4 de junho de 2026

O Governo inativo diante da economia ladeira abaixo, por J. Carlos de Assis

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Aliança pelo Brasil

O Governo inativo diante da economia ladeira abaixo

por J. Carlos de Assis

Os financiamentos do BNDES, que medem boa parte do total dos investimentos no país, caíram 28% em 2015 e devem cair mais 47% este ano. Já está contratada, dessa forma, uma nova contração do PIB depois dos quase 5% no ano passado, assim como um violento aumento do desemprego este ano. A Presidenta Dilma, que numa entrevista há semanas fez um discurso vibrante prometendo a recuperação da economia, deveria avaliar esses números com algum grau de realismo. A economia não vai ressurgir na base de voluntarismo.

Vivemos uma estagnação global no mundo ocidental, cíclica, o que significa que não teremos ajuda externa no Ocidente para retomar o curso do crescimento econômico.  Meus leitores talvez se lembram de que, ainda nas primeiras semanas do ano passado, comecei a fazer um prognóstico de contração do PIB de quase 5%. Muitos economistas me consideraram exagerado. Eu de fato não trabalhava com modelos matemáticos sofisticados. Mas a totalidade dos que trabalhavam errou feio. Omitiram duas coisas: Lava Jato e ajuste Levy.

Tendo em vista a participação da cadeia do petróleo no PIB, da ordem de 20%,  e no fato de que a Petrobrás respondia por cerca de 80% dos investimentos na economia, calculei que o efeito da Lava Jato, se abatendo sobre a empresa e seus contratados, levaria a uma contração na economia de cerca de 3%. Já o ajuste Levy, cortando cerca de R$ 80 bilhões de gastos públicos, responderia por mais 2%. Como a economia se estagnara em 2014, a contração, como um todo, seria de cerca de 5%, o que as estatísticas comprovam.

Agora o FMI fala numa contração da economia brasileira de 3,5% este ano. É uma tragédia. Mas novamente  está errado. Infelizmente, vai ser mais. O ajuste Levy continua, a despeito da mudança de ministro.  Os terríveis efeitos contracionistas e de desemprego amplo da Lava Jato permanecem. Isso porque serão demorados os efeitos da correta medida provisória 703, que passou  a regular os acordos de leniência protegendo os empregos na construção de destruição por parte de procuradores e ministros de TCU abutres.

A tragédia da economia brasileira só será revertida mediante ações decididas do Governo em contraposição direta ao neoliberalismo ou da chamada ortodoxia. Não se trata de uma questão ideológica. É uma questão prática. Ou o Governo reage à ortodoxia financeira oportunista, que está sangrando o país, ou mergulharemos num ciclo recessivo ainda maior. O ministro Barbosa tem um tempo para se adequar ao novo cargo mas esse tempo não pode ser infinito. Do contrário, depois de termos perdido 2015, perderemos também 2016.

O que fazer? No âmbito da Aliança pelo Brasil, temos discutido as diretivas econômicas que são exigidas imediatamente. Em primeiro lugar, é um imperativo retomar os investimentos da Petrobrás no nível em que se encontravam em meados de 2014. Se não tem competência para fazer isso, o presidente da Petrobrás deve ser mandado para casa. Condições de financiamento existem. Eu próprio, em nome de um grupo da Coppe, apresentei três sugestões de financiamento à Petrobrás para ter efeito imediato.

Outra sugestão diz respeito á retomada dos investimentos em infraestrutura, dos quais o país necessita  urgentemente. Sugerimos que se reative a CIDE-Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico e a vincule diretamente aos investimentos em logística nos três níveis de Governo. Sou contra criação ou aumento de impostos em situação recessiva, mas o caso é excepcional, na medida em que o que será retirado da sociedade sob a forma de impostos lhe será devolvido na forma de ampliação de gastos reais, favorecendo a expansão econômica.

