políticos. Dutra evitou defender o consultor. “Cada um é responsável pelos seus atos. Esse assunto nunca foi discutido conosco. Não existe subordinação dele (Lanzetta) com a campanha. Não há vinculação dele com a campanha. Se ele praticou uma coisa ilegal, as pessoas que se sentiram atingidas que o responsabilizem”, afirmou Dutra. “A empresa dele foi contratada para alocação de mão de obra, de jornalistas. Se ele agiu sozinho, não há nada que a gente possa fazer”, acrescentou o petista.
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