4 de junho de 2026

O samba brasileiro é música de branco

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As conversas com Eduardo Gudin sempre são enriquecedoras. Além de grande compositor, Gudin é um analista fino da música brasileira, qualidade que, dentre os músicos, só encontrei no falecido e querido Zé Rodrix.

A música tonal é aquela que tem no centro a tônica, o acordo dominante, que serve de referência para todos os outros. A partir dai criam-se relações de dominância e dependência, com a tensão da música sempre terminando na dominante.

É a base da música ocidental. Conta-se a história que Johan Sebastian Bach começou a compor uma música e foi dormir. No meio da noite acordou inquieto, porque esquecera-se de colocar a última nota, que resolvia a tensão da música.

Já a base da música africana é modal. Nela, não há a sequência de acordes do tonalismo. O desenvolvimento da música se dá exclusivamente na harmonia. Manifestações típicas desse modalismo estão nos repentes nordestinos ou na música negra de Clementina de Jesus.

https://www.youtube.com/watch?v=12sxGsjPm1w]

https://www.youtube.com/watch?v=gil3Mw32OnU]

A música popular brasileira nasceu da influência direta da música de salão europeia. É o caso de Chiquinha Gonzaga e suas polcas, maxixes e canções.

https://www.youtube.com/watch?v=dYHzZ4V_eyk]

Os negros que criaram o samba eram músicos sofisticados, antenados com seu tempo. Supor que desenvolveriam a música das senzalas é subestimar sua sofisticação musical. Muitos deles tiveram formação nas militares, aprenderam as técnicas do contraponto e passaram a compor uma música estritamente ocidental, como é o caso do pioneiro Sinhô.

https://www.youtube.com/watch?v=iJvFx8gDsl4]

Sem falar de Pixinguinha, um maestro completo que dominava a flauta, o sax e o piano, lia música com perfeição e desenvolveu técnicas invejáveis de contraponto.

https://www.youtube.com/watch?v=9GORmbtsKC0]

Todos os grandes sambistas compuseram dentro das mais consagradas técnidcas ocidentais.

É o caso de Ismael Silva:

https://www.youtube.com/watch?v=fCvhR5Gg20Q]

De Geraldo Pereira

https://www.youtube.com/watch?v=B0NTIOCRhJU

De Wilson Batista, mesmo com suas modulações originalíssimas:

[video:https://www.youtube.com/watch?v=vmD6D0zAGnc

De Nelson Cavaquinho, nem se diga. Nelson era tão fanático por cinema que tinha por hábito apelidar conhecidos com nomes de atores. O Lindenberg, o Baiano, amigo nosso, era o Antony Quinn. E parecia mesmo.

[video:https://www.youtube.com/watch?v=qY7g_uSgysE

De Cartola, poeta maior:

[video:https://www.youtube.com/watch?v=dvpk1wL_zC8

No decorrer dos anos 20 aos 50, a única música a fugir do tonalismo foi a nordestina de Luiz Gonzaga. Segundo Gudin, a passagem de acordes de “Asa Branca” (“qual fogueira de São João”) foi inspirada diretamente no blues, que rompeu com as amarras do tonalismo.

[video:https://www.youtube.com/watch?v=zsFSHg2hxbc

A partir dessas constatações, Gudin investe diretamente contra a xenofobia do amigo José Ramos Tinhorão: a primeira música popular brasileira a a romper com o tonalismo e a criar uma marca própria foi a bossa nova de Tom Jobim, assim como o blues e o jazz americano, mas com um sotaque fundamentalmente brasileiro.

É o caso do clássico “Chovendo na roseira”

[video:https://www.youtube.com/watch?v=Tb8bnQOJCZM

Ou do samba de uma nota só:

[video:https://www.youtube.com/watch?v=0CYpukkQo04

 

 

 

 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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44 Comentários
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  1. abolicionista

    23 de dezembro de 2015 2:30 pm

    Sinto-me obrigado a

    Sinto-me obrigado a discordar. O texto despreza completamente o aspecto ritmico, justamente aquilo que o samba tem de mais sofisticado. A frase “O desenvolvimento da música se dá exclusivamente na harmonia.”revela o eurocentrismo do texto. 

