4 de junho de 2026

O fim do “New normal”?, por Mohamed A. El-Erian

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Jornal GGN – Apenas quando a noção de que as economias ocidentais se encaixando dentro de um “novo normal” (New Normal) de baixo crescimento começou a ganhar força, começaram a surgir dúvidas quanto a sua sucessiva relevância. Ao invés disso, o mundo pode estar se encaminhando para uma nova encruzilhada econômica e financeira, com sua direção sendo afetada por decisões políticas consideradas fundamentais.

Tal afirmação foi elaborada pelo economista Mohamed A. El-Erian, assessor econômico e membro do Comitê Executivo Internacional do grupo Allianz, em artigo publicado no site Project Syndicate, onde ele explica que o “novo normal (hipótese estabelecida por El-Erian enquanto estava na consultoria Pimco, em 2009)” estava praticamente fora dos radares durante os primeiros dias de 2009. “A crise financeira global que irrompeu alguns meses antes jogou a economia mundial em crise, fazendo com que houvesse contração, alta do desemprego e o colapso do comércio. A disfunção foi evidente até mesmo nos segmentos mais estáveis ​​e sofisticados de mercados financeiros”.

Contudo, o articulista diz que o instinto da maioria das pessoas foi caracterizar o choque como temporário e reversível – “uma interrupção em forma de V, com uma quebra acentuada e uma rápida recuperação. Afinal, a crise teve origem nas economias avançadas, que estão acostumados a gerenciar ciclos de negócios, em vez de nos países emergentes, onde as forças estruturais e seculares dominam”.

Alguns observadores apontaram sinais de que esse choque geraria mais consequências, “com as economias avançadas ficando presas a uma trajetória de baixo crescimento de longo prazo (…) O conceito de “novo normal” recebeu uma recepção gelada nos círculos acadêmicos e políticos – uma resposta compreensível, dado o forte condicionamento para pensar e agir de forma cíclica. Poucos estavam prontos para admitir que as economias avançadas tinham apostado em um modelo de crescimento errado, e muito menos olhar para as economias emergentes para insights sobre impedimentos estruturais ao crescimento, incluindo balanços de dívida e desigualdades excessivas”.

Mas a economia não mostrava sinais de retomada: não só o crescimento lento e o desemprego elevado continuaram por anos, mas o “trio desigualdade” (renda, riqueza e oportunidade) se agravou. “As consequências se estenderam além da economia e das finanças, forçando arranjos políticos regionais, ampliando a disfunção política nacional, e alimentando o surgimento de partidos anti-establishment e movimentos”, ressalta El-Erian.

O conceito de “new normal” começou a ganhar força conforme o conceito de recuperação em V ficou mais difícil de ser justificado. “Hoje, já não é incomum sugerir que o Ocidente poderia permanecer em um equilíbrio de crescimento de baixo nível por um período anormalmente prolongado (…) Na verdade, com o avanço das bolhas financeiras, a natureza da mudança do risco financeiro aumenta a desigualdade e, em alguns caos extremos, as forças políticas continuam a ganhar força, e a influência de políticas monetárias não convencionais está se esticando para os seus limites.  A perspectiva de que tais políticas serão capazes de manter os motores econômicos, mesmo em níveis baixos, parece cada vez mais fraca. Em vez disso, a economia mundial parece estar indo para outro cruzamento, que acredito que chegará dentro dos próximos três anos”, pontua El-Erian.

Na visão do articulista, tal trajetória pode não ser uma coisa ruim. “Se os formuladores de políticas implementarem uma resposta mais abrangente, eles podem colocar suas economias em um caminho mais estável e próspero – um do crescimento inclusivo, a desigualdade em declínio, e genuína estabilidade financeira. Tal resposta política teria de incluir reformas estruturais pró-crescimento (como o maior investimento em infraestrutura, uma reforma fiscal e reformulação de trabalho), a política fiscal mais ágil, alívio para o endividamento excessivo, e uma melhor coordenação global. Isto, juntamente com inovações tecnológicas e a implantação de caixa corporativo marginalizado, desencadearia capacidade produtiva, produzindo um crescimento mais rápido e mais inclusivo, ao validar os preços dos ativos, que agora são elevados artificialmente”.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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2 Comentários
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  1. altamiro souza

    4 de fevereiro de 2016 8:46 pm

    crescimento inclusivo


    crescimento inclusivo está     entre as saídas propostas….

    Pelo menos essa é uma proposta     pernanente edo governo  popular,

    sempre rejeitada pela direita…..

     

  2. MAAR

    5 de fevereiro de 2016 12:24 am

    POR UM CAPITALISMO SUSTENTÁVEL E HUMANISTA

    O ponto central dessa complexa problemática, relativa aos ciclos, ao ritmo e à dinâmica do desenvolvimento econômico está referido no artigo em termos adequados.

    A solução para os transtornos decorrentes das incertezas e dos desacertos da política econômica no mundo globalizado depende, inescapavelmente, da adoção de programas articulados e sustentáveis, voltados para a ampla promoção de investimentos em infraestrutura e em inovação tecnológica; para a ampliação da capacidade produtiva e da produtividade, através de investimentos maciços em educação e cultura; bem como para o saneamento das vicissitudes decorrentes do endividamento excessivo, através da ampliação e do barateamento do crédito.

    É tempo do capitalismo adotar uma postura coerente diante das evidências de que o modelo neoliberal está fadado ao fracasso, de modo a salvar o mundo do risco crescente de um futuro corroído por guerras e tragédias.

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