
Jornal GGN – Uma série de fatores acabou por afetar as operações na bolsa brasileira, mas o tom mais favorável visto ao longo do dia ajudou o mercado a se recuperar. O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) encerrou o dia em alta de 0,19%, aos 37.717 pontos e com um volume negociado de R$ 5,057 bilhões.
As operações domésticas foram favorecidas pela melhora do humor do setor externo, após comentários do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, que ajudaram a dar força para as apostas de que mais estímulos seriam adotados na zona do euro. Segundo informações da agência de notícias Reuters, o representante da autoridade monetária disse que seria preciso rever o posicionamento da política monetária da instituição em março, o que trouxe esperanças de mais “quantitative easing”.
No Brasil, as ações da Petrobras tiveram um alívio nesta sessão, por conta da alta do petróleo. As ações ordinárias da petroleira (PETR3) saltaram 6,07%, a R$ 6,29, enquanto os papéis preferenciais (PETR4) fecharam em alta de 1,58%, a R$ 4,50.
Já as ações da Vale fecharam em queda e limitaram a alta do índice. Os papéis ordinários da mineradora (VALE3) perderam 0,76%, a R$ 9,14, enquanto os preferenciais (VALE5) caíram 1,29%, a R$ 6,86.
Em alta pelo terceiro dia seguido, o dólar fechou no maior nível desde a criação do real, em 1994. A cotação do dólar comercial encerrou esta quinta-feira (21) vendido a R$ 4,166, com alta de R$ 0,061 (1,47%). O recorde anterior tinha sido registrado em 23 de setembro (R$ 4,146).
A moeda operou em alta durante toda a sessão. Na máxima do dia, por volta das 9h30, chegou a ser vendido a R$ 4,172. Nas horas seguintes, a alta desacelerou, mas a cotação voltou a disparar depois das 16h. A divisa acumula alta de 5,5% em 2016.
Na véspera, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), decidiu manter a taxa básica de juros em 14,25% ao ano. Foi a primeira reunião do ano, e a quarta seguida em que a taxa foi mantida no mesmo nível. Juros menos altos deixam de atrair capitais financeiros para o país, pressionando para cima a cotação do dólar.
A autoridade monetária também efetuou um novo leilão de rolagem dos swaps cambiais (equivalentes à venda futura de dólares) com vencimento em 1º de fevereiro, vendendo a oferta total de até 11,6 mil contratos. Até o momento, o BC já rolou o equivalente a US$ 7,891 bilhões, ou aproximadamente 76% do lote total, que corresponde a US$ 10,431 bilhões.
O câmbio também foi afetado por fatores externos. A Bolsa de Xangai caiu 3,23%, no menor nível desde dezembro de 2014. A desaceleração da China tem afetado o mercado global, apesar de o governo do país ter anunciado a injeção de 600 bilhões de yuans na segunda maior economia do planeta. No ano passado, o país asiático cresceu 6,9%, a menor expansão dos últimos 25 anos. A instabilidade na economia chinesa afeta países exportadores de commodities – matérias-primas com cotação internacional – como o Brasil. A redução da demanda por produtos como ferro e soja barateia as exportações brasileiras. Com menos dólares do comércio internacional entrando no país, a cotação sobe.
Para sexta-feira, os agentes aguardam a publicação do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15), o PMI (índice dos gerentes de compras) industrial e composto na Alemanha e na Europa, além dos dados de vendas de casas usadas nos Estados Unidos, entre outros indicadores.
(com Reuters e Agência Brasil)
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