4 de junho de 2026

Duas visões diferentes sobre o déficit de atenção infantil

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Enviado por Luiz Eduardo Brandão

Do blog Cultivando o Equilíbrio

Por que as crianças francesas não têm Deficit de Atenção?

por Marilyn Wedge, Ph.D, originalmente publicado no Psychology Today

Nos Estados Unidos, pelo menos 9% das crianças em idade escolar foram diagnosticadas com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e estão sendo tratadas com medicamentos. Na França, a percentagem de crianças diagnosticadas e medicadas para o TDAH é inferior a 0,5%. Como é que a epidemia de TDAH, que tornou-se firmemente estabelecida nos Estados Unidos, foi quase completamente desconsiderada com relação a crianças na França?

TDAH é um transtorno biológico-neurológico? Surpreendentemente, a resposta a esta pergunta depende do fato de você morar na França ou nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, os psiquiatras pediátricos consideram o TDAH como um distúrbio biológico, com causas biológicas. O tratamento de escolha também é biológico – medicamentos estimulantes psíquicos, tais como Ritalina e Adderall.

Os psiquiatras infantis franceses, por outro lado, vêem o TDAH como uma condição médica que tem causas psico-sociais e situacionais. Em vez de tratar os problemas de concentração e de comportamento com drogas, os médicos franceses preferem avaliar o problema subjacente que está causando o sofrimento da criança; não o cérebro da criança, mas o contexto social da criança. Eles, então, optam por tratar o problema do contexto social subjacente com psicoterapia ou aconselhamento familiar. Esta é uma maneira muito diferente de ver as coisas, comparada à tendência americana de atribuir todos os sintomas de uma disfunção biológica a um desequilíbrio químico no cérebro da criança.

Os psiquiatras infantis franceses não usam o mesmo sistema de classificação de problemas emocionais infantis utilizado pelos psiquiatras americanos. Eles não usam o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou DSM. De acordo com o sociólogo Manuel Vallee, a Federação Francesa de Psiquiatria desenvolveu um sistema de classificação alternativa, como uma resistência à influência do DSM-3. Esta alternativa foi a CFTMEA (Classification Française des Troubles Mentaux de L’Enfant et de L’Adolescent), lançado pela primeira vez em 1983, e atualizado em 1988 e 2000. O foco do CFTMEA está em identificar e tratar as causas psicossociais subjacentes aos sintomas das crianças, e não em encontrar os melhores bandaidsfarmacológicos para mascarar os sintomas.

Na medida em que os médicos franceses são bem sucedidos em encontrar e reparar o que estava errado no contexto social da criança, menos crianças se enquadram no diagnóstico de TDAH. Além disso, a definição de TDAH não é tão ampla quanto no sistema americano, que na minha opinião, tende a “patologizar” muito do que seria um comportamento normal da infância. O DSM não considera causas subjacentes. Dessa forma, leva os médicos a diagnosticarem como TDAH um número muito maior de crianças sintomáticas, e também os incentiva a tratar as crianças com produtos farmacêuticos.

A abordagem psico-social holística francesa também permite considerar causas nutricionais para sintomas do TDAH, especificamente o fato de o comportamento de algumas crianças se agravar após a ingestão de alimentos com corantes, certos conservantes, e / ou alérgenos. Os médicos que trabalham com crianças com problemas, para não mencionar os pais de muitas crianças com TDAH, estão bem conscientes de que as intervenções dietéticas às vezes podem ajudar. Nos Estados Unidos, o foco estrito no tratamento farmacológico do TDAH, no entanto, incentiva os médicos a ignorarem a influência dos fatores dietéticos sobre o comportamento das crianças.

E depois, claro, há muitas diferentes filosofias de educação infantil nos Estados Unidos e na França. Estas filosofias divergentes poderiam explicar por que as crianças francesas são geralmente mais bem comportadas do que as americanas. Pamela Druckerman destaca os estilos parentais divergentes em seu recente livro,Bringing up Bébé. Acredito que suas idéias são relevantes para a discussão, por que o número de crianças francesas diagnosticadas com TDAH, em nada parecem com os números que estamos vendo nos Estados Unidos.