Finalmente, estamos propondo como investimento de médio e longo prazo um amplo acordo a ser negociado com a China para o financiamento e investimento da indústria básica com a respectiva demanda a ser exercitada pela própria China, num esquema de ZPE. Isso, mais um eventual empréstimo do Banco dos BRICs à Petrobrás, poderia representar investimentos em prazo médio de mais de 300 bilhões de dólares, tirando a economia do caos em que se encontra. Relativamente às propostas para a macroeconomia tratarei amanhã.

J. Carlos de Assis – Economista, jornalista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de “Os sete mandamentos do jornalismo investigativo”, Ed. Textonovo, SP, 2015.

                 

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10 Comentários
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  1. Roberto São Paulo-SP 2016

    28 de janeiro de 2016 1:38 pm

    Reduzir os juros e aumentar os prazos dos financiamentos

    Redução do compulsório bancário para novas carteiras de crédito de longo prazo destinado ao consumo de bens duráveis e semi duráveis.

     O FGTS poderia ser liberado para ser dado como entrada de bens produzidos no Brasil,no valor equivalente a até 20% de bens duráveis e semi-duráveis de empresas que aceitem dar garantia de emprego por um tempo determinado pelo governo, e para instituições financeiras que aceitem um limite de juros anuais a ser estabelecido pelo governo.

    Não se deve liberar o FGTS para ser utilizado como garantia dos empréstimos consignados, pois uma parcela significativa dos recursos seriam utilizados para financiar o consumo de bens importados.

    Uma combinação, do uso FGTS para dar como entrada na compras de bens duráveis e semi-duráveis, liberação do compulsório direcionado, e redução dos juros

  2. drigoeira

    28 de janeiro de 2016 1:50 pm

    O Brasil é terra virgem…

    O mercado interno tem potencial de alavancar a economia brasileira.

    Se avaliarmos somente o mercado automobilistico a demanda reprimida é gigantesca, mas as montadoras querem ganhar por unidade vendida e não por produtividade.

    1. Bonna

      28 de janeiro de 2016 3:49 pm

      Isso é sonho

      Que aliás, já foi sonhado recentemente e acabou em pesadelo, com o sonhador acordando assustado.

      Ninguém se ergue do chão puxando-se pelos próprios cabelos.

      Essa sua visão é mais ou menos a de uma agricultura de subsistência, ou, para ser mais complexo, é como imaginar que você pode montar uma indústria, vender toda sua produção para os que trabalham nessa mesma indústria e mesmo assim crescer. Isso não existe.  

      Uma economia se faz de comércio com outras economias, agregando cada vez mais valor aos seus produtos.

      1. drigoeira

        28 de janeiro de 2016 6:14 pm

        Isto é o pensamento do radical coxinha…

        Falei que a economia interna tem lastro e demanda reprimida para alavancar a economia nacional. As exportações devem ser estimuladas mas não ficar totalmente dependente dela. 

        Vc se contradiz pois o setor de construção civil foi bombado pela economia interna, está desacelerado no momento, mas a demanda interna ainda é grande.

        O setor automobilistico nem se fale. O país não consegue produzir aço de primeiro mundo…

        As agroindustrias nacionais operam no século passado.

        Existe tudo a se fazer no Brasil é melhor para por aqui pois estes juros que o governo trabalha esquece…

         

        1. Bonna

          28 de janeiro de 2016 6:19 pm

          Pensei que era sério

          Isto é o pensamento do radical coxinha

          Mas já vi que você entende mesmo é de gastronomia político-partidária.

          Tô fora.

          1. drigoeira

            28 de janeiro de 2016 6:49 pm

            Então vaza o 5 estrelas…

            Vaza!!!

          2. Bonna

            28 de janeiro de 2016 8:17 pm

            Adoro vazar

            Vazar é um de minhas especialidades.