    Como diz o violonista Baden Powell, no seguinte trecho de uma entrevista, as raízes da música popular brasileira são todas africanas: http://www.dailymotion.com/video/x6ujsc_pierre-barouh-baden-powell-samba-sa_music

     

  2. Ricardo Cavalcanti-Schiel

    23 de dezembro de 2015 2:55 pm

    Mais “mestiço” que puro

    Vou discordar do Nassif (que é músico) e falar como antropólogo (não mais que melômano).

    A provocação do título da postagem é boa, mas não resolve o assunto. Ao lançar uma provocação a certa obsessão racialista contemporânea pelos pedigrees, pode-se, ao mesmo tempo, cair na armadilha da lógica mesma do pedigree. Quando se pensa dentro de uma gramática, fica-se preso a ela. Para pensar diferente é preciso sair do quadrado da gramática (o que os racialistas, evidentemente, não estão dispostos a fazer, porque para eles sua gramática é sagrada).

    Tomar como parâmetro de reconhecimento de uma linguagem a clivagem tonalismo/modalismo pode ser apenas reiterar o ponto de vista da música ocidental.

    O que a herança africana aportou como elemento de linguagem à nova música ocidental foi a paridade do ritmo (à melodia), fortemente marcado e sincopado, como estruturante dessa linguagem. O resultado disso foi a mestiçagem musical americana, que encontra no triângulo Rio-Havana-New Orleans seus píncaros representativos. Essa “tese” foi defendida pelo José Miguel Wisnik n’ O Som e o Sentido.

    Quer dizer, não se trata de alocar uma linguagem à remissão de uma origem dominante e, portanto, de alguma eventual “pureza”. Estamos no reino das misturas, ou daquilo que uma certa tradição analítica latino-americana chama de “transculturação”, onde os produtos discursivo são heterogêneos, respondem a duas (ou até mais) matrizes lógico-simbólicas ao mesmo tempo, e podem ser compreendidos ora por uma, ora por outra, e considerados e julgados nos termos desses cânones, por mais díspares que possam ser.

    O crítico literário peruano Antonio Cornejo Polar, que melhor trabalhou o conceito de “heterogeneidade”, por oposição à reificação do produto (ou fetiche da mercadoria) implícita na ideia mais corrente de “hibridismo” (popularizada por Néstor García Canclini, Homi Bhabha e fortemente inflacionada pelos analistas nore-americanos), acreditava que os discursos heterogêneos, por sua própria natureza, não seriam capazes de conformar tradição.

    Aí é que começa a aventura dessas mestiçagens que, de alguma forma, são capazes de engendrar a sua própria tradição. O resto é história (do samba, do jazz e dos ritmos cubanos, por exemplo). Essa, sim, é a verdadeira e mais larga história cultural das Américas; aquela que recusa os pedigrees pelo simples fato de eles não fazerem muito sentido.

    1. Cafezá

      23 de dezembro de 2015 3:34 pm

      Seu texto é irretocável,

      Seu texto é irretocável, Ricardo. Muito bom mesmo.

    2. luisnassif

      23 de dezembro de 2015 6:27 pm

      De quando é esse trabalho do

      De quando é esse trabalho do Wisnik? Tenho curiosidade porque em minha coluna na Folha várias vezes desafiei os pesquisadores e descobrir as relações entre a música do Nazareth e do Scott Joplin. Julgava que seria Gochstalk, saindo de Nova Orleans, passando por Cuba e desembarcando no Rio. Depois, o Alexandre Dias levantou o nome de outro colega dele que fez o mesmo percurso e foi professor de Nazareth.

      1. Mauricio Salles

        23 de dezembro de 2015 7:45 pm

        O Som e o Sentido

        Início dos anos 90. Um ponto de referencia indispensavel.

      2. altamiro souza

        23 de dezembro de 2015 11:15 pm

        fiquei curioso.cliqueino

        fiquei curioso.cliqueino google  o nome do autor e do livro citados e apareceu um item:

        o som e o sentido e o nome hugo riberio, não sei o motivo deste nome.mas baixei….

        vamos ver se dá tempo pra ler….

  3. antonio rodrigues

    23 de dezembro de 2015 3:13 pm

    A partir dessa teoria

    A partir dessa teoria chegariamos tambem a conclusão que o jazz  “é musica de branco”.

    Não aconselho aos adeptos dessa teoria exporem seus conceitos musicais num bar de jazz do Harlem.