A partir do momento que seus filhos nascem, os pais franceses oferecem um firmecadre – que significa “matriz” ou “estrutura”. Não é permitido, por exemplo, que as crianças tomem um lanche quando quiserem. As refeições são em quatro momentos específicos do dia. Crianças francesas aprendem a esperar pacientemente pelas refeições, em vez de comer salgadinhos, sempre que lhes apetecer. Os bebês franceses também se adequam aos limites estabelecidos pelos pais. Pais franceses deixam seus bebês chorando se não dormirem durante a noite, com a idade de quatro meses.

Os pais franceses, destaca Druckerman, amam seus filhos tanto quanto os pais americanos. Eles os levam às aulas de piano, à prática esportiva, e os incentivam a tirar o máximo de seus talentos. Mas os pais franceses têm uma filosofia diferente de disciplina. Limites aplicados de forma coerente, na visão francesa, fazem as crianças se sentirem seguras e protegidas. Limites claros, eles acreditam, fazem a criança se sentir mais feliz e mais segura, algo que é congruente com a minha própria experiência, como terapeuta e como mãe. Finalmente, os pais franceses acreditam que ouvir a palavra “não” resgata as crianças da “tirania de seus próprios desejos”. E a palmada, quando usada criteriosamente, não é considerada abuso na França.

Como terapeuta que trabalha com as crianças, faz todo o sentido para mim que as crianças francesas não precisem de medicamentos para controlar o seu comportamento, porque aprendem o auto-controle no início de suas vidas. As crianças crescem em famílias em que as regras são bem compreendidas, e a hierarquia familiar é clara e firme. Em famílias francesas, como descreve Druckerman, os pais estão firmemente no comando de seus filhos, enquanto que no estilo de família americana, a situação é muitas vezes o inverso.

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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5 Comentários
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  1. jc.pompeu

    19 de novembro de 2015 3:09 pm

    tenho uma hipótese a ser

    tenho uma hipótese a ser cientificamente verificada em pesquisa longitudinal populacional:

    criança francesa  tem  pouco TDAH por causa do desmame precoce do bebê.

    a mãe francesa não costuma dar de mama ou amamenta por período muito curto

    a cultura médico-pediatra à francesa não recomenda ou pouco faz da amamentação.

     

  2. gabriel Pacheco

    19 de novembro de 2015 4:57 pm

    Boa análise, só faltou

    Boa análise, só faltou acrescentar o lobby farmaceutico americano e as comissões por indicações dessas drogas para os médicos pela Big Pharma. Bem semelhante ao caso no Brasil.

    Lembrando de Donald Rumplsfeld, ex secretario de guerra do Bush Jr., é socio da tanto da Roche quando da Monsanto, ou seja ele produz a comida(veneno) e depois o remédio (a droga).

     

     

     

     

     

     

     

     

     

  3. anarquista sério

    19 de novembro de 2015 5:27 pm

    Assunto trivial aonde alguns

    Assunto trivial aonde alguns ”especialistas” querem ter notoriedade.   

        Ou falta de assunto— minha convição.

         Se este post tivesse sido escrito nos anos 1950, ou menos, a ”conclusão” seria a mesma.

           E este post será da mesma importância se escrito em 2 065.

          Eu cabulava aulas em 1962. Se cabula hoje. E se cabulará amanha.

          Não yem a ver com deficit de atenção ? Claro que inventaram nomes quando estamos no mundo da lua.

        Mas estar no mundo da lua, não significa deficit de atenção;

             Mesmo nesse deficit de atenção , a pessoa SEMPRE estará atento em outra coisa.–meia boca.mas ligada nos estudos.A bem da verdade pra passar de ano, que é a mesma coisa.

            No meu caso , cabulava aulas pra ir ao cinema.

                          CURA:

                  Descubra o que o jovem realmente curte e negocie com ele.Uma parte pra sua curtição(dose a combinar) e outra pros estudos,E de comum acordo aumente ou diminua a dose. FaÇA-O  sentir importante e dono da sua vida.

                Assunto resolvido.

    1. aliancaliberal

      20 de novembro de 2015 3:28 am

      Assunto resolvido. e milhões

      Assunto resolvido. e milhões de dólares perdidos, e milhares de empregos sem utilidade. 

      Tu fez um UBER da psicologia.

  4. Frederico69

    19 de novembro de 2015 9:13 pm

    qualquer coisa, que possa

    qualquer coisa, que possa vender uns tarja preta. segundo os gringos!

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