Esporte Clube Bahia e a primeira eleição direta para presidente e conselho deliberativo.
Este blog tem dado a cobertura esperada para todo o movimento de democratização no Esporte Clube Bahia que começou com o movimento democrático “Bahia da Torcida, campanha “zero público” nos estádios e ações judiciais que culminaram em uma intervenção judicial com a determinação de apuração, convocação de eleições para a escolha de um novo presidente em assembleia.
O Bahia viveu nos últimos anos a maior crise da sua história. O clube que é bicampeão nacional, condição obtida por poucos, caiu para a terceira divisão, alcançou altos índices de endividamento, perdeu vários dos seus jogadores da divisão de base por falta de recolhimento de FGTS e por vendas suspeitas pelo baixo valor das transações, a contratação de 103 jogadores em cerca de três anos, o que dava para armar quase dez times de futebol! Em sua maioria, jogadores que nem mereciam vestir a camisa do Bahia, alguns já no ocaso ou ultrapassados, pagos a peso de ouro.
A reação da torcida veio com o movimento democrático “Bahia da Torcida” que visa abrir a grande “caixa preta” que é o futebol, fato pioneiro no Brasil.
Hoje, dia 7 de setembro vai entrar para a história do futebol brasileiro. Os torcedores sócios do Bahia finalmente vão eleger em voto direto o próximo presidente do tricolor.
Esse processo de eleição direta se inicia quando o interventor de termina a convocação de uma assembleia para análise e modificação dos estatutos do time.
Em assembleia histórica na Fonte Nova no dia 17 de agosto, 3.089 sócios votaram a favor da reforma estatutária (99%), 6 votaram “não” e outros 25 anularam seus sufrágios.
Assim, a partir de agora a “Carta Magna” do clube possui doze mudanças que tornam o Bahia, finalmente, democrático. São elas:
1- Todos os sócios adimplentes perante o clube poderão votar diretamente para escolher a nova diretoria executiva do clube, sem carência, sem filtros;
2-Criação de mandato temporário para a próxima direção executiva a ser eleita pela Assembleia Geral de Sócios, com mandato até dezembro de 2014 sem possibilidade de reeleição;
3-Possibilidade de o torcedor tornar-se sócio desde o seu nascimento, tendo direito a voto a partir dos 16 anos, desde que estando adimplente com o clube;
4-Redução de 300 para 100 membros do Conselho Deliberativo, com adoção do sistema eleitoral proporcional;
5-Adoção do Ficha-Limpa nas eleições para todos os cargos de presidente e vice e Conselho deliberativo.
6- Proibição de que ocupantes de cargo na administração pública direta, indireta ou fundacional sejam candidatos.
7) – Os membros da diretoria executiva que desejarem disputar mandatos eletivos para os cargos de vereador, prefeito, vice-prefeito, deputado estadual, deputado distrital, deputado federal, senador, suplente de senador, governador, vice-governador, presidente e vice-presidente da República deverão se afastar definitivamente das suas funções a partir da data de formalização do pedido de registro de candidatura junto á Justiça Eleitoral.
8- Dedicação exclusiva ao Esporte Clube Bahia de todos os membros da diretoria executiva.
9- Os cargos de Presidente e Vice- Presidente, bem como os de diretores, deverão ser remunerados, acabando com a farsa de “dirigente sem remuneração”, sendo vedado aos mesmos, no curso do mandato, o exercício de qualquer outra atividade pública ou privada remunerada.
10-Que os titulares dos cargos de Presidente e Vice Presidente do Esporte Clube Bahia será admitida a reeleição para um único mandato consecutivo.
11-Obrigatoriedade da apresentação de declaração de bens e valores que compõem o seu patrimônio privado.
12-Não poderão se candidatar para os cargos de Presidente e Vice-Presidente , cônjuge e parentes até o 2° grau.
Bora, Baêa!”
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