    Não seriam bem vistos.

    1. luisnassif

      23 de dezembro de 2015 3:54 pm

      O jazz e o blues não são

      O jazz e o blues não são música tonal 

      1. abolicionista

        24 de dezembro de 2015 3:32 am

        Discordo. O jazz é tonal sim.

        Discordo. O jazz é tonal sim. É uma mistura de uma escala pentatônica com acordes maiores de I, IV e V grau. Essa sobreposição, que não ocorre na musica modal tradicional, gera várias dissonâncias, como segundas menores e trítonos.

        Algo semelhante acontece em versões mais africanas da música popular brasileira. O exemplo maior são os afro sambas de Baden e Vinícius. Baden, inclusive, afirmava que as raízes rítmicas do samba eram “todas africanas”. 

      2. antonio rodrigues

        24 de dezembro de 2015 9:53 am

        Desculpe-me continuar

        Desculpe-me continuar discordando, mas 99,9 % das canções de jazz são tonais.

        Houve rarissimas exceções nos anos 60 com experiencias radicais de free jazz.

        Apenas experimentos.

        Não existe na cultura negra nada mais vigoroso que o jazz.

        Alguns brancos aprenderam ate a tocar, mas não chegam nem aos pes dos musicos negros.

  4. JMauriciO

    23 de dezembro de 2015 3:26 pm

    Musica é a maior construção
    Musica é a maior construção coletiva e interativa da humanidade. Quem pode mete o bedelho, quem não pode escuta. Um puxa pra lá, outro puxa pra cá. E assim vai. Dizem que um negão cansado de ouvir um chines tocar nas plantações de algodão, tomou o violão do cara e disse: ” faz assim que fica mais legal”. Inventou a escala de blues. Tom Jobim dizia que: “brasileiro autêntico, autêntico mesmo, nem o jequitibá.”
    Abraços, e Feliz Natal pra todos.

  5. GalileoGalilei

    23 de dezembro de 2015 3:41 pm

    Música de Blanco?

    Não tenho os mesmos conhecimentos teóricos que o Nassif. Não saberia discorrer sobre o tonalismo e o modalismo.

    Gosto muito de música, em particular da música brasileira e do jazz. Mas é pura intuição.

    E, na minha intuição, consigo enxergar algumas coisas que não se encaixam no feijão com arroz.

    É o caso, por exemplo, de um Johny Alf, ou mesmo de uma Joyce em seu “Saudade Sem Futuro” (1985): 

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=Ng5pZiEmwEk align:center]

    Onde se encaixam esses dois? Em uma mesma caixa ou em caixas diferentes?

    Intuo que a música brasileira bebeu em muitas fonte e em muitas raízes. Ernesto Nazareth, por exemplo, um de nossos pioneiros, bebeu nas fontes europeia e africana. As polkas de origem polonesa, e o lundu, de origem africana são algumas das suas fontes.

    Consta que entre seus professores, encontra-se Charles Lucien Lambert, renomado pianista de New Orleans.

    Aqui também existe uma lacuna sobre a possível influência exercida por Scott Joplin, compositor negro, norte-americano e considerado pai do Ragtime e do Jazz. Comenta-se sobre a influência de Joplin sobre Nazareth (ver Wikipédia), mas, minha intuição levanta dúvidas sobre se a influência não teria sido recíproca.

    Com tantas interferências será que não seria forçar demais a barra e classificar o samba como música de branco?

    O que diria Billy Blanco?

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=4PSPgpg8MUk align:center]

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=lfrmcvbhzAQ align:center]

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=_xz_OxKvd74 align:center]

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=lEsGUc5nbsA align:center]

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=1hB4Y5MJ5MM align:center]

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=9Px3un8selk align:center]

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=o6o9PJXTFn8 align:center]

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=0cw63GscRWs align:center]

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=usWAChwa4qc align:center]

    E uma surpreendente Vanderléa:

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=KYVHv-RFBKY align:center]
     

     

     

  6. Jair Fonseca

    23 de dezembro de 2015 4:14 pm

    Em cultura, tudo é pura mistura.