  3. Vitor Carvalho

    28 de janeiro de 2016 2:44 pm

    Commodities…

    …sempre commodities. Alavancar a Petrobras para além de suas dívidas contratadas com o petróleo a esse preço vai falir a empresa de vez. As finanças da empresa foram destruídas para controlar a inflação, o que por sua vez detonou a indústria do etanol. O Brasil não investiu na expansão da internet de da indústria da web 2.0 e agora paga o preço. Voltar a apostar no passado não dá. A indústria do petróleo tem de ter dívidas arroladas, mas alavancar ainda mais essa indústria não vai funcionar. 

  4. Caetano.

    28 de janeiro de 2016 5:20 pm

    A Petrobras já está quase

    A Petrobras já está quase quebrada, é uma das empresas mais endividadas do mundo, com certa dificuldade para rolar suas dívidas. Querer aumentar ainda mais o endividamento é por tudo em risco imenso.

  5. Bonna

    28 de janeiro de 2016 7:21 pm

    Eu acho lindo…

    Chego a ficar emocionado quando vejos uma ou mais pessoas sentarem-se a mesa e resolverem de forma prática, simples e descomplicada os problemas brasileiros.

    Por exemplo :

    Sugerimos que se reative a CIDE-Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico e a vincule diretamente aos investimentos em logística nos três níveis de Governo. 

    Ao que me consta, já foi reativada. Já estamos pagando R$ 0,10 por litro de gasosa. E mesmo se não tivesse sido, já estão pensando em aumentar para R$ 0,60 o litro e já tem destino líquido e certo, pagar contas do governo. Aliás, há um projeto no Congresso para MUNICIPALIZAR a CIDE, que seria usado para subsidiar transportes coletivos. Haddad falou sobre isso outro dia. Essa municipalização deve ser usada como moeda de troca na aprovação da CPMFF. Ou seja, Professor, não adianta planejar nada sem combinar antes com os russos.

    Sobre os investimentos no Petróleo, vamos devagar com o santo. Neste ano as grandes economias declararam guerra aos combustíveis fósseis, portanto o horizonte num projeto de país nesse campo não é muito longo. Por falar em projeto de país, entre os grandes produtores de petróleo do mundo, há dois que consomem tudo que produzm e mais um pouco, que são USA e China. Há dois que sabem ou souberam aproveitar a oportunidade, enaqunto sociedade, enquanto nação, de terem sido agraciados com reservas de óleo que são Canadá e Noruega. Russia, México e Venezuela nunca demosntraram a menor capacidade de transformar petróleo em avanços em desenvolvimento humano. São o que são. Sobram os conhecidos páises do Oriente Médio e África, onde o petróleo significou nada enquanto desenvolvimento humano, servindo apenas ao interesse de uma reduzidíssima elite política, religiosa ou econômica. Se alguém aí acha que o pré-sal vai nos tornar um Canadá ou uma Noruega, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Seremos apenas mais um México ou Venezuela, ou seja, continuaremos os mesmo medíocres só que com petróleo.

    Apostar muitas fichas no petróleo no horizonte que se desenha para os combustíveis fósseis é burrice. Os sheiks, reis, principes, emíres e ditadores africanos já fizeram seu pé-de-meia faz tempo, os objetivos do cartel da OPEP já foram atingidos. Se tiverem que torrar o estoque de óleo a US$ 20 o barril diante de uma redução programada de consumo decidida em Paris em dezembro último, o farão sem pena.

     A idéia de transformar o Brasil numa grande fábrica chinesa é quase incomentável. Produzir produtos primários para a China e comprar de volta produtos acabados é idéia de jerico. É querer  voltar o país 40 anos atrás trocando os europeus e americanos pelos chineses. Na minha opinião, uma péssima troca. Isso só pode ser idéia mesmo de quem acha que o primeiro direito do brasileiro é ao trabalho e ao emprego. Coisa de trabalhistas como Getúlio e Lula, que sempre venderam a idéia de que ter que trabalhar oito horas diárias em troca de tres refeições diárias e mais um troco é o melhor negócio do mundo.

    A mediocridade grassa.

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