A matriz nuclear tende a ter papel importante no Brasil e no mundo, declarou o chefe de gabinete da Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, na última quinta-feira (17) durante o 17º Fórum de Debates Brasilianas.org, sobre Tecnologia Nuclear.
Estudos da EPE – Empresa de Pesquisa Energética – apontam para o esgotamento da capacidade de uso e armazenamento das fontes hidrelétricas no Brasil, a partir de 2025. Portanto, nos próximos anos, o país necessitará ter um sistema “hidrotérmico”, equilibrando o uso de reservas de água e dos combustíveis que alimentam as térmicas (gás natural, carvão e nucleares, em especial urânio), uma vez que “as fontes renováveis e o aumento da eficiência energética serão complementos importantes, mas jamais carros chefes do sistema nacional de oferta energética”, considerou Guimarães. Isso porque, para atender a base do consumo é preciso contar com matrizes que não dependem das sazionalidades climáticas e que forneçam grandes quantidades de energia elétrica (EE) sem a necessidade da utilização de grandes áreas.
Fonte Eletronuclear
Guimarães também destacou que não se deve confundir energia com potência. Estimativas divulgadas em 2009 pelo Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) apontam, por exemplo, que o Brasil tem potencial eólico equivalente a mais da metade da energia elétrica hoje produzida. Portanto, se pudéssemos instalar parques eólicos aproveitando todo o potencial dos ventos já seria o suficiente para atender a demanda do Plano de Desenvolvimento Energético 2030 (PDE).
Entratano, continuou, é impossível aproveitar todo o potencial dos ventos. O fator de capacidade da energia eólica, ou seja, a produtividade média de usinas do setor no mundo, hoje, é da ordem de 35%. Já o fator de capacidade das usinas térmicas é de 90%, e isso ocorre porque, basicamente, essas fontes não são dependentes das sazonalidades climáticas.
Do total de EE produzida hoje no país – cerca de 100 mil megawatts – 74% provém de hidrelétricas, 24% de termoelétricas, cerca de 2% de nucleares e menos de 1% de parques eólicos. A participação das termelétricas nucleares no conjunto de energia elétrica ofertado no país cresceu de 8%, em 2003 para 11%, em 2010.
Até 2020 o Brasil necessitará ofertar, pelo menos, mais de 35 mil megawatts para atender o crescimento da demanda estimado pela EPE. Nesse planejamento, a participação das energias renováveis (pequenas centrais hidrelétricas/PCH, eólica e biomassa), será 14,6 mil megawatts, contra o aumento em 8,1 mil megawatts advindos da matriz hidrelétrica. A parcela restante, cerca de 12 mil megawatts, virá das usinas térmicas, tanto de fontes nucleares, quanto movidas a gás natural e carvão mineral.
Ao defender a energia nuclear como importante matriz para atender a crescente demanda brasileira no longo prazo, o porta-voz da Eletronuclear destacou que o elemento químico mais popular para a produção de energia nuclear no mundo é o urânio; sendo que, atualmente, o Brasil tem reconhecidamente a sexta maior reserva, atrás da Austrália, Cazaquistão, Canadá, África do Sul e Namíbia. Por outro lado, estudos recentes apontam que o Brasil deve passar a ser o país com a primeira ou segunda maior reserva de urânio, abrigando em seu território cerca de 800 mil toneladas de minérios com o elemento radioativo – a quantidade de urânio prospectado atualmente no país é de aproximadamente 309 mil toneladas.
Fonte Eletronuclear
Para um debate saudável
Em relação às críticas quanto uso da energia nuclear, Guimarães levantou a necessidade de se evitar quatro reconhecidos fatores que atrapalham discussões profundas sobre o tema:
– Sectarismo – “cada pessoa tem uma história pessoal e muito facilmente tende ao partidarismo, ou seja, defendem o que acreditam sem abertura às discussões”.
– Mito da panacéia – “ou seja, a crença que para tratar a questão [energética], que é de altíssima complexidade, existe uma solução única”;
– Confusão entre potência e produção de energia – “as pessoas quando tratam do tema falam em números energéticos utilizando os números de potência, sendo que energia é potência vezes o tempo. Não se compara um megawatts hídrico, com um megawatts nuclear, assim como não se compara com eólica”.
– Mercantilização da energia – “A oferta de energia é um serviço público, e serviços públicos têm características diferentes das mercadorias, ou seja, têm a função de fazer a economia evoluir e são responsáveis por inúmeras externalidades, tanto positivas quanto negativas. Então, não deve ser entendida como simples commodity. Claro que o preço é importante, mas essa visão é perigosa, e não é por leilões que o valor deve ser estabelecido, isso tende a ser perigoso para nós no longo prazo”.
Deixe um comentário