    Em cultura, tudo é pura mistura. Mas pra botar mais lenha na fogueira, segue uma canção pouco conhecida do Joelho de Porco (de que o Zé Rodrix participou), dos anos 70, tratando do “branqueamento” do samba. E tem gente hoje que não admite que a garotada negra e pobre não ouça nem faça mais samba, mas rap e funk.

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=TplFTUVrbU%5D

    Agora eu sei
    Porque é que quem é negro já não dança samba
    Porque é quem é negro tá na onda black
    Deixando louca a critica especializada
    (o donos do samba)
    É que agora eu sei
    Que quem é negro tem que ter a sua música
    Falando a mesma língua da rapaziada
    Que tem muito trabalho e salário pouco
    É que o samba deixou de ser uma música negra
    É que o samba deixou de ser uma música livre
    É que o samba deixou de ser uma música pobre
    Uma música viva
    É que o samba passou a ser
    Música de gente satisfeita
    E hoje que eu já sei 
    Que negro dança black e branco dança samba
    Que o black vem do morro e o samba da cidade
    E é dentro da cidade que se encontra o samba
    (desfigurado)
    Eu vou dançar
    O black como um dia já dancei o samba
    Com a mesma alegria e a mesma liberdade
    Que a minha avó dançava o maracatu
    Na senzala

  7. Vânia

    23 de dezembro de 2015 4:39 pm

    De qualquer maneira

    Assim como o Galileo, meu amor por música – especialmente a música brasileira – vem da intuição. Não tenho conhecimentos teóricos, etc.

    Concordo com o Jair que, em se tratando de cultura, tudo é pura mistura. Ainda mais quando estamos falando do samba, nascido no país mais miscigenado do mundo. 

    Enfim, com a palavra, Candeia:

    De qualquer maneira
    Meu amor eu canto
    De qualquer maneira
    Meu encanto, eu vou sambar ♪

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=2ASa5-OJXO0%5D

     

     

    1. Vânia

      23 de dezembro de 2015 4:41 pm

      Samba da antiga

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=6ckDc8u83vE%5D

      1. Dia de Graça
      (Candeia)

      2. O Pagode
      (Candeia)

      3. Prece ao Sol
      (Candeia)

      4. Samba da Antiga
      (Candeia)

      5. Sorriso Antigo
      (Candeia / Aldecy)

      6. A Volta
      (Candeia)

      7. Viver
      (Candeia)

      8. Paixão Segundo Eu
      (Candeia)

      9. Outro Recado
      (Candeia / Otto Enrique Trepte)

      10. Chorei Chorei
      (Candeia)

      11. Coisas Banais
      (Candeia / Paulinho da Viola)

      12. Ilusão Perdida
      (Candeia / Otto Enrique Trepte)

  8. Mauricio Salles

    23 de dezembro de 2015 4:42 pm

    Bem

    Tudo bem, mas a Bossa Nova sem Ravel é Debussy (franceses) não existiria…

    1. luisnassif

      23 de dezembro de 2015 6:23 pm

      Foram buscar a atonalidade em

      Foram buscar a atonalidade em Debussy. Desde Garoto.

      1. Mauricio Salles

        23 de dezembro de 2015 7:43 pm

        Sim

        Sim, mas em tese cai por terra o que foi dito que a Bossa foi música genuinamente brasileira. 

        1. luisnassif

          23 de dezembro de 2015 8:02 pm

          Ali o Gudin aplicou a teoria

          Ali o Gudin aplicou a teoria do anti-Tinhorão, forçando a barra para caricaturizar o radicalismo do Tinhorão.

          1. Vinicius Carioca

            23 de dezembro de 2015 10:22 pm

            Doeu no coração

            Caricaturizar chegou a doer no coração…podemos fugir do anglicismo e ficar com o caricaturar?

      2. Mauricio Salles

        23 de dezembro de 2015 7:59 pm

        Argumentando

        Mencionei Ravel por causa da estreita relação entre “Imagina” de Tom Jobim e das “Valses Nobles et Sentimentales”  de Maurice Ravel.

        https://www.youtube.com/watch?v=KrNDhiIAF6s

        e

        https://www.youtube.com/watch?v=aSkrJpgzYM

  9. B.V.D.

    23 de dezembro de 2015 4:54 pm

    O melhor é que o samba é música de pobre

    Vejo que a maioria dos sambistas são (ou surgiram) da classe média e baixa.

