“As usinas hidrelétricas podem ser um vetor de preservação ambiental”, afirmou Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), no 11º Fórum de Debates Brasilianas.org sobre os desafios da energia elétrica para o século XXI, realizado hoje, em São Paulo.
Tolmasquim acredita que é possível aumentar a geração de energia mantendo a matriz limpa e ainda preservando o meio ambiente. Ele cita o exemplo da Usina de Belo Monte, para a qual estão programados mais de R$ 5 bilhões de investimentos na área ambiental e social da região. Além disso, há restrições técnicas para minimizar o impacto, como a ausência de reservatório, ao contrário de outras usinas.
O presidente da EPE ressaltou que 45% da matriz energética brasileira vem de fontes renováveis, ante uma média mundial de 18%. No caso específico do setor elétrico, a diferença é ainda maior, com 87% da energia elétrica gerados por fonte renováveis (sendo as hidrelétricas responsáveis por 81%) contra 18% dos outros países. Por essa razão, o setor elétrico nacional emite cem vezes menos gases do efeito estufa que Estados Unidos e China.
Outras fontes de energias renováveis tem, assim como a hidrelétrica, grande potencial de expansão. A energia eólica, segundo Tolmasquim, aumentará sete vezes sua capacidade instalada até 2014. Porém, este tipo de energia é intermitente, exigindo que seja complementada pela hídrica, que tem seu período de seca justamente quando a eólica consegue atingir sua maior capacidade de produção.
Por último, o palestrante falou sobre os recentes leilões de energia elétrica, e de como eles quebraram paradigmas dentro do mercado. Mas disse que há desconfiança em relação a este modelo, mas que os resultados tem sido “extraordinários”. “Já organizamos 20 leilões desde a implantação do novo modelo, em 2005. Já foram contratados 63 mil MW com os leilões”, concluiu Tolmasquim.
Foto: José Cruz/ABr
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