Por Ronaldo Sergio Abreu da Costa
Para muitos, a greve é o recurso extremo para quem não tem outro recurso, e que certas categorias – como médicos, policiais –, não devem fazer greve, já que a profissão é quase um sacerdócio. E que lutar por seus direitos, tudo bem; mas sacrificar o restante da população por conta disso, NUNCA.
Agora, faço as seguintes ponderações:
1) Creio que pais de família, pessoas conscientes de seus deveres enquanto cidadãos, não partem para um movimento grevista senão pelo fato de não terem outra alternativa, visto que impotentes em face de direitos fundamentais preteridos (não confundir igualdade formal com igualdade real, esta sim, a que importa, e que para a grande maioria de brasileiros, a Carta Republicana de 88 é uma mera formalidade, sem efeitos práticos).
2) Nesse diapasão ponho as seguintes questões:
2.1) Como cumprir o seu dever de cidadão e profissional Policial militar, quando o próprio Estado lhe retira boa parcela de Direitos fundamentais estatuídos na Constituição de 88?
2.2) E, indago ainda: como exigir dos policiais a prestação dos serviços de segurança, se não há segurança para eles (policiais), visto que o Estado lhes retira essa parcela essencial dos direitos fundamentais catalogados no art. 5º da CF/88?
2.3) Ou seja, tomando por empréstimo o dizer do Leonardo Boof: “Pelo fato de não terem a segurança de um salário decente, de condições de trabalho adequadas e de trato digno por parte do Poder público [Policiais] se rebelam como aconteceu neste ano no Ceará e agora na Bahia. COM OS HUMILHANTES SALÁRIOS QUE RECEBEM, POUCO MAIS DE DOIS MÍNIMOS, QUE SEGURANÇA PODEM DAR A SUAS FAMÍLIAS QUE TEM QUE PAGAR ALUGUEL, ESCOLA, TRANSPORTE, LUZ, ÁGUA E ALIMENTAÇÃO?” (*)
2.4) Por fim, concluo dizendo: Como???… Qual o respaldo moral para chegar para um cidadão policial militar e exigir dele que dê segurança para população, apesar de os seus familiares estarem (viverem) na insegurança???
2.5) Ou será, talvez, que a justificativa de tal exigência seja pela seguinte “lógica” do consolo: Senhor Policial militar, é sabido que a família de vocês desgraçadamente não tem segurança, mas em contrapartida, vocês, policiais militares, dão a segurança a muitas famílias brasileiras, e assim, vocês podem compensar e se realizarem nas várias famílias destinatárias do seu trabalho, e com isso, a família de vocês, senhores Policiais militares, passa a ser um detalhe irrelevante, ínfimo. Ok?!
Estas as questões que exigem um enfretamento e resposta dentro da perspectiva do ordenamento legal pátrio.
(*) Leonardo Boof. Onde está a segurança e a insegurança no Brasil. Rio de Janeiro: Artigo publicado no Jornal do Brasil digital de 6/2/2012.
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