    Creio que o samba até seja parte da nossa identidade cultural por, normalmente, ser feita por pessoas pobres (i.e. não ricos), como a maioria de nos (brasileiros). E por muitas de suas musicas se tratarem de esperança ou de humor de alguma situação: cita algo ruim (poderia tornar a musica triste), mas, o humor ou a esperança num futuro melhor torna a musica alegre.

    Acho que adorar samba ou forró é um bom teste p/ saber se alguém não tem “complexo de vira-lata”. Imagino que a maioria dos brasileiros com este complexo achem Beatles e Rock n’ Roll melhor do que músicas brasileiras.

    *Não sei bem se este meu texto se encaixa no contexto, mas tá ai. rsrs

  10. APA

    23 de dezembro de 2015 5:25 pm

    ôooo conversa bôa!

    🙂

  11. Maurício Sérgio Dias

    23 de dezembro de 2015 6:41 pm

    O SOM E O SENTIDO

    http://www.estantevirtual.com.br/b/jose-miguel-wisnik/o-som-e-o-sentido-uma-outra-historia-das-musicas/3264676560?q=o+som+e+o+sent. 

     

    Livro lançado pel Cia das Letras em 1989, se não me engano. 

  12. JMauriciO

    23 de dezembro de 2015 6:50 pm

    Sabe-se que a musica é
    Sabe-se que a musica é composta de melodia, harmonia e ritmo. A musica tonal trouxe grande contribuição a parte melodica e um pouco para a harmônica, porém limitando bastante a ritmica. Na musica tonal se consegue dançar com um passo pra trás e três pulinhos pra frente. Não dá né! Alguém ja viu a turma dançando passinho? Conclusão, não se consegue mais pensar em musica, sem a riqueza ritmica que veio da Africa. Só pra concluir, tem gente que diz que a musica Europeia(tonal), teve origem no oriente médio e chegou a Europa durante a dominação Arabe. É uma encrenca só.

    1. Ivan de Union

      23 de dezembro de 2015 7:26 pm

      Nao entendi:  a escala tonal

      Nao entendi:  a escala tonal dos arabes eh diferente -ate procurei video que o demonstra.  Essa musica deve ser lendaria no mundo arabe de tao bonita!  Note tambem o vibrato de  cabeca pra baixo de duas notas de alcance do cantor…  vibrato arabe sobe e desce a partir da nota alvo, e nao desce e sobe como na musica que nos conhecemos!

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=ZhJ6v3_Dg08%5D

      Se mais tarde os europeus pensam que inventaram a escala “temperada” ou o que eh que seja chamado, eh uma criacao autentica, como o samba eh uma criacao brasileira autentica derivada diretamente da Africa -no lado ritmico- e da Europa no lado “musical”, digamos.

  13. Rui Daher

    23 de dezembro de 2015 7:01 pm

    Bem, vá lá

    que a conversa do Gudin seja enriquecedora, suas composições maravilhosas, mas que puta mau-humor no dia do Sarau, hein?

    1. luisnassif

      23 de dezembro de 2015 8:00 pm

      Estava no normal dele.

      Estava no normal dele.

  14. GalileoGalilei

    23 de dezembro de 2015 7:01 pm

    Vitorioso, ele partiu para o estrangeiro

    Tempos Idos

     

    Carlos Cachaça

     

    Os tempos idos
    Nunca esquecidos
    Trazem saudades ao recordar
    É com tristeza que eu relembro
    Coisas remotas que não vêm mais
    Uma escola na Praça Onze
    Testemunha ocular
    E perto dela uma balança
    Onde os malandros iam sambar
    Depois, aos poucos, o nosso samba
    Sem sentirmos se aprimorou
    Pelos salões da sociedade
    Sem cerimônia ele entrou
    Já não pertence mais à Praça
    Já não é mais o samba de terreiro
    Vitorioso ele partiu para o estrangeiro
    E muito bem representado
    Por inspiração de geniais artistas
    O nosso samba, de humilde samba
    Foi de conquistas em conquistas
    Conseguiu penetrar o Municipal
    Depois de atravessar todo o universo
    Com a mesma roupagem que saiu daqui
    Exibiu-se para a duquesa de Kent no Itamaraty

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=7jS82s8WZnc align:center]

    1. Vânia

      23 de dezembro de 2015 11:46 pm

      Muito boa lembrança, Galileo

      Senti falta do nosso amigo Almeida aqui neste post. Tenho certeza que ele daria ótimas contribuições.

      um abraço nos dois.

      1. GalileoGalilei

        24 de dezembro de 2015 1:38 am

        Tenho a certeza que sim

        Tenho a certeza que sim

  15. junior50

    23 de dezembro de 2015 7:44 pm

    Zé Rodrix

      Para os que gostam deste compositor, conheçam parte do acervo de sua obra, em exposição permanente no Bar Brazileria  ( Rua Clélia ) ou http://www.brazileria.com.br , fundado pela Julia Rodrix e o irmão dela o Silvio.

  16. romério rômulo

    23 de dezembro de 2015 8:45 pm

    a coisa já anda braba e você vem com este papo, Nassif!

    teremos que amarrar o Adelzon depois desta.

    romério

    1. luisnassif

      24 de dezembro de 2015 12:25 pm

      Marque o local e escolha as

      Marque o local e escolha as armas. Precisamos repetir o sarau do Rio.

  17. Laura Macedo

    23 de dezembro de 2015 9:49 pm

    No início da criação do PLN

    No início da criação do PLN (2008) o Nassif abriu um grupo de discussão: “Os dogmas da Bossa Nova”.

    “Os dogmas foram levantados por mim anos atrás, quando pensava que acharia tempo para escrever um livro sobre a Bossa Nova, a quatro mãos com o Zé Rodrix. Não deu tempo. Fica aí o roteiro de dogmas para quem quiser se habilitar”.

    Abraços a todos.

    Deixo o link para os interessados no asunto: http://blogln.ning.com/group/musica/forum/topics/2189391:Topic:10385

     

  18. altamiro souza

    23 de dezembro de 2015 11:56 pm

    não sei se repito, mas esse

    não sei se repito, mas esse post é uma boa aula com exemplos marcantes

    que podem ser curtidos numa boa, como diziam os baianos

  19. Fernando L.

    24 de dezembro de 2015 12:08 am

    Sem querer contradizer o mestre…

    Já a base da música africana é modal. Nela, não há a sequência de acordes do tonalismo. O desenvolvimento da música se dá exclusivamente na harmonia.

    A música modal é européia também, para ser mais exato tem origem greco-romana. A partir da hiper valorização de dois dos sete modos originais (modo-modal) o modo Eólio (conhecido na harmonia como menor) e o modo Jônico (Maior) a harmonia foi sendo construída na Europa ao longo dos séculos baseados nestes dois modos predominantes. 

    Aí cabem duas observações sobre a música nordestina dos repentes: Ela seria modal por ser africana ou seria modal por ser européia antiga, pré harmonia? Levando-se em conta a questão da afinação dos instrumentos musicais e do canto, que não sendo uma afinação européia também não se encaixaria nos modos greco-romanos. Assim a influência negra no caso da “modalidade” na música nordestina seria reduzida, ao contrário do que foi no Blues americano onde as blue notes simulam a microtonalidade árabe do norte da áfrica.

    Sobre o tema geral do post o samba é europeu na harmonia e melodia mas segue com os batuques negros a animar a festa no fundo. Música é rítmo!

     

  20. Último Vaqueiro

    24 de dezembro de 2015 1:37 am

    Música de Quem?

    Debate interessante este. Quero também fazer algumas considerações e discordar de algumas coisas:

    a) A música não é formada só de harmonia. Na concepção tradicional, a música tem três elementos: a harmonia, a melodia e o ritmo, todos com igual importância (sendo que se e um ou dois deles for suprimido ainda assim é música).

    b) Na questão rítmica, o samba ( o blues, o ragtime, o jazz) não tem nada de europeu, mas sim, vemos uma forte presença e influência da música africana. Experimente fazer um samba sem a sua célula rítmica característica e me diga se é um samba (vira polca, marcha etc, menos samba).

    c) Na questão do tonalismo/modalismo aí o buraco é bem mais embaixo, resumindo: c1) Até o advento da chamada música clássica (strictu sensu) com Mozart, Beethoven e Haydn (principais compositores) a música européia era feita, sim, com muito modalismo, já que ainda não se tinha uma idéia bem definida de tonalismo (bem provável que no período barroco já se tivesse iniciado). c2) o tonalismo nada mais é do que uma variante do modalismo, nesse sentido antes se conheciam e se usavam os modos jônico (que depois viria a ser a base para a tonalidade maior), dórico, frígio, lídio, mixolídio, eólico (base para a tonalidade menor) e o modo teórico frígio. c3) Quem ‘batizou’ a música africana de modal? Na verdade chamaram de modal a partir de um ponto de vista eurocentrico, pois os africanos faziam música sem intenção nenhuma de ser modal ou tonal. Assim, o samba surgiu no Brasil sem intenção de ser tonal, apenas já era o que mais se escutava na época (hoje já temos muita música modal)

    d) O elemento da música africana que mais influenciou a nossa música brasileira foi o rítmo, pois eles usavam predominantemente instrumentos de percussão, e isso foi trazido para o samba.

    e) Quanto ao contraponto (superposição de melodias) tem-se uma clara influência da música europeia, principalmente no choro onde o violão de 7 cordas faz uma melodia paralela àquela principal que está sendo cantada ou tocada por instrumentos mais agudos. Esta técnica, contudo, já era muito usada na música renascentista e barroca e também na música negra africana cantada (ritmicamente também se ouve na música africana e algumas brasileiras rituais e americanos a superposição de vários ritmos distintos na música negra).

    f) Apenas uma inferência lógica: ‘A bossa-nova tem muito modalismo, então é música de preto feita por brancos, e o samba por ser tonal, é música de branco feita por pretos.’

    g) Dizem que o samba original foi bastante modificado para agradar os ouvidos ‘brancos’, colocando-se mais elementos de música européia (assim como fizeram e fazem com os demais ritmos brasileiros como hip hop, funk carioca, até sertanejo, forró etc). Essa letra ‘g’ é só uma suposição.

    1. Vinícius Garcia

      24 de dezembro de 2015 10:55 am

      Muito bom, do começo ao fim.

      Muito bom, do começo ao fim. Acho que dá para substituir o texto por este, para mim, uma análise muito mais coerente do que a do próprio texto.

  21. rdmaestri

    24 de dezembro de 2015 4:33 am

    Ainda bem que não conheço nada de música!

    Porque esta discussão vai longe.

    Agora pergunto aos entendidos. Pode existir algo que seja puramente africano ou puramente europeu.

    Não esqueçam que a música antes da invenção da pauta era transmitida de memória, quem garante que um africano ou um europeu passou de um lado para outro e transmitiu a sua forma de música?

  22. Cris Kelvin

    24 de dezembro de 2015 11:48 am

    ?

    “Segundo Gudin, a passagem de acordes de “Asa Branca” (“qual fogueira de São João”) foi inspirada diretamente no blues, que rompeu com as amarras do tonalismo.”

    1) Parece-me historicamente improvável. O buraco está mais embaixo, no tempo. Tanto o blues como a musica nordestina, p ex., repercutem ou derivam do modo mixolídio, nascido na idade Média, com os cantos gregorianos. Se foge do tonalismo é na medida em que a escala modal é livre da sistematização harmônica da escala tonal.

    2) Há dúvidas sobre a autoria de Asa Branca. Nas) biografia(s) “Gonzagão e Gonzaguinha”, de Regina Echeverria, há apontamentos de que a música, letrada posteriormente por Humberto Teixeira, já era conhecida em bailes, tocados pelo pai, Januário, quando Luiz  era ainda menino.  E neste ponto também não se sabe se a música era do pai, sanfoneiro e consertador de insrumento, ou de algum anônimo, dentre tantos  que constribuiram à constituição de nosso cancioneiro popular.

     

     

     

     

     

  23. Alan Souza

    24 de dezembro de 2015 1:26 pm

    O único pitaco que posso dar

    Já que não domino o assunto com essa profundidade, é o seguinte: se o samba brasileiro fosse música de branco não existiria hoje esse ódio generalizado das elites brancas (que acham que só o rock pode ser chamado de música) contra o samba e o pagode. Se o samba brasileiro fosse música de branco as elites gostariam dele.

    1. Cris Kelvin

      24 de dezembro de 2015 2:43 pm

      Batuque de “negro” era proibido em Curitiba…

      … até 1962. Quem conta é o historiador David Carneiro. 

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=ojr0HdBH_T8%5